Forma de sorrir ou chorar pode ser transmitida de pai para filho


Do G1, em São Paulo

Cientistas israelenses descobriram expressões idênticas entre cegos de nascença e seus familiares, que enxergavam

O olhar do pai. Elogios como esses podem ser mais verdadeiros do que se pensava. Cientistas descobriram que cegos de nascença têm expressões faciais idênticas às de seus familiares, apesar de nunca tê-los visto. Segundo os pesquisadores, isso pode indicar que, assim como os traços do rosto, as expressões também são hereditárias.

Expressões faciais são universais. É por isso que todas as pessoas, mesmo vivendo em comunidades isoladas, sorriem quando felizes e franzem o cenho quando contrariadas, por exemplo. Ainda assim, há particularidades, causadas por diversos fatores, como músculos e nervos faciais diferentes. Algumas pessoas arregalam a boca ao rir, enquanto outras jamais mostram os dentes. Algumas mordem o lábio quando estão nervosas, outras olham para o canto.

Dentro da mesma família, existem diversas expressões em comum. Isso não é exatamente novidade. Qualquer pessoa que observe seus próprios familiares vai perceber que certos sentimentos provocam exatamente as mesmas expressões em pais, mães, irmãos e irmãs.

Até agora, os cientistas acreditavam que isso era explicado pela convivência. Os filhos copiariam as expressões dos pais. Mas o estudo da Universidade de Haifa, em Israel, publicado na edição desta semana da revista “PNAS”, invalida essa teoria. Como explicar, dessa maneira, pessoas cegas que, frente a uma adversidade, torcem a boca ou arqueiam as sobrancelhas da mesma maneira que seus familiares — que nunca viram?

Os pesquisadores estudaram 21 cegos de nascença, sem nenhum outro tipo de deficiência física ou mental, e seus familiares, que enxergavam. Em entrevistas, cada um deles foi exposto a seis estados: tristeza, raiva, alegria, repugnância, surpresa e concentração. Os cientistas descobriram que as expressões eram bastante parecidas entre os parentes, especialmente aquelas envolvidas em sensações negativas — que exigem movimentos musculares mais detalhados.

Um dos resultados mais interessantes, segundo os pesquisadores, ocorreu com um dos cegos estudados. O homem só conheceu sua mãe biológica aos 18 anos de idade, e, desde então, havia mantido apenas contatos esporádicos com ela. Ainda assim, a semelhança das expressões entre ele e a mãe era grande.

O mesmo ocorreu entre três pares de irmãos cegos de nascença que apresentavam as mesmas expressões. De acordo com os cientistas, isso invalida a hipótese de os membros da família que enxergam copiarem, inconscientemente, as expressões dos parentes cegos.

Segundo os autores da pesquisa, tudo isso indica que as expressões faciais podem formar uma “assinatura” pessoal, transmitida hereditariamente pelos genes. Isso poderia, segundo eles, levar a um melhor entendimento da genética por trás da expressão humana. Além disso, poderia ajudar pacientes de doenças como o autismo e o mal de Parkinson, que não têm as mesmas expressões faciais que pessoas saudáveis.

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