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Carta Capital dessa semana fala do manual de contra-inteligência do Exército

 


Paranoia verde-oliva

O manual secreto do Exército que oficializa a espionagem à margem da Constituição, e vê inimigos em todos nós

 

Veja a matéria:

Nós, os inimigos

FORÇAS ARMADAS | Em manual tão hilário quanto tenebroso, o Exército elege quase toda a sociedade brasileira como adversária e estimula métodos de bisbilhotagem

EM 24 DE ABRIL de 2009, sob as barbas do então presidente Lula e com o apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o Exército do Brasil produziu um documento impressionante. Classificado internamente como “reservado”e desconhecido, até agora, de Celso Amorim, que sucedeu a Jobim no ministério, o texto de 162 páginas recebeu o nome Manual de Campanha Contra-Inteligência. Trata-se de um conjunto de normas e orientações técnicas que reúne, em um só universo, todas as paranoias de segurança herdadas da Guerra Fria e mantidas intocadas, décadas depois da queda do Muro de Berlim, do fim da ditadura e nove anos após a chegada do “temido” PT ao poder.

Há de tudo e um pouco mais no documento elaborado pelo Estado Maior do Exército. A começar pelo fato de os generais ainda não terem se despido da prática de espionar a vida dos cidadãos comuns. O manual lista como potenciais inimigos (chamados no texto de “forças/elementos adversos”) praticamente toda a população não fardada do País e os estrangeiros. Citados de forma genérica estão movimentos sociais, ONGs e os demais órgãos governamentais, de “cunho ideológico ou não”. Só não explica como um órgão governamental pode estar incluído nesse conceito, embora seja fácil deduzir que a Secretaria de Direitos Humanos, empenhada em investigar os crimes da ditadura, seja um deles.

O manual foi liberado a setores da tropa por força de uma portaria assinada pelo então chefe do Estado Maior, general Darke Nunes de Figueiredo. Ex-chefe da segurança pessoal do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Figueiredo é hoje assessor do senador do PTB de Alagoas. O texto é dividido em sete capítulos, com centenas de itens. O documento confirma oficialmente que o Exército desrespeita frontalmente a Constituição Brasileira. Em um trecho registrado como norma de conhecimento, descreve-se a política de infiltração de agentes de inteligência militar em organizações civis, notadamente movimentos sociais e sindicatos. O expediente, usado à farta na ditadura, está vetado a arapongas militares desde a Carta de 1988, embora nunca tenha, como se vê no documento, deixado de ser usado pela caserna.

Também há referências a controle de meios de comunicação social e técnicas de contrapropaganda, inclusive com orientação para a disseminação de boatos, desqualificação de acusadores e uso de documentos falsos. Em outra ponta, o manual tem servido de bússola nas ações disciplinares contra oficiais da força, muitos deles ameaçados de expulsão por assumir posições políticas consideradas de esquerda ou simplesmente por criticar as doutrinas aplicadas pelos comandantes.

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Movimentos sociais, órgãos governamentais, militares estrangeiros… Ninguém escapa

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A recomendação explícita de infiltração de agentes de inteligência em movimentos sociais, assim como a mania de bisbilhotar a privacidade de cidadãos comuns, faz do manual uma prova de que, passados 26 anos, a ditadura ainda teima em não sair dos quartéis. Ou ao menos da cabeça do comando. E ranço direto da Doutrina de Segurança Nacional, acalentada nos bancos da Escola Superior de Guerra (ESG) e praticada, em tempos idos, pelo extinto Serviço Nacional de Informações (SNI).

Na quarta-feira 12, ao ser informado por Carta Capital da existência do documento, o ministro Amorim pediu esclarecimentos sobre o texto ao comandante do Exército, general Enzo Peri, titular do cargo à época da edição do manual. Também ordenou aos demais comandantes da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, que o informem se existem ou não manuais semelhantes em suas jurisdições. As chances de haver documentos do mesmo naipe são grandes, pois se trata de doutrina conjunta das Forças Armadas. E os comandos da Aeronáutica e da Marinha estão entre os destinatários na lista de distribuição do manual do Exército.

A resistência dos militares brasileiros em se adequar às regras do poder civil é, inclusive, a razão de a presidenta Dilma Rousseff ter ordenado a Amorim apressar a criação, em Brasília, do Instituto Pandiá Calógeras, ideia nascida e adormecida durante a gestão de Jobim. Será uma homenagem ao primeiro civil a exercer o cargo de ministro da Guerra na história republicana brasileira, no governo de Epitácio Pessoa, entre 1919 a 1922. A ideia é criar, na nova entidade, uma permanente doutrina civil sobre a questão da defesa nacional. A ESG restará a sede na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, e o direito de ministrar cursos de aperfeiçoamento de militares.

