Nascidas para se maquiar

Elas ainda não passaram da 1ª série.
Mas não vivem sem batom, salto alto, roupa de grife e cabeleireiro

na Veja

A carioca Bettina Maciel é fã de música estrangeira: aprecia as bandas Black Eyed Peas e Rolling Stones e sabe letras e coreografias de Britney Spears e Beyoncé. Usa vestido curtinho ou calça jeans (marca Diesel, de preferência) com sandália de salto, intercalados com conjunto de moleton e tênis All Star, este um visual inspirado no filme americano High School Musical, sobre adolescentes que querem se sair bem em um espetáculo musical da escola. Quando sai de casa, não deixa de pôr na bolsa brilho para os lábios, óculos escuros e escova de cabelo. Antes de dormir, Bettina toma mamadeira, compreensível para um adorável toquinho de gente que ainda não fez 4 anos – o aniversário é em dezembro e ela quer uma câmera digital ou um iPod. “A Bettina foi uma surpresa. Tenho um filho mais velho que eu sempre vesti do jeito que queria. Mas ela mostrou opinião própria muito cedo”, conforma-se a mãe, a empresária Daniela Maia, de quem, piscou o olho, a menina toma emprestados sapatos de salto e batom. Pois é: por mais que os pais fiquem de cabelo em pé com a precocidade acelerada (embora mamãe seja, na maioria das vezes, a fonte inspiradora, e papai babe de orgulho de sua bonequinha), as meninas estão exibindo traços de adolescente cada vez mais cedo, num movimento incontrolável estimulado pela televisão e cultivado pela interação nos grupos que freqüentam. Mesmo que estes ainda estejam na esfera do jardim-de-infância ou do prezinho.

Cuidados com o visual requerem, evidentemente, idas freqüentes ao salão de beleza, onde menininhas que antes acompanhavam a mamãe e, se bem comportadas, ganhavam uma leve camada de esmalte incolor agora têm hora marcada e conhecem as manicures pelo nome.

Quando precisa ir ao cabeleireiro com pressa, a bancária Cristine dos Santos, 41 anos, alega que vai ao supermercado. Senão, já sabe: tem de levar junto a filha Ana Luiza, 5, que costuma ir de quinze em quinze dias, mas acha pouco. Ocasionalmente, ela faz o pé, hidratação, chapinha no cabelo; mas fixo mesmo só a mão e “uma escova básica”. “Eu não sou de me maquiar muito. No dia-a-dia, uso só batom”, informa Ana Luiza, que no Natal passado pediu e ganhou um estojo completo de maquiagem. Anseia por mais. “Eu queria já ser adolescente para poder ver filmes de amor, fazer chapinha sempre e pintar meu cabelo de vermelho, como o da Roberta”, suspira.

Roberta, para quem não vive no planeta muito jovem, é uma das integrantes do RBD, grupo musical que faz parte do enredo da novela mexicana, Rebelde e acabou ganhando vida própria por causa do tremendo sucesso alcançado entre o público infantil – no início de outubro, atraiu 50 000 pessoas para um show no Rio de Janeiro e 41 000 para outro em São Paulo.

Nesse mundo de vaidades e interesses precoces, garotinhas que mal abandonaram a chupeta levam a mãe junto quando vão comprar roupas só porque não dirigem e não têm cartão de crédito. No mais, sabem tudo sobre marcas, modelos e cores. “Não gosto quando vejo alguém com a roupa ou o corte de cabelo igual ao meu. As meninas me copiam muito”, declara Nicole Ayer, 7 anos, que, de tanto rodopiar na frente do espelho de sua loja preferida, foi convidada a subir na passarela da marca. “Fiquei desfilando para a minha avó, para treinar”, diz Nicole, que no recreio da escola costuma se transmutar em Nicole Kidman (“Minha amiga é Gisele Bündchen, a outra é Ana Hickmann”) e vez por outra manifesta o desejo de fazer regime, porque “às vezes me acho uma baleia”. A mãe, Ana Júlia, não deixa, nem vê nenhuma necessidade. “Eu é que fico falando que estou acima do peso, e ela repete”, diz.

