O futuro será faminto

da Revista Época

Escritor de Nova York experimenta a dieta de restrição calórica. Ela prolonga a vida, mas que vida! 
Pouca comida, baixa libido e pele alaranjada

São 7 e meia da noite no Soho, em Nova York, aquela hora mágica em que o cheiro das entradas nas mesas do restaurante Savoy sai dos pratos em direção ao céu, a ansiedade dos que planejam uma refeição de última hora se espalha pelos corredores do Dean&DeLuca e os desejos de um homem adulto se transformam em pensamentos sobre comida. No momento, praticamente não penso em outra coisa. Vou me desviando da multidão em Prince Street meio correndo, estou atrasado para um jantar planejado há semanas e estou morrendo de fome. Na verdade, estou morrendo de fome há dois meses, e é exatamente esse o motivo da festa: meus convidados são cinco profissionais urbanos e bem-sucedidos que vivem com um consumo calórico médio que um africano da região subsaariana acharia austero há muito, muito mais tempo, e eu os convidei para me mostrarem como fazer isso. Eles são mestres da restrição de calorias, uma dieta que parte de um pressuposto central radical: quanto menos você comer, mais tempo vai viver. Depois de experimentar a dieta por nove semanas, espero conseguir ter uma visão do que significa ir até o fim. Quero saber qual é a aparência, a sensação e o gosto de aderir a uma dieta que oferece o máximo em termos de compensação: passar a vida passando tanta fome quanto seu organismo puder agüentar em troca de uma promessa de aumentar sua expectativa de vida acima de qualquer limite conhecido.
Cintos de segurança, vacinas, água tratada e outros milagres modernos aumentaram drasticamente a média da expectativa de vida, fazendo diminuir a cada ano a porcentagem de pessoas que morrem antes de atingir a média. A dieta de redução de calorias comprovadamente aumenta essa expectativa. Em estudos de laboratório que remontam aos anos 1930, ratos submetidos a uma dieta extremamente limitada vivem até 50% mais tempo que os mais velhos de seus parceiros bem alimentados. O equivalente para a vida humana ultrapassaria 160 anos. E não é só coisa de rato. Aranhas, vermes, macacos, até agora uma verdadeira miscelânea de espécies já demonstrou os benefícios da restrição de calorias em termos de aumento da expectativa de vida.

No entanto, apesar das evidências crescentes, a ligação entre restrição de calorias e longevidade humana permaneceu por muitos anos apenas como uma curiosidade médica. Em 1991, a questão ficou mais simples quando um grupo de oito biocientistas se fechou por um período de dois anos em uma espécie de estufa no Deserto do Arizona e descobriu em seguida que o ecossistema hipoteticamente auto-sustentável em que eles haviam se estabelecido mal poderia produzir comida suficiente para mantê-los vivos. Essa revelação poderia ter arruinado a experiência (conhecida como Biosfera 2), mas o médico do grupo, o patologista Roy Walford, da Universidade da Califórnia, vinha estudando o fenômeno da restrição de calorias havia décadas e convenceu seus companheiros econautas de que, desde que todos comessem com cuidado suficiente para obter suas necessidades diárias de nutrientes essenciais, um ano ou dois quase morrendo de fome não lhes fariam mal. Quando a tripulação do Biosfera 2 finalmente saiu de sua bolha, testes provaram que eles estavam mais saudáveis em quase todos os aspectos nutricionais relevantes, e os argumentos para a restrição de calorias em humanos não eram mais apenas circunstanciais. Quinze anos depois, o guia de redução de calorias de Walford, A Dieta para Viver Mais de 120 anos: como Dobrar os Seus Anos de Vida, está na 15a edição e 1.400 pessoas aderiram à dieta como uma prática em período integral para toda a vida.

Não é difícil perceber o apelo da dieta sobre um tipo de nova-iorquino bastante familiar: você fica tão magro quanto uma socialite anoréxica, faz um regime tão radical e tão penoso quanto o de qualquer iogue e há ainda dados médicos e científicos impressionantes de seu lado.