Para se ter uma ideia, no capítulo referente a “Segurança Ativa”, no item sobre “Contra-Espionagem”, o manual recomenda a criação de uma “rede de informantes” por meio do recrutamento de pessoas integrantes de organizações sociais, com vistas a detectar seus interesses e atividades. Consiste na “cooptação de agente hostil, utilizando-o como agente duplo”. Em seguida, prevê a infiltração de agentes em movimentos que constituam “alvo provável de ações adversas”.

Como forma de organização, o manual classifica de “público interno” a ser atingido pelas normas todo o contingente do Exército, da ativa e da reserva, e os familiares dos militares da força terrestre – ou seja, inclui civis em um sistema oficial de inteligência militar, sem definir-lhes um papel. Um grupo formado por cerca de 200 mil cidadãos. Incrivelmente, o manual define por “público externo”, logo alvo do “Sistema Exército” os demais brasileiros e estrangeiros, ou seja, o restante da humanidade, bem como “instituições e/ou organizações a que pertençam, desde que não defendam mudanças radicais e revolucionárias”. Em resumo, em vez de estar a serviço da nação, o Exército a encara como um corpo estranho eventualmente a ser combatido. É o velho espírito das forças de ocupação.

Um dos trechos mais hilários, relativo ao capítulo intitulado “Segurança Orgânica”, dá a dimensão da paranoia na caserna: “A principal ameaça que pode afetar o pessoal é a espionagem, utilizando integrantes do Sistema EB (Exército Brasileiro)como agente infiltrado ou explorando-o, de forma inconsciente, em proveito de outrem”. E a tese dó”inocente útil”, parte do conceito de guerra revolucionária presente nos manuais militares brasileiros desde o golpe de 1964.

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O ministro Celso Amorim quer saber se a Marinha e a Aeronáutica produziram manuais semelhantes

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O documento ainda recomenda, como parte das ações voltadas ao público interno,”relacionar suspeitos e listar pessoas e/ ou organizações a quem uma ação hostil possa beneficiar ou interessar mais diretamente”. Esse item revela a existência de listas elaboradas por agentes de inteligência com base em arapongagem, se necessário, da vida privada de militares e seus parentes. Em outro ponto, elenca quais seriam as principais ações dessas “forças ou elementos adversos”:”invasão e ocupação de áreas públicas e/ou privadas, bloqueio de vias de circulação e promoção de greves em serviços essenciais”. O MST é, certamente, um inimigo, pela leitura possível desse item. Mas também poderiam ser enquadrados, por exemplo, os funcionários dos correios, que interromperam uma greve de quase um mês na quinta-feira 13.

O texto atém-se em certo momento à ameaça do terrorismo, considerada das mais relevantes, “pois pode afetar uma autoridade, vítima de ação seletiva”. Sobre o tema, aliás, o manual produz algumas platitudes. Entre elas, a definição de que entre os objetivos do terrorismo está o de “divulgar uma causa e mostrar a disposição de lutar por ela”, no qual se enquadram, obviamente, os movimentos sociais. Outro objetivo, segundo o manual, é o de “adquirir direitos políticos para minorias sociais, étnicas e/ou religiosas”.

Naturalmente incluídos nessa definição, os movimentos de luta por cidadania, direitos civis e liberdade religiosa acabaram enquadrados como terroristas. Ainda nesse item, o manual prevê que o “Sistema Exército” sempre tenha controle sobre as evidências relativas a atividades terroristas e exerça, se necessário, controle sobre os meios de comunicação, já que a “decisão de difundir deve estar centralizada no mais alto nível da força”.

A certa altura do capítulo intitulado “Estudo de Situação de Contra-Inteligência”, no item “Expressão Política”, o manual é explícito em orientar os agentes que identifiquem “a filosofia, os objetivos e o grau de apoio dos partidos políticos ao governo e sua ligação com a OM (Organização Militar, no caso, localizada na região de interesse)”. Também determina o levantamento de informações sobre “ONGs que fazem campanha contra a organização”. Mais adiante, preconiza aos agentes verificar “atitudes da população em relação à política local: examinar o grau de envolvimento da população nos assuntos políticos e sua atitude em relação às organizações políticas e seus líderes, concluindo sobre os aspectos desfavoráveis para a OM”.

O manual recomenda outras medidas de bisbilhotagem em relação às comunidades onde estão localizadas unidades militares. Segundo o documento, caberá aos arapongas “identificar os principais líderes políticos, comunitários e de associações, levantando seus hábitos, gostos, atitudes, suscetibilidades, traços de personalidade e outras peculiaridades”. Trata-se de uma instrução para localizar entre a população civil supostos opositores do Exército nos locais dos quartéis.