Insatisfação com a imagem nessa idade, se for uma queixa constante, evidentemente pode virar problema sério, alerta a psicóloga Isabel Kahn Marin, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mas em geral as brincadeiras de Nicole são perfeitamente naturais: Gisele no lugar de Cinderela é apenas uma manifestação contemporânea de um processo ancestral.

“A criança gosta de brincar com o que é poderoso. E as modelos são as princesas modernas”, explica. Nicole tem celular desde os 5 anos e maquiagem suficiente para lotar três bolsinhas, uma só de batons. “A imagem da menina com batom borrado da mãe é coisa do passado. Hoje elas sabem se maquiar e compram produtos novos a cada dois meses”, diz Isabella Borges, gerente de desenvolvimento de produtos da Contém 1g, uma das marcas que as mais novinhas aprovam.

Cuidados com o visual requerem, evidentemente, idas freqüentes ao salão de beleza, onde menininhas que antes acompanhavam a mamãe e, se bem comportadas, ganhavam uma leve camada de esmalte incolor agora têm hora marcada e conhecem as manicures pelo nome.

Quando precisa ir ao cabeleireiro com pressa, a bancária Cristine dos Santos, 41 anos, alega que vai ao supermercado. Senão, já sabe: tem de levar junto a filha Ana Luiza, 5, que costuma ir de quinze em quinze dias, mas acha pouco. Ocasionalmente, ela faz o pé, hidratação, chapinha no cabelo; mas fixo mesmo só a mão e “uma escova básica”. “Eu não sou de me maquiar muito. No dia-a-dia, uso só batom”, informa Ana Luiza, que no Natal passado pediu e ganhou um estojo completo de maquiagem. Anseia por mais. “Eu queria já ser adolescente para poder ver filmes de amor, fazer chapinha sempre e pintar meu cabelo de vermelho, como o da Roberta”, suspira. Roberta, para quem não vive no planeta muito jovem, é uma das integrantes do RBD, grupo musical que faz parte do enredo da novela mexicana.

Fanzíssima do RBD, Eduarda Costa, 7 anos completados em setembro, ganhou da avó uma roupa igual à de seus ídolos: sainha pregueada preta, blusa branca e gravata vermelha. Na escola, brinca de Rebelde todos os dias. “A gente canta as músicas e finge que é um show”, diz. Mesmo encantada com a carreira artística, Eduarda, quando crescer, também almeja a passarela. “Vou ser jogadora de vôlei e depois modelo, como a Gisele Bündchen”, planeja. Para tanto, está inscrita em uma agência de modelos mirins e capricha nas roupas e na maquiagem. “Se ela pede, eu compro, porque acho que ajuda a desenvolver seu gosto próprio”, diz o pai, Erê Costa, 45.

A pergunta inevitável de pais um pouco menos condescendentes é se suas filhinhas não estão “perdendo a infância” com comportamentos precoces. “A vaidade só é prejudicial se virar exagero, se a criança deixar de brincar para não estragar a roupa ou a maquiagem”, diz a psicóloga Isabel Kahn Marin. “Criança nessa idade tem de brincar – inclusive de ser mais velha do que é.”

TÃO PEQUENA, TÃO VAIDOSA

As meninas mais novinhas gostam, sim, de brincar de boneca. Mas também:  

• amam a banda RBD, da novela mexicana Rebelde, e sabem de cor suas músicas, no original espanhol  

• não saem de casa sem bolsa, brilho labial e óculos escuros

• usam minissaia e sandália de salto, tudo cor-de-rosa  

• após o banho, passam hidratante, desodorante, perfume e creme no cabelo   <!– D(["mb","–>• vão ao cabeleireiro para fazer as unhas e hidratar e escovar o cabelo  

• sonham com iPod e celular  

• se acham gordas  

• querem ser modelos

Meu comentário:

CRUZEEEEEES!!!

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Um comentário sobre “Nascidas para se maquiar

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