Estou realmente emocionado porque vou conhecer cinco novos companheiros, quando, finalmente, entro na cozinha de um loft de paredes brancas de um banqueteiro, que eu pedi emprestado para meu jantar. Todos os meus convidados são membros proeminentes do grupo central do movimento de restrição de calorias: Paul Mc Glothin, um publicitário de 58 anos que mora em Manhattan e é diretor de pesquisa voluntário para a Sociedade de Restrição de Calorias, sem fins lucrativos; a mulher de Paul, Meredith Averill, de 60; April Smith, de Filadélfia, uma organizadora da associação de 32 anos e autora do Diário de Restrição de Calorias de April, um diário on-line bastante agradável e (pelo menos na comunidade de restrição de calorias) muito lido sobre sua vida caloricamente restrita; seu namorado canadense, Michael Rae, um assistente de pesquisa em tempo integral do guru do aumento do tempo de vida, Aubrey de Grey, e que também é uma presença prolífica e de grande autoridade na lista da Sociedade de Restrição de Calorias; e Donald Dowden, advogado e garoto-propaganda da restrição de calorias. Não há como confundir o pequeno grupo particularmente esguio reunido ali, e o reconhecimento é mútuo. Paul, com paletó azul, cabelo grisalho e um índice de massa corporal de um abajur Noguchi (quase 1,80 metro e pouco mais de 60 quilos), dá uma olhada e sorri. “Você é como nós”, diz.

Vou tomar isso como um elogio, pensei. As 1.800 calorias diárias que estou consumindo são muito menos que o mínimo de 2.500 recomendado para homens adultos, e dois meses desse orçamento calórico encolheram minha figura de 43 anos, quase 1,80 metro e 80 quilos de volta aos 71 quilos da época do colégio. Amigos e pessoas queridas, já percebi, começaram a ficar mais preocupados que impressionados ao notarem quanto peso perdi, porém ali, no círculo encantado do jantar de hoje, não me sinto tão raquítico, mas elegantemente atraente.

Apesar de eu ser o anfitrião oficial, é a compacta e espirituosa April Smith quem preside. April se ofereceu para planejar e cozinhar o menu caloricamente correto da noite, e seu subchefe para a ocasião, o namorado Michael, está pronto a seu lado: um homem de 35 anos com cara de aroto, cabelo curto, ruivo, pele pálida e translúcida, 1,80 metro e pouco mais de 50 quilos, um físico misteriosamente alongado.

“Michael, você poderia passar a rúcula para o Don?” April diz por cima do ombro, levantando os olhos do laptop que está sempre por perto enquanto ela s cozinha, carregado com um programa de planejamento de dieta interativo que ajuda não só a contar as calorias, mas a rastrear os 20 outros nutrientes sem os quais a restrição de calorias seria apenas uma forma de anorexia glorificada. “Don, preciso que você coloque 24 gramas em cada prato, por favor.” Então, Don Dowden, advogado, começa a pesar rúcula em uma balança eletrônica, colocando cuidadosamente uma folha aqui, tirando outra ali, como um traficante de drogas preparando papelotes. Alto, com o cabelo escuro e rosto forte, Don sobrevive com uma ração de 2.000 calorias por dia e jura que os efeitos são rejuvenescedores. “Eu usava óculos, mas agora não preciso mais”, diz. “Não tenho uma vista perfeita, mas posso dirigir e posso ler jornal, e eu tenho 74 anos.”
“Você tem 74 anos?”, exclamei, não tão espantado, mas simplesmente confuso. Não é que eu não possa ver a idade de Don em seu rosto e em sua pele, agora que sei onde procurar. É alguma coisa na maneira como seu corpo se mexe, como ele o segura, com um conforto e uma segurança que não combinam exatamente com o fato de que ele nasceu antes de Roosevelt tomar posse.