No capítulo sobre contraespionagem, o manual determina o monitoramento “de militares estrangeiros, principalmente nas escolas .do EB e em outros locais que permitam controlar e acompanhar os militares estrangeiros em serviço no País, em sua movimentação pelo território nacional, com vistas a detectar atividades veladas”. Ou seja, espionagem pura e simples de militares de outros países, muitos dos quais lotados como adidos em embaixadas, além daqueles convidados pelo governo brasileiro para fazer cursos de aperfeiçoamento no Brasil.

Nas considerações gerais sobre “Contraterrorismo”, o manual reforça o lobby dos militares pela adoção de uma lei antiterrorismo nos moldes daquela que os Estados Unidos queriam impor ao mundo depois dos ataques de 11 de setembro de 200L Esse expediente, sob o patrocínio de Jobim, foi tentado duas vezes, sem sucesso, nos governos Lula e Dilma. Diz o manual: “A depender do vulto do impacto de uma ação terrorista, pode ser necessária uma legislação especial para habilitar a adoção de medidas antiterror e estabelecer a responsabilidade de autoridades”.

O manual dedica um item para a situação dos quartéis de fronteira. Assim, determina que os agentes descrevam as relações, oficiais ou não, existentes entre essas unidades militares “e outras nações”. Logo em seguida, no item “Expressão Econômica”, recomenda a elaboração de um quadro da estrutura econômica das regiões onde estão esses quartéis, inclusive “injustiças na distribuição de renda e no controle do poder econômico”. Além de listar atividades econômicas, nível de emprego e relações de trabalho. Mas com um detalhe: “Identificar o modus faciendi , a eficácia e o peso político das organizações dos trabalhadores”.

No item referente a “Medidas de Contra-Inteligência Interna”, as instruções se concentram na bisbilhotagem dentro da caserna. Orienta “produzir conhecimento” sobre “militares envolvidos em manifestações contrárias aos interesses da instituição”. Entre os objetivos dessa política está o de “produzir conhecimento sobre elementos do público interno com capacidade de serem cooptados”. Essa norma tem servido para enquadrar oficiais que, por razões políticas, caíram em desgraça dentro do Exército e, em muitos casos, correm risco de expulsão.

Caso do capitão Luís Fernando Ribeiro de Sousa, lotado no Arsenal de Guerra de General Câmara, no interior do Rio Grande do Sul. Em 2004, quando servia no Rio de Janeiro, Sousa decidiu se candidatar a vereador pelo antigo Partido dos Aposentados da Nação (PAN). Derrotado nas urnas, sofreu uma repreensão na ficha disciplinar por ter se ausentado do quartel para fazer o registro partidário.

Em 2005, o capitão aproximou-se da Coordenação de Movimentos Sociais, entidade que congrega diversas organizações populares, como a Central Unica dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), além de sindicatos e pastorais católicas. No fim daquele ano, decidiu usar o período de férias para participar, em Caracas, do Fórum Social Mundial. Queria conhecer um de seus ídolos, o presidente venezuelano Hugo Chávez, mas foi proibido de deixar o País pelo Comando Militar do Leste, sem qualquer justificativa oficial. Em seguida, sofreu uma punição por relatar o fato em uma entrevista a Carta Capital. Em dezembro do mesmo ano, foi atropelado por um carro, jamais identificado, no centro do Porto Alegre

Por causa do acidente, que resultou em diversas fraturas nas pernas e nos braços, Sousa está afastado do serviço ativo desde 2009, embora continue a residir, em General Câmara, em uma casa do Exército. Espera, pacientemente, ser reformado por invalidez, mas o Comando Militar do Sul decidiu abrir um processo para expulsá-lo da força. A razão pode estar na campanha eleitoral de 2010, quando o capitão, de 35 anos, candidatou-se a deputado federal pelo PT gaúcho (perdeu novamente). O Exército o acusa de atentar contra o “pundonor” (honra) do Exército, termo recorrente no manual. O caso espera julgamento no Superior Tribunal Militar.

Ao tratar do item “contrapropaganda”, o manual o define como um expediente para “neutralizar propaganda adversa que possa causar prejuízo aos interesses do Exército Brasileiro”. Entre as ações previstas estão:localizar a fonte e o veículo da propaganda; desmontar a propaganda do adversário; atacar e desacreditar o adversário; procurar, no passado, atitudes e posições da organização que conduz a propaganda, para buscar contradições; quando se tratar de pessoa, desacreditá-la, colocá-la em posição de inferioridade; e ridicularizar a propaganda adversária.

