“Velharia” domina venda on-line de música

Jeff Leeds
do “New York Times”

Mais de 20 anos após a banda Survivor fazer sucesso com a canção “Eye of the Tiger”, ela está de volta às paradas, registrando vendas consideráveis em forma de single para download on-line. Desde que a canção foi colocada à disposição em serviços como o iTunes (programa de computador que conta com uma loja de música), cerca de um ano e meio atrás, foram vendidas em torno de de 275 mil cópias.

E não se trata da única a desfrutar dessa posição. Embora os sucessos atuais do rádio também estejam nas paradas da música digital, clássicos como “Sweet Home Alabama”, do Lynyrd Skynyrd, “We Will Rock You”, do Queen, e “Hotel California”, do Eagles, continuam presentes na lista das 200 canções mais vendidas na internet, um sinal de sua persistência mesmo em meio à cultura acelerada da música pop moderna.

Coleção completa – A popularidade desses títulos indica que os fãs estão recorrendo aos serviços de download de música para reforçar suas coleções de velhos clássicos -para não mencionar eventuais incursões pela música alternativa dos anos 90 (“Wonderwall”, do Oasis, vendeu mais de 251 mil cópias, até agora), ou aos sucessos das casas de strip-tease na década de 80, como “Pour Some Sugar on Me”, do Def Leppard, cujas vendas já superam a marca das 216 mil cópias.

A popularidade de canções como essas levanta uma questão problemática para a indústria fonográfica, que depende em larga medida dos lucros gerados por coletâneas de sucessos clássicos, cujas vendas ainda se mantêm firmes e do reaproveitamento de material antigo. A questão é: e se os fãs que comprariam um álbum inteiro com “o melhor de” uma banda conhecida decidirem agora pagar substancialmente menos e comprar apenas aquela canção que se tornou um grande sucesso?

Relançamentos – À medida que os formatos de gravação evoluíam, o setor começou a registrar lucros com a comercialização de material anteriormente lançado quando os ouvintes decidiram substituir suas coleções de discos em vinil por discos compactos dos mesmos álbuns. Já que os clássicos mais antigos têm reprodução e comercialização comparativamente barata, eles oferecem às gravadoras margens de lucros mais elevadas do que os lançamentos. Mas a migração da música dos discos de plástico para os serviços on-line perturbou o ciclo de substituição da indústria fonográfica, e as gravadoras só agora começam a perceber os efeitos desse problema.

De acordo com as interpretações mais otimistas dessa mudança, a gama de canções disponíveis on-line e a facilidade de adquiri-las convencerão número cada vez maior de consumidores a comprar música.

Com “capacidade de estoque” ilimitada, as gravadoras poderão comercializar tudo de que dispõem em seus arquivos, incorrendo em custos muito baixos, o que propiciaria novo fôlego a material obscuro ou fora de catálogo e geraria novos lucros.

Mas os críticos alertam que o setor talvez tenha de se acomodar a uma longa espera e a dificuldades financeiras consideráveis causadas pela queda da venda de CDs, antes que se torne possível realizar esse sonho. As vendas de álbuns caíram e, embora as vendas de singles digitais estejam florescendo, elas ainda não bastam para compensar a queda.

As gravadoras venderam mais de 350 milhões de singles em 2005, alta de 150% em relação ao total de 2004. As vendas de álbuns completos em formato digital cresceram ainda mais, para 16,2 milhões de unidades, ou 190%.

As vendas dos títulos mais antigos respondem por parcela considerável dos negócios que as gravadoras começam a desenvolver na internet. Os executivos das grandes empresas do setor afirmam que material de catálogo responde por entre metade e dois terços dos singles digitais vendidos. A questão é determinar se o boom de canções antigas on-line constitui um novo mercado ou será compensado por queda nas vendas de CDs desse tipo.

Álbuns desmontados – A maior parte dos executivos de gravadoras acredita que a resposta ficará entre os dois extremos e diz que é cedo para avaliar o efeito dessa transição sobre seus resultados financeiros. O que já se tornou claro é que o “desmonte” de álbuns, permitindo que cada canção seja vendida individualmente, dá aos fãs a capacidade de determinar que sucessos farão parte de seus “maiores sucessos” e torna possível resumir o repertório do mais representativo dos artistas em poucas canções.

A incerteza quanto às compras de faixas isoladas é um dos motivos para que alguns artistas cujos álbuns clássicos desfrutam de vendas firmes tenham até agora vetado a venda on-line de seus repertórios ou tenham permitido apenas a venda de música em forma de álbuns completos.

(Tradução Paulo Migliacci)

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