“O jantar de Michael tem sempre 639 calorias”, diz April, com os olhos na tela enquanto seus dedos dançam pelo teclado, calibrando porções. Ela faz a tarefa parecer o mais fácil possível, como um desses garotos que resolvem um Cubo Mágico em menos de um minuto. April vira o laptop para me mostrar seus números. Ela é famosa no círculo de restrição de calorias por não ter paciência com os que pensam que conseguem fazer a dieta direito sem uma atenção clínica aos dados. “Você está perdendo peso muito rápido”, ela diz, com a autoridade incisiva de um médico me dando más notícias, mas que têm conserto. “Você perdeu 9 quilos em dois meses, e não deveria perder mais do que 2,5. Você precisa começar a comer mais.”

Isso é a deixa para que Paul e Michael comecem uma disputa de pequenos discursos sobre a calamitosa biofísica da perda rápida de peso. “Quando você faz restrição de calorias, não está apenas perdendo gordura”, Michael explicou. “Você está perdendo músculo, você está perdendo osso.” Perca peso muito rápido e você pode até causar a diminuição do músculo mais importante que possui, seu coração, e você estará sujeito ao mesmo risco de parada cardíaca que faz com que a anorexia seja uma obsessão tão perigosa. “Você fez um exame de sangue antes de começar?”, perguntou Paul. Confesso que não: mais um passo em falso revelado. É uma experiência de humildade ser orientado dessa forma. Mesmo assim, no meio de tudo, não posso deixar de sentir uma ponta de orgulho: três dos principais praticantes da restrição de calorias do planeta acabaram de me dizer que minha dieta é muito radical. Isso faz com que eu seja uma espécie de membro do clube, não é?

Chega um sexto convidado, meu amigo Adam, que eu chamei por uma série de motivos, incluindo sua perspectiva de fora e a promessa de trazer uma garrafa de vinho. É um pinot noir, a pedido de April – a uva escolhida pelo pequeno grupo das calorias restritas é rica em resveratrol, um antioxidante -, e ela faz com que Adam encha nossos copos com exatamente 74 calorias. Fomos para a mesa, onde April já havia colocado as saladas: 24 gramas de rúcula por prato, temperada com suco de limão e servindo de base para duas vieiras salteadas com alho, vinho branco e coentro. “O paladar fica mais aguçado quando você está com fome”, observou Michael. “Você aprecia mais.” Isso, por um lado, é uma observação tão óbvia que dispensa comentários, mas, por outro, é uma verdade que provavelmente só pode ser atestada em profundidade por alguém que já tenha passado fome deliberadamente por tanto tempo como esse grupo. As pessoas balançam a cabeça em sinal de aprovação ao redor da mesa. “Adoro cozinhar, e fico muito satisfeita quando cozinho para alguém que aprecie a comida”, diz April. “Hoje em dia, detesto cozinhar para quem não faz a dieta de restrição de calorias.” Paul acrescenta: “Quando você fica em jejum por 17 horas com uma taxa baixa de glicose, um fator neurotrófico derivado do cérebro é liberado, é uma química que cria otimismo. Esse fator neurotrófico derivado do cérebro é, na verdade, uma parte natural da química que acontece comigo todos os dias… Estou bastante eufórico agora”.

Acredito nele, porque eu mesmo senti algo parecido. Não é segredo. Místicas ou anoréxicas, as pessoas que passam períodos longos sem comer freqüentemente relatam se sentir mais acordadas e com mais energia, eufóricas até.

April traz a refeição principal: uma mistura de pontas de aspargo, cogumelos shiitake e o ingrediente especial, uma mistura improvável de salubridade vitalizante, um híbrido industrial conhecido como Quorn.
Quorn, finalmente! Desde que visito blogs e listas de endereço da comunidade de restrição de calorias, leio sobre essa maravilha patenteada, o máximo entre as comidas dos simpatizantes da restrição de calorias. Quorn em seu estado virgem é quase proteína pura, com poucas calorias. O produto tem gosto e consistência semelhante a um nugget sem a crosta e pode substituir a carne com toda a versatilidade da soja (salsicha de Quorn, steak de Quorn, assado de Quorn são apenas algumas das variedades de imitação de carne em oferta), com menos gordura saturada.

“Uma delícia”, diz Don, atacando.

“Uma delícia”, concordei, levando uma garfada à boca.

“Não está nada mal”, admite Adam, surpreendendo a todos.

