Sempre cabe mais um

por Júlio Daio Borges, em Digestivo Cultural

E não deu outra: assim como há algumas semanas a Economist matou os jornais, nesta semana a Veja mata a televisão. A Veja, não: a internet, o YouTube. (A mesma internet que “matou” os jornais, segundo a Economist.) A diferença é que – por incrível que pareça – a matéria da Veja é melhor, em termos de morte matada.

A Veja usa, para embasar suas teses, um livro que acabou de sair (e que a Campus acabou de traduzir) – The Long Tail (ou, em português, A Cauda Longa) –, enquanto que a Economist usou um livro do ano passado. (Em termos de internet, um livro velho já.) A Veja diz que o brasileiro vai continuar assistindo à novela das oito (até porque a Veja vive de dar umas tantas capas por ano para as novelas da Globo…), mas, na mesma matéria, diz que os norte-americanos não assistem mais à TV como na época de I Love Lucy (o chute é por conta da Veja e os dados são por conta de The Long Tail).

Qual a conclusão? A conclusão é que, como os americanos, os brasileiros também vão deixar de assistir à novela das oito. Quando? Talvez quando os jornais acabarem – segundo o respectivo livro – só em 2043… Até lá, vamos ter de esperar. Enquanto isso, a Veja fica especulando se o YouTube vai agüentar gastar meio milhão de dólares em infra-estrutura por mês, a fim de manter apenas o site no ar. E a mesma Veja sugere que o YouTube pode afundar no mar de processos por direitos autorais, como afundou o Napster.

Dez anos atrás até poderia ser, quando as gravadoras ainda eram fortes e os artistas, dos grandes catálogos, vociferavam contra Shawn Fanning nos tribunais. Hoje, o cinema está mancando, Tom Cruise é um exemplo de como os artistas estão baixando a bola – e nenhum dos dois grupos tem fôlego para brigar com o YouTube (Yahoo! Video, Google Video, essas coisas). Já as TVs preferem ficar “de bem” com o iTunes, e com o Steve Jobs – pois vêm perdendo fôlego desde antes, nos EUA, com o TiVo.

A Veja, que cansou de ouvir que a internet iria acabar com o papel, agora está se vingando: “[O YouTube] é a revolução que marca o fim da TV como se conhecia até hoje”.

E dá-lhe, Veja; e dá-lhe, YouTube.

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