O segredo das francesas

em Chic 

Quando penso numa mulher tipicamente francesa, a primeira imagem que vem à mente é a de uma figura magra, longilínea, sofisticada e usando uma echarpe de uma forma que eu nunca conseguirei. Por isso, quando tomei conhecimento do livro Mulheres Francesas Não Engordam , achei o título e a proposta até óbvios demais. Mas acontece que, a partir daí, não consegui parar de tentar adivinhar o porquê. E a proposta da autora do livro, Mireille Guiliano, francesa residente nos Estados Unidos, presidente e CEO da Clicquot Inc (sim, aquela da Veuve Clicquot) é exatamente essa.

Guiliano usa suas primeiras páginas para contar a história de como atravessou magérrima sua infância na França, até quase colocar tudo a perder em uma simples mudança de um ano para um intercâmbio nos Estados Unidos. E aí começa a graça do livro: mulheres francesas não engordam porque gostam de comer. E comem de tudo: pães, carnes (até de porco), queijos, vinhos, doces. Mas só um pouco (de tudo).Veja só a teoria: com a desculpa de não terem tempo, as americanas costumam comer sempre com pressa, normalmente fora de casa ou na frente da TV e fazendo outras coisas ao mesmo tempo. Repetem muito o cardápio, o que faz com que tudo fique muito sem graça. E aí o único prazer vira a quantidade. Para tentar suprir a falta de diversão com um gosto sempre igual, aumentam-se as quantias de muffins, hambúrgueres, massas, pães e bebidas. E, com eles, os quilos e os tamanhos de roupas.

Guiliano usa alguns princípios para mostrar que gostar da comida é, na verdade, o que faz manter o peso ideal. Primeiro, nada que se repita todos os dias vai gerar prazer. Então, mudar o menu diário é fundamental. Mas para isso é preciso experimentar coisas novas. E o livro discorre sobre várias delas, as preferidas da autora, tais como frutas, peixes, frutos do mar e, importantíssimo, as ervas e especiarias, apresentadas como coringas na arte de um prato e um sabor diferente por dia.

Mas, mais que tudo isso, é preciso começar a cozinhar a própria comida. Única maneira, segundo a autora, de ir descobrindo gostos, sabores, preferências e novidades. Para ser sincera, passei a gostar do livro a partir daqui. Outro dia, pedindo dicas para uma amiga chef de cozinha, ela perguntou se eu já conseguia planejar um cardápio para a semana toda. Uma ótima tática, segundo ela, para ter coisas diferentes e ainda controlar meu tempo em frente ao fogão.

Adotei o conselho e confesso que planejar os jantares virou uma diversão. Além disso, criei em casa, uma (boa) expectativa do que será na noite seguinte. Na verdade, a autora francesa não conta nenhuma novidade. “Procure os melhores ingredientes”, “use legumes e frutas da estação, que serão mais saborosos e naturais”, “compre frutas e legumes para serem consumidos em dois ou três dias, sem estocar na geladeira”, “faça sua própria comida para ter noção do que está por trás de cada prato”, “equilibre: nada de doce e pão na mesma refeição”, “se for tomar vinho, compense com outra coisa no dia seguinte”. E assim por diante.

Tais princípios estão em todos os melhores livros de culinária, escritos por aqueles “vilões” que nos fazem perder a cabeça diante de várias guloseimas numa mesa. A diferença aqui é que esta é uma proposta de dieta. Por isso, é interessante. Guiliano diz que não é à toa que os franceses comem, em cada refeição, diversos pratos, mas em quantidades bem pequenas. Além de sugerir uma alimentação mais equilibrada com verduras, frutas, queijos, carnes etc., também é a idéia de poder comer um pouquinho de tudo, sem passar vontades e ficando satisfeita. Adorei isso.

Fazendo a sua parte, Guiliano dá também no livro diversas receitas bem simples para mulheres ocupadas. Aliadas a 30 minutos de caminhada três vezes por semana e alguns copos de água por dia, segundo ela, podem fazer milagres. Não custa tentar… Afinal, se der errado, pense que você poderá comer um pouquinho de tudo. Só não recomendo a milagrosa desintoxicação de dois dias com sopa de alho-porró. Juro que tentei, mas não consegui aguentar nem por duas horas.

por Alê Blanco

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