Com a barriga começando a encher e reconfortados pelo vinho, o assunto muda para um tópico que ficou pairando no ar a noite inteira: o casal seguidor da dieta e o sexo. Não há como escapar. De todos os inconvenientes fisiológicos que quem segue a dieta por um longo tempo vai enfrentar – calafrios que às vezes acompanham taxas de metabolismo reduzidas, déficit de estamina que pode atrapalhar a prática de exercícios físicos extensos -, nenhum causa tamanha consternação para um iniciado como a capacidade do seguidor da dieta para lidar com a libido. Estou feliz por poder dizer que até agora a dieta não me causou esse efeito colateral específico, mas estou ansioso para ouvir de meus companheiros o que a dieta causou à vida sexual de cada um. E eles estão tão ansiosos quanto eu, ao que parece, para contar.

“Michael e eu temos uma vida sexual melhor que todos vocês juntos”, afirma April, abrindo a discussão. Nem todo mundo que segue a dieta reclama de diminuição do desejo sexual e nenhum dos que reclamam, ao que parece, é mulher. (“Se for o caso, as mulheres têm o problema oposto”, diz April.) Os efeitos colaterais relatados não são nem de longe tão ruins como o que o processo “normal” de envelhecimento faz com a função sexual na meia-idade. “Lembrem-se”, diz Paul, “de que Meredith e eu temos bem mais de 50 anos e conhecemos os hábitos sexuais das pessoas dessa idade.” O casal de meia-idade que segue a dieta muito provavelmente não tem os entupimentos arteriais, sistema endócrino lento e outros problemas estraga-prazeres que conspiram para extinguir a vida sexual de muitos casais mais velhos.

“De qualquer forma”, diz April, depois que os esclarecimentos foram feitos, “não é de todo um mito”: a dieta pode de fato fazer coisas estranhas com a libido masculina. Para ilustrar o assunto, ela começa a nos contar o que provavelmente é a história de amor mais conhecida da comunidade, a dela mesma.

“Conheci Michael na Terceira Conferência Anual de Restrição de Calorias, em Charleston, mas eu o rondei por oito meses antes disso”, disse April. Ela havia se convertido recentemente à dieta de restrição de calorias e era uma leitora ávida dos informes da sociedade, em especial das freqüentes postagens de Michael. “Adorava o que ele escrevia. Achava que ele era absolutamente brilhante e engraçado, e acabei tendo uma queda por ele. Achava que tinha uns 57 anos, era casado, com cinco filhos, 17 netos e uma amante. Um dia, vi uma entrevista dele na televisão sobre a dieta e vi que Michael era quase da minha idade e bonitinho, exatamente meu tipo. A entrevista mostrou-o em sua casa fazendo a comida sozinho, sentando sozinho à mesa, com um jogo americano verde-limão horroroso. Simplesmente horroroso. Cheguei à conclusão, primeiro, de que ele era hétero, porque nenhum gay teria aquele jogo americano em casa, e, segundo, que era solteiro, porque nenhuma mulher teria aquele jogo americano em casa. Pensei que o capturaria e o traria para meu país. Vamos comprar uma casa. Fechamos o negócio na sexta-feira.”

“Antes da dieta, eu era mais assanhado que a maioria dos homens”, diz Michael. Algumas pessoas acham que, quando você se submete a uma dieta de restrição de calorias severa, a libido masculina clássica, do tipo “oba, uma mulher bonita, não posso me controlar, tenho de olhar para ela”, diminui. Michael é uma dessas pessoas. “Sempre penso que, se fosse possível explicar para uma mulher que, com a dieta, o homem vai melhorar seu desempenho sexual, mas vai diminuir o comportamento de não poder ver um rabo-de-saia, de modo que terá olhos apenas para você, por quem ele está apaixonado, as mulheres diriam ‘querido, vou cortar suas calorias. Meio jantar amanhã'”, diz April. “Um homem de 35 anos, maduro e interessado em uma experiência espiritual profunda, mas que pode transar como um de 18? É bom demais.” Todos os olhares se dirigem, é claro, a Michael e, pela primeira vez, dou uma boa olhada em suas mãos. Apesar de ter certeza de que a luz está me pregando uma peça, não posso deixar de notar que aquelas mãos são, na verdade, de um tom vivo de laranja.