A estratégia inclui textos jornalísticos, conforme se pode deduzir do trecho do manual em que se explica que essa técnica “consiste em responder item por item à propaganda do adversário”, atuar de forma “diversionista” para desviar a atenção do público para outros temas e fazê-lo cair no esquecimento ou, simplesmente,usar a técnica do “silêncio”, para situações em que dar satisfação “não se presta a uma resposta favorável”, de modo ao assunto se “diluir naturalmente nos veículos de comunicação”.

Na resposta aos pedidos de explicação de Carta Capital, o Centro de Comunicação do Exército (Ccomsex) parece ter optado por uma mistura de todas as recomendações do manual. Em uma explicação lacônica, esclareceu que o manual “é um documento sigiloso que orienta a execução das medidas necessárias à proteção de dados, informações, documentos, instalações e materiais sigilosos”. Lê-se em seguida uma ameaça: “Por oportuno, vale ressaltar que todo aquele que tiver conhecimento de assuntos sigilosos fica sujeito às sanções administrativas, civis e penais decorrentes da eventual divulgação dos mesmos” -

Leandro Fortes

Barbosa, o padrinho

Justiça| O ministro do Supremo liberou o recolhimento de sêmen que permitiu ao “mafioso” Yoram El Al ter filhos brasileiros

Marcelo Aurer

Preso na Operação Black Ops, da Polícia Federal, na sexta-feira 7, sob a acusação de contrabandear carros usados que entraram no Brasil como se fossem novos e comercializar joias de origem ilegal, o israelense Yoram El Al, de 38 anos, não tem do que reclamar do Judiciário brasileiro. Beneficia do por duas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2007, háum mês ele e a mulher Hila Salem, de 34 anos, receberam o visto permanente do Ministério da Justiça por causa dos filhos que geraram aqui. Já não podem mais ser deportados. Sequer expulsos.

El Al é procurado pela Interpol graças a um mandado de prisão emitido nos Estados Unidos, onde, além de sua possível relação com a máfia israelense AbergilFamily, é acusado de extorsão a um comerciante de Los Angeles. Do FBI partiram informações que o envolvem com tráfico de ecstasy, crime de agiotagem, prostituição e jogo ilegal, como informam fontes da Justiça Federal no Rio de Janeiro.

No Brasil, ele chegou em 2006, após fugir da prisão no Uruguai, com o auxílio do irmão, Nissin El Al. Nissim subornou e ameaçou um policial uruguaio. Contou ainda com o apoio de três falsos policiais que se passaram por agentes da Divisão de Inteligência, apresentaram uma também falsa autorização de translado e levaram o preso, no banco traseiro de um carro, para prestar depoimento.

Sua prisão ocorreu no bairro de Ipanema, em dezembro de 2006, por agentes da Polícia Federal de Curitiba, com um mandado assinado por um juiz estadual paranaense, em inquérito aberto a partir de denúncias anônimas e que pouco depois foi arquivado, como afirma o advogado Vitor Marcelo Aranha Afonso Rodrigues. Mas, se o processo do Paraná não prosperou, dois dias depois de preso o israelense foi alvo de um mandado expedido pelo STF no processo de extradição 1.076, aberto a pedido do governo norte-americano. Com autorização do ministro-relator do caso, Joaquim Barbosa, o preso foi transferido de Curitiba para o Rio de Janeiro.

A situação dele e da mulher era irregular. Yoram não tinha visto e Hila Salem transitava com a autorizacão de turista vencida. Levada certa vez à Superintendência da Polícia Federal do Rio, fugiu, segundo alguns policiais, em desabalada carreira pelo corredor. Salvou-os uma decisão de Barbosa. Em março de 2007, o israelense fez um pedido sui generis ao Supremo: queria autorização para recolherem seu sêmen na cadeia. O objetivo era usá-lo em uma inseminação artificial na mulher. Segundo seu advogado criminal, Ricardo Sidi, o tratamento, levado a termo no consultório de um especialista em reprodução humana, Luiz Fernando Dale, apenas corrigiria a injustiça da qual Hila foi vítima no Uruguai, quando, pela ação violenta da polícia, teria perdido uma gestação e ficado impossibilitada de engravidar.

A procuradoria da República não viu nada de anormal no pedido, apenas alertou que “a data crucial para a inseminação já havia ultrapassado”. O preso insistiu e o ministro Barbosa, em março de 2007, autorizou,”salientando que a coleta do líquido seminal do extraditando deve ser feita na própria carceragem, que, de acordo com o próprio peticionário, possui ambiente favorável à coleta, e observadas as devidas cautelas policiais”.

