Dor de cabeça das donas-de-casa

Marcia Cross livrou-se da enxaqueca, e você também pode.


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Uma enxaqueca dolorosa pode deixar qualquer um desesperado. Até uma das “donas-de-casa desesperadas”. “A minha primeira foi quando eu tinha 14 anos”, lembra Marcia Cross, que interpreta Bree Van De Kamp no seriado “Desperate Housewives” da ABC.

“Eu senti uma dor terrível. A enfermeira da escola me disse para ligar para minha mãe, e eu não consegui lembrar o telefone de casa, o que costumava me acontecer. Alguém me levou para casa e eu simplesmente me contorci de dor no quarto”, ela continua. “Não sabia o que estava acontecendo, mas foi horrível.”

A maioria das pessoas encontra maneiras de lidar com as dores de cabeça comuns, mas as que sofrem a dor mais intensa e debilitante classificada como enxaqueca muitas vezes não percebem que existe ajuda.

Em seu Boletim Decenal sobre a Situação da Enxaqueca, a Fundação Nacional da Dor de Cabeça (National Headache Foundation, NHF) estimou que 52% das pessoas cujas dores de cabeça se encaixam na classificação de enxaqueca nunca foram diagnosticadas e não estão recebendo o tratamento mais adequado para seus sintomas.

“Acho que muitas pessoas provavelmente acham que não precisam ser diagnosticadas. Elas podem dar um jeito com Tylenol ou outra medicação vendida sem receita e não acham que precisam necessariamente tomar remédios sob prescrição médica”, disse o doutor David Kudrow, da Clínica Médica da Dor de Cabeça da Califórnia em Encino. “Mas algumas têm enxaquecas mais freqüentes que podem começar a perturbar suas vidas. A chave é que as enxaquecas são tratáveis, e às vezes evitáveis”, diz Kudrow.

Cross conseguiu a ajuda de que precisava. Trinta anos depois daquela primeira enxaqueca, ela sabe exatamente o que acontece quando começa a experimentar os sintomas clássicos do problema, que incluem comichão nos dedos e um cone de luz em sua visão periférica – conhecido como aura.

Quando surgem esses sintomas, Cross diz que rapidamente toma seu remédio prescrito, se afasta para um lugar tranqüilo e espera que o incômodo passe.

Somente uma vez uma enxaqueca interferiu em seu trabalho, ela diz.
“A maioria das pessoas – e eu escuto muito isso – diz: ‘Ah, estou com enxaqueca’, e eu pergunto se elas tomam medicação”, diz Cross. “É muito fácil ignorá-la porque ela simplesmente desaparece, você esquece e pensa que não tem nada. Eu mesma não tenho certeza se tinha, até que foi diagnosticada.”

Quando não são tratadas adequadamente, as enxaquecas – que também apresentam sintomas como náusea, tontura e sensibilidade ao som e à luz – podem causar problemas extensos.

Em uma reunião em junho da Sociedade Americana de Dor de Cabeça, foi estimado que as faltas ao trabalho relacionadas à enxaqueca custam aos empregadores US$ 10 bilhões por ano. Crianças que sofrem dores de cabeça graves perdem quase oito dias de escola por ano.

Uma pesquisa recente da NHF também revelou que os pacientes de enxaqueca sofrem maior risco de condições adicionais de “co-morbidez”, incluindo fibromialgia, epilepsia, fadiga crônica, asma e depressão.
Além de afetar três vezes mais mulheres que homens, as enxaquecas não discriminam – atingindo mais de 28 milhões de americanos de todas as idades, etnias e classes sociais.

Bonnie Farwell tem experiência com enxaqueca há 20 anos, tanto como paciente quanto como enfermeira. Tendo trabalhado com o doutor David Brandes, do Centro Neurológico Northridge – que hoje é seu médico -, Farwell sabia a quem recorrer quando percebeu que seus sintomas precisavam de cuidados médicos.

Como administradora de sua unidade, Farwell diz que aprendeu a fazer pausas estratégicas e colocar bolsas de gelo na cabeça quando a dor chega, para continuar trabalhando. “Aprendi a enfrentá-la e continuar funcionando. Sou muito dura. Para ser franca, eu preferia ter uma dor na perna, no ombro ou de qualquer outro tipo do que uma dor de cabeça”, acrescenta Farwell, que hoje toma medicação diariamente e tem enxaqueca a cada duas semanas.

“Você não consegue enxergar, não consegue se concentrar. Quando se levanta, parece que sua cabeça vai explodir.”
Além de ingerir regularmente Topamax, Farwell – que também faz tratamento para dor nas costas – reduziu o consumo de cafeína e usa técnicas de relaxamento para ajudar a evitar a dor. Outros pacientes citam “biofeedback”, redução de estresse e eliminação de “alimentos-gatilhos” (como álcool, chocolate, nozes ou queijo maturado) como eficazes.

“É ótimo para sua dieta”, diz Cross, rindo. “Chocolate ou enxaqueca? Prefiro não comer chocolate. É uma opção fácil.”

Sari Honig, de Granada Hills, outra paciente de Brandes, também toma Topamax, que usa para tratar epilepsia. As medidas ligadas ao estilo de vida, e não médicas – incluindo meditação e exercícios -, também ajudaram, segundo ela.

“Quando meu nível de estresse diminuiu, minhas enxaquecas melhoraram muito”, disse Honig. “Eu tento tirar pelo menos cinco a dez minutos por dia para esvaziar minha mente e relaxar. Quando não faço isso, ou quando paro os exercícios, tenho muito mais dores de cabeça por causa da tensão.”

Quando entrevista novas pacientes, Brandes pergunta às que sofrem dor de cabeça se existe um histórico familiar de enxaqueca. Se a resposta inicial for negativa, ele pergunta se a paciente lembra de sua mãe indo deitar com “uma forte dor de cabeça”.

“Elas dizem: ‘Ah, sim, ela tinha essas dores de cabeça'”, diz Brandes. “Os médicos muitas vezes tratam as enxaquecas comuns como um problema de sinusite. É freqüente ser diagnosticada erradamente.”
Cross diz que controlou a condição há tanto tempo que não se lembra da última vez que teve um ataque de enxaqueca que não conseguiu cortar com remédios. A atriz, que teve sucesso com Imitrex (sumatriptan), está esperando gêmeos de seu novo marido, Tom Mahoney, e diz que não vai tomar remédios no futuro próximo.

No último ano e meio, Cross tenta despertar a consciência sobre esse problema de saúde e levar as pessoas que sofrem dores de cabeça constantes a consultar médicos. Em um anúncio de serviço público, ela orienta os espectadores para um teste de avaliação de dor de cabeça do laboratório GlaxoSmithKline (www.headachequiz.com ). As pessoas podem levar os resultados do teste para seu médico analisar.
“Quando você se encontra na posição invejável de poder ser uma porta-voz de algo, a primeira coisa que lhe perguntam é quais são os produtos, coisas médicas ou cosméticos de que você gosta”, diz Cross, que já foi indicada para o Emmy e duas vezes para o Globo de Ouro. “Sou bastante saudável, com exceção disso.”

por Evan Henerson, do Los Angeles Daily News (tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves)

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