“Eu sei, não é bonito?”, pergunta April. “Adoro o laranja. Eu o chamo de Laranjão.”

Michael dá apenas um sorrisinho. “Consumo uma enorme quantidade de carotenóides, betacaroteno e licopeno, que são encontrados em alimentos como cenoura e tomates”, explica. “Se eu tivesse um tom de pele como o seu, o efeito provavelmente quase não seria perceptível, mas como minha pele, para começar, é extremamente branca…”

“Espere aí”, interrompe Adam, “você come tanta cenoura e tomate que suas mãos ficam laranja de verdade?”

“Sim, não é bonito?”, April pergunta de novo.

A essa altura, Michael, depois de terminar sua porção de aspargos e Quorn, pega seu prato sem dizer uma palavra e faz o que qualquer pessoa normal que não tenha comido uma refeição que realmente a satisfaça faria: levanta o prato e começa a lambê-lo até ficar limpo. De sobremesa, comemos uma taça perfeita para a redução de calorias: morangos orgânicos, ricota magra, óleo de semente de linho e avelãs. É muito bom, acabou muito rápido e, já que aqui nós estamos reescrevendo o livro de boas maneiras, não vejo mal nenhum em escavar os últimos pedacinhos de ricota com meus dedos.

No fim, depois que os pratos estavam limpos, eu e Adam dissemos adeus para todos os convidados para meu jantar com restrição de calorias. Eu, basicamente, me vendi. Mas Adam é um observador independente, seu julgamento está muito menos sujeito a comprometer-se por causa do fator neurotrófico derivado do cérebro, e ele viu tudo o que precisava sobre a restrição de calorias. Ouviu muitos argumentos a favor e poucos contra, conheceu alguns dos mais inteligentes e agradáveis praticantes. Até declarou “nada mal”, sobre o melhor de sua cozinha.

“Preciso dizer que esta foi provavelmente a refeição mais sem graça que eu já comi na vida”, disse Adam.

Estou confuso. “Mas você disse…”

“Eu estava sendo educado.” Um silêncio incômodo impera, até que por fim Adam põe a mão em meu ombro, me olha nos olhos e me diz: “Cara, foi horrível”.

Na manhã seguinte a meu jantar eu acordei com fome, desci, entrei no primeiro McDonald’s que encontrei e comi, no café-da-manhã, um Quarteirão com queijo e um supermilk-shake de chocolate. Mais tarde, tomei algumas cubas-libres e comi canapés de queijo para a felicidade de meu coração. No jantar, parei em uma delicatéssen e comi metade de um sanduíche enorme de pastrami com pão de centeio, metade de um sanduíche de carne tão enorme quanto, alguns tomates em conserva e um cream soda, e só depois de comer um sorvete Häagen-Dazs com cobertura de chocolate na hora de dormir é que comecei a sentir os primeiros leves sintomas de náusea. Pela primeira vez em 63 dias, um dia inteiro se passou sem que eu tivesse a menor idéia de quantas calorias eu comi ou sem ter a menor vontade de saber.

Você pode achar que seriam necessários mais que alguns comentários desagradáveis sobre o Quorn para acabar meu namoro com um destino de restrição de calorias, e você estaria certo, é claro. O ceticismo de Adam me fez pensar, é tudo. Não tanto sobre o que ele achou da comida, mas sobre o que eu teria achado alguns meses atrás. Gostei dessas pessoas, gostei mesmo. Mas, no fim, fui para casa naquela noite com uma sensação crescente de que eu havia chegado mais perto do que nunca de cair no buraco negro de ser membro de um culto.

Portanto, se você leu até aqui e ainda pensa que nunca, jamais, poderia fazer o que meus cinco convidados para o jantar fazem consigo mesmos todos os dias, não se engane. Eu vi o futuro, e ele é faminto.

Copyright 2006 New York Magazine – Distribuída por Tribune Media Services International

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