O sômen de Yoram e o tratamento de Dale deram a Hila felicidade dobrada. Ele engravidou de gêmeos e, com isso, pôde recorrer à Justiça contra a ação da Polícia Federal, que continuava a importuná-la por conta do visto. Deram-lhe um ultimato para deixar o País em oito dias.

Foi quando a israelense recorreu ao advogado Rodrigues, do mesmo escritório que, no passado, defendeu o inglês Ronald Biggs, um dos assaltantes do trem postal inglês que viveu por décadas no Brasil por ter tido um filho com uma brasileira. A 38 Vara Federal Criminal do Rio negou o pedido, mas o Tribunal Regional Federal da 2″ Região (Rio e Espírito Santo) acolheu a tese de “questão humanitária”, fortalecida com um laudo médico a atestar a gravidez de risco que impossibilitava a longa viagem de retorno a Israel. Em janeiro de 2008, saiu a liminar, um mês depois confirmada em definitivo.

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Preso por comandar um esquema de contrabando no Brasil e procurado nos EUA, o israelense não pode mais ser extraditado

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Aquela altura, Yoram estava solto. Beneficiou-se de outras decisões do STF, que, por unanimidade, rejeitou os dois pedidos de extradição do israelense: o segundo veio do Uruguai.

Os EUA, embora tratem Yoram como criminoso de peculiaridade, ligado à máfia, relacionaram no pedido apenas os crimes de “conspiração” e “cobrança de crédito por meios extorsionários”. São tipos penais que não constam do rol de crimes previstos no tratado de extradição entre os dois países. Por isso, o Supremo cobrou reciprocidade. Isto é, o governo americano deveria passar a atender pedidos semelhantes do Brasil. Sem acordo entre as nações, o pedido foi negado.

A extradição também foi recusada ao Uruguai, uma vez que a fuga da qual Yoram participou não é crime nem lá nem aqui. Sequer lhe foi creditada a corrupção ou ameaças feitas aos policiais. Seu irmão é quem acabou responsabilizado. Por fim, os ministros do STF entenderam que não se justificava extraditá-lo para um país no qual o único motivo da prisão era o pedido de extradição dos EUA. Seria o que classificam de “extradição indireta”.

Com essas decisões, o israelense, livre e solto, bateu à porta do Ministério da Justiça em busca do visto de permanência, concedido no mês passado. Nesses quatro anos, oficialmente ele não teve nenhuma atividade econômica. Segundo Rodrigues, nem poderia, pois, sem visto, estava proibido de abrir um negócio. Mas não deixou de viver bem em uma ampla casa na Barra da Tijuca. Segundo o advogado, Yoram é sustentado pelo pai, que vive em Israel.

Para a PF e o Ministério Público, a história é outra. Com bons contatos no exterior, ele facilita a “importação” dos carros usados como se fossem novos para vendê-los na loja de Haylton Escafura, filho do bicheiro José Caruzo Escafura, o Piruinha. Beneficiou muita gente, inclusive jogadores e cantores, com carros por preços inferiores àqueles das revendas autorizadas. Yoran, segundo as denúncias, negociaria ainda com pedras preciosas com falsos certificados de origem, ou seja, suspeitas de ser contrabandeadas.

Marcelo Aurer

20 Comments on “Carta Capital dessa semana fala do manual de contra-inteligência do Exército

  1. Rodrigo
    15/10/2011

    Não acredito que em um País democrático de direito, o autor de tal matéria, que sequer assinou, acredite que o Exército ou qualquer outra Força Armada possua o citado manual para aplicar contra sua população de bem.
    Saibam senhores “inocentes” jornalistas que a luz do Direito o conceito de Estado, se define pela constituição de três elementos a saber : Soberania, Território e Povo.
    Nosso Brasil é um dos países de maior extensão territorial no mundo; nosso povo, originário da colonização portuguesa tras consigo características ímpares de informalidade, assim como cita SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA em sua obra “O HOMEM CORDIAL” , as quais permeiam os todos nós Brasileiros e nos tornam permissivos em, escala micro, ao ponto de achar normal jogar papel no chão porque alguém (Gari) vai limpar; e, em escala macro, perder a sensibilidade de ver a floresta Amazônica ser devastada por organismos de várias origens e achar tudo isso normal porque ainda temos muitas árvores.
    Por fim, a SOBERANIA, elemento constitutivo do Estado (BRASIL) que é defendida desde a passagem de Guararapes, lembram? e permanece até hoje intacta, por meio de organismos que vem evoluindo com o tempo, tais como: as Forças Armadas, o Povo Brasileiro, a atual Democracia, a Mídia em geral, membros formadores da opinião de nossa sociedade e etc.
    Ora Carta Capital, me refiro a revista porque não vi quem assina a matéria, ou talvezporque não tive a mínima paciência de procurar por motivo de náuseas ao ler o que foi escrito. Porque vocês também não evoluem para somar e continuar propiciando nossa soberania? Andem para frente! Ou vocês acham que que as maiores potências bélicas do mundo não possuem manual com esse conteúdo? Ou vocês também acham que entre nosso povo de bem não existem pessoas que querem prejudicar a imagem nacional de nosso BRASIL?
    Esse manual do Exército que citam, nada mais é do que um protetor dos poderes constituídos de nosso Estado e protege inclusive seu direito de liberdade de expressão e de imprensa, mesmo que seja para falar asneiras e promover a anarquia nacional.
    Carta Capital, o Povo Brasileiro não é burro, e com a globalização já não são mais influenciados por notícias estapafúrdias como essas que veiculam. O Povo Brasileiro não aguenta mais escândalos e notícias ruins. Porque não veiculam a participação da FORÇA AÉREA BRAISLEIRA no resgate de reféns das FARC ou na ajuda a povos isolados de nossa Amazônia, com gêneros alimentícios e assistência médica e odontológica? Porque não veiculam a participação da Marinha do Brasil no patrulhamento e manutenção de nossa “Amazônia Azul”? Porque não veiculam a participação do Exército Brasileiro no processo de pacificação do Complexo do Alemão no RJ ou no auxílio aos desabrigados das chuvas da Região dos Lagos ou da reconstrução do Haiti, após o terremoto?
    Chega de falácias! o Povo brasileiro quer PAZ, Democracia, um pais forte e Soberano, e para isso, não necessita de uma imprensa cinza, que estampa em sua capa de revista uma tarja negra, procurando utilizar técnicas de persuasão, a fim de impactar e causar polêmica. O Povo não se engana mais. Desistam!
    Aí vai meu pequeno comentário a cerca da matéria Ridícula da revista CARTA CAPITAL, e como vivemos em um País democrático, me dou o direito de me identificar.

    Assinado: Um cidadão comum dentro de seus direitos e deveres do Estado. Viva a Liberdade!

    • Parabens aos seus comentários!!!

      Delcio Pereira

      • Rodrigo
        19/10/2011

        Obrigado!
        O Brasil precisa de solução e não mais problemas.
        Abc
        Rodrigo

    • Alguém
      20/10/2011

      “SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA em sua obra “O HOMEM CORDIAL””

      Sérgio Buarque de Holanda NUNCA escreveu “O homem cordial”. Sua obra mais famosa é “Raízes do Brasil”. Além de pedante e fascistóide, ainda por cima é burro e ignorante.

      • nathanymiguel
        25/10/2011

        esclarecendo… O Homem Cordial é um CAPÍTULO de “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Hollanda… portanto, errou quem tratou ‘Homem Cordial’ como uma obra, e errou quem disse que Sérgio Buarque NUNCA escreveu o homem cordial, se este ESCREVEU um capítulo com este título (cap.5), do modo como falou deu a entender que isso nunca saiu da boca do autor.
        Ah, a ignorância… Tsc. Tsc.

      • nathanymiguel
        25/10/2011

        o primeiro a usar a expressão Homem Cordial foi Ribeiro Couto, mas foi Buarque que desenvolveu a teoria..

    • Alexandre
      24/10/2011

      É dificil…
      Eles falam mal de quem sempre ajuda..
      Quando a Policia faz greve, quem substitui ? Os senadores…
      Quem teve 90%(na minha opniao) de credito na ocupação do morro do alemão ? Os deputados federais..
      Quem ajudou os haitianos ?? os vereadores e deputados estaduais…

      Enquanto isso o Exercito faz falcatruas em brasilia…

  2. Brasileiro
    16/10/2011

    Parabém ao Exército Brasileiro que tem um manual de contra-inteligência para nos proteger. Isso é mais uma notícia sensacionalista desta revista!

  3. Delcio Alves Castro pereira
    19/10/2011

    Srs de Carta Capital, Estive no Haiti para assistir as ações Humanitárias da ONU e pude ainda acompanhar nosso exército trabalhando durto em assitência, mas fazendo também um trabalho forte de inteligência, que é claro esta baseada num Manual de trabalho e uma doutrina, e vejam, lá no Haiti isto é notório, de volta ao Brasil, pude ter contato em instruções Civis de Crises e Desastres com a mais alta capacidade e profissionalismo do nosso Exército, lá estavam homems competentes, que lutam por suas familias, que são civis, que possuem familias cívis, e que é claro usam de inteligencia e contra inteligencia para trabalhar o mínimo de proteção para nosso povo e nossa nação, como posso acreditar que uma revista séria, com um editor sério, possa ter públicado tamanha barbaridade de falta de capacidade de raciocionio, de entendimento, de uma matéria barata, mal escrita, duvidosa, dúbia e de formação de opinião de terceiros e uma influencia de algum pobre influênciado que se acha ainda sendo preseguido por ditadores da década de 60 e 70??, raciocínio pífio sem qualquer base de entendimento?? desculpe, a revista tinha a mais séria atuação e com esta matéria, entre no roll dos jornais sensacionalistas e baratos, pobre jornalista, que infortûnio, parabens ao Brasil que tem um manual de inteligência e contra inteligência, que possa usa-lo para proteger nossa gente e nosso páis, pois ele foi pensado por pessoas competentes para tal, parabéns ao nosso expercito e seus especialistas, que possa com sua área de relações públicas, agir de forma discreta para que assuntos desta natureza, de natureza sigilosa sejam levados de forma a manter a dignidade da nossa insituição de defesa do Brasil,e que possam ser punidos, conforme a lei, os maus militares, principalmente que auxiliaram a manchar o nome do nosso país na mídia.
    A carta capital, meus pésames por tal ridicula máteria

    Delcio Alves Castro Pereira
    Consultor em Risco, Crises e Desastres

    • Alexandre
      24/10/2011

      Parabens a Você, que acompanhou de perto o grande trabalho do nosso EB, em que ano vc foi ? Tenho amigos (Militares) que esteviram lá em 2007/2008.

      Eles – C.C- não vão lá ser “correspondente de guerra”. Pergunto se quando o Brasil fez sua 1ª Incursão no Haiti – quando o pau torou- vocês estavam lá ?
      Quando os SDs retornaram e fizeram acompanhamento médico psicológico vocês auxiliaram em alguma coisa ? Os treinamentos nos preparam fisicamente para a guerra, o psicológico só quem esteve lá, sabe e sente.
      Vocês foram lá entrevistar a família deles ? Vocês perguntaram a eles como foi estar lá ?
      Vocês acham que aqui no Brasil existe miséria ? Visitem o Haiti, onde os habitantes tomam água de esgoto pra matar a sede, comem barro pra matar a fome…
      A ditadura à mão de ferro já acabou a muito tempo.. Hoje, somos nós que fazemos a ditadura, elegendo esses marginais de ternos – políticos – que se beneficiam com os nossos dinheiro.

  4. Pedro Leonardo
    20/10/2011

    À edição da Carta Capital:

    As Forças Armadas do Brasil, sobretudo o Exército Brasileiro, estão entre as instituições de maior credibilidade entre a sociedade quer vocês queiram, quer não. Vocês podem babar, espumar e se morder de raiva quanto à isso, mas o POVO – do qual vocês enchem a boca para falar, mas com o qual nunca realmente se identificaram – sabe a quem recorrer quando a necessidade chega. E sabem por que?

    Porque, no meio do desastre na Região Serrana, não foi a edição da Carta Capital quem foi resgatar gente que estava soterrada por toneladas de lama.

    Porque, na ocupação do Morro do Alemão, não foi a edição da Veja que foi lá tomar tiro pra tentar quebrar o controle do tráfico na região.

    Porque, quando transbordam os rios na Amazônia, não são os deputados do PT, PSTU, PSOL, DEM, PSDB, PMDB que se lançam nas águas na cara e na coragem pra resgatar gente que está se afogando em meio à enxurrada.

    Porque, quando as FARC sequestram brasileiros, não é nenhum dos acima citados que se arriscam na selva para salvar reféns dos terroristas.

    O povo sabe quem o protege, ainda que nos grandes centros urbanos vocês, assim como a maioria esmagadora da mídia, façam sempre o possível para acobertar todas as ações em prol da sociedade que as Forças Armadas sempre executam, AINDA QUE SOB DÉCADAS DE SUCATEAMENTO, DEBAIXO DE CALÚNIAS E ALVEJADOS PELO SENSACIONALISMO E REVANCHISMO SEM O MENOR DIREITO DE RESPOSTA!

    Faço o mesmo convite do Rodrigo: que tal trabalhar em prol da soberania de nossa pátria, defendendo nosso povo assim como fazem as Forças Armadas? Que tal parar de trabalhar para ideologias estrangeiras que nunca se identificaram com a realidade de nosso país nem sequer combateram as raízes de seus problemas, e passar a trabalhar a favor de uma ideologia nova que considere que o Brasil e o povo brasileiro estão acima de tudo?

    Lembrem-se: o inimigo interno é, muitas vezes, quem abre a porta pro inimigo externo!

    • Alexandre
      24/10/2011

      Concordo…Palmas pra ti… É militar ??
      **No morro do alemão – falam tanto do BOPE (Respeito e muito), mas não deram conta do recado, a PM ? Nem apareceu na foto.. E os politicos ??
      Aproveitando as viagens, curtindo um cineminha, curtindo a familia…
      Enquanto os SDs do EB faziam incursão noturna…

  5. oioi
    20/10/2011

    Delcio, vá se f*der… o exército é uma porcaria, se a polícia vai mal, o exército vai pior… nem defender nossas fronteiras de contrabando e traficantes conseguem… e transportam cocaina no avião da FAB…

    • Alguém
      20/10/2011

      Pois é, esse documento analisado pela Carta Capital (em uma grande lição de jornalismo investigativo) demonstra que nossas forças armadas continuam atuando como exército de ocupação. Para nossos milicos de pijama, o inimigo não são as forças armadas estrangeiras, principalmente as de Estados imperialistas, as maiores ameaças, somos nós, os 99% do povo brasileiro, especialmente aqueles mais comprometidos com a soberania nacional e popular, com a constituição e com os direitos humanos. Não digo que todos os militares são assim, espero que existam exceções, mas esse manualzinho ridículo prova o ódio que os milicos de pijama alimentam contra o povo brasileiro, e ecoa os sinistros manuais de tortura, genocídio e terrorismo de Estado produzidos pela CIA e pela Operação Condor.

    • Alexandre
      24/10/2011

      transportam cocaína no avião da FAB..vc está sabendo demais. me conta essa historia direito..
      Pra defender a fronteira é necessário um numero maior de contingente. Se o EB não tem uma infraestrutura digna de um Exercito, a culpa é do governo.
      O EB faz das tripas coração. Usam fuzis antigos, na incorporação de 2005, no 12 BI aqui em BH, todos foram dispensados e era meio expediente por que não tinha recurso. Vc ja foi militar ? Seja um e depois critique….
      *** Em relação a segurança, qualquer um é suspeito.
      Como o EB vai “se” defender de uma ameaça EXTERIOR se houver espiões no INTERIOR ??

    • Marlucio Azevedo
      20/11/2011

      Ótimo com concordo com vc!!!
      A infiltração está enorme nos meios políticos…certos militares ‘vestidos com pele de cordeiro’…tem algo muito extranho acontecendo na surdina!

  6. Pedro Leonardo
    21/10/2011

    Melhor resposta dada para essa matéria até o momento:
    http://amanturma78.blogspot.com/2011/10/resposta-revista-carta-capital.html

  7. nathanymiguel
    25/10/2011

    Nessas horas que eu penso que devemos agradecer por ser menos ignorantes que tantos brasileiros que não conhecem nenhuma das versões.. nem da Carta nem do Exército. Essa parte foi muito boa: “promoção de greves em setores essenciais: o senhor mesmo cita a recente greve dos correios. O senhor como um cidadão brasileiro, não julga que, num exercício de pensamento, caso a greve dos correios persistisse, não faltaria um gaiato para pedir que o Exército Brasileiro, por sua capilaridade em todo o território nacional, assumisse a entrega da gigantesca demanda acumulada? É possível, pois veja: já somos chamados a distribuir água no Nordeste, patrulhar o Morro do Alemão, a ser guardas de parque na Marambaia, a vacinar cachorros, combater focos do mosquito da dengue, a combater incêndios em Roraima…por que não entregar cartas?”

  8. marluciosoraggi
    27/10/2011

    Parabéns a Carta Capital!

    Temos que saber sim, o que está acontecendo, na surdina, em nosso Brasil!

    Corrupção e ladroagem ‘escancaradas’ dos maus políticos e traidores, estão infiltrados dentro do Governo, bem como temos lá, também, grandes políticos de boa fé e que lutam por nós o povo brasileiro, já tão sofrido

    Contamos e acreditamos no governo da nossa presidente Dilma!

    Lembremos do Golpe de 1964!!!

    Carta Capital, continue firme!

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This entry was posted on 15/10/2011 by in Capas, Impresso.

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Laura Gris, Gerente de Operações da Fábrica de Idéias, lê notícia o dia inteiro e traz uma pitada do que se pode encontrar em monitoramento de mídia por lá.
Ah... também é mãe, esposa, dona de um cachorro, um gato, bebe café como água, tenta fazer exercícios três vezes por semana e não gosta de tomate!

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