De que maneira as mudanças no casamento, no divórcio e na taxa de natalidade estão redefinindo o local de trabalho

do Universia

De acordo com um novo estudo dos professores Betsey Stevenson e Justin Wolfers, da Wharton, as taxas de casamento e de divórcio nos EUA encontram-se atualmente em níveis históricos baixos. Quando Stevenson e Wolfers começaram a analisar as forças que vinham operando essas mudanças nos mercados, responsáveis pelas novas estatísticas apuradas, uma coisa ficou clara: as mesmas forças que interferem nas estatísticas de casamento e de divórcio — isto é, o controle da natalidade, redução parcial da lacuna que separa os salários pagos a homens e mulheres, primeiro casamento em idade mais adulta e mudanças drásticas nas tecnologias domésticas — também interferem de forma significativa nos negócios e na vida dos empregados. (…)

Sem intenção de procriar

No estudo intitulado “Casamento e divórcio: fatores de mudança”, Stevenson e Wolfers reconhecem que, em se tratando de casamento, os modelos econômicos sempre tentaram explicar como e por que as famílias são formadas. Segundo Stevenson, em um tratado de 1981, “Tratado sobre a família”, o economista Gary S. Becker, ganhador do Nobel, propôs uma teoria do casamento baseada em “complementaridades de produção”. De acordo com a teoria de Becker, o marido e a esposa se especializam nas esferas do mercado e do lar, respectivamente, e daí em diante são muito mais produtivos juntos do que separados. Essa divisão do trabalho vem a calhar no tocante ao que Stevenson chama de “produção e criação dos filhos”.

Contudo, os dois especialistas da Wharton recorrem à letra de Times they are a-changin’ [Os tempos estão mudando], música de Bob Dylan, para explicar por que os modelos de casamento, como os de Becker, talvez tenham de ser reconsiderados, salientando que “a família não é uma instituição estática”. De acordo com Stevenson, a idéia de complementaridade de produção perdeu substância na vida da família moderna. A autora explica por que isso aconteceu.

Essas mudanças, dizem os pesquisadores, se devem a vários fatores importantes:

  • O casamento, hoje, ocorre com menor freqüência nos primeiros anos da vida adulta de homens e mulheres. Entre os homens, essa é uma tendência antiga: em 2004, eles se casavam pela primeira vez aos 27 anos, conforme uma tendência registrada pela primeira vez na década de 1890, quando a média de idade em que os homens se casavam era de 26 anos (com uma breve exceção em meados dos anos 1950, em que a média de idade foi de 23 anos). No entanto, em 2004, a idade em que as mulheres se casaram pela primeira vez passou de 22 para 26 anos. (…)
  • O fato de que homens e mulheres agora se casam mais tarde também tem reflexos sobre o papel declinante da fertilidade e da criação dos filhos, observa o estudo. (…)
  • Chamado certa vez de ‘invenção que definiu o século 20”, a introdução da pílula anticoncepcional melhorou o controle da fertilidade, “alterou o momento do casamento e do nascimento dos filhos, e facilitou também o crescimento, no caso da mulher, do seu capital humano ao reduzir o risco de rupturas em sua educação ou em seus planos de ingresso no mercado de trabalho”, informa o estudo. (…)
  • O surgimento de tecnologias que permitiram economizar o tempo gasto em tarefas domésticas (freezers, máquinas de lavar roupa, secadoras, lavadora de louças, só para citar alguns) e o desenvolvimento da indústria de serviços (principalmente do setor de preparação de alimentos), permite que muito do que era anteriormente propiciado pelo trabalho doméstico seja adquirido fora de casa. (…)

Esses padrões, dizem os autores, induziram a mudança da teoria da complementaridade da produção de Becker como explicação do motivo pelo qual o casamento funciona. Em vez de especializações, os casamentos são agora construídos em torno de “complementaridades de lazer e consumo”, o que, cada vez mais, coloca homens e mulheres em pé de igualdade no que se refere à renda e a interesses semelhantes. (…)

Namoro no trabalho

“Várias das mudanças ocorridas na família têm efeitos imediatos” sobre o local de trabalho, diz Stevenson. Essas mudanças “levaram as mulheres a integrar a força de trabalho. Hoje, as pessoas vivem juntas e têm menos filhos. Conseqüentemente, o número de anos despendidos na criação dos filhos é menor do que o número de anos de produtividade do indivíduo. Se você passar a maior parte da vida criando filhos, o apelo do mercado de trabalho será menos significativo. Como isso já não é mais verdade, é mais difícil atualmente para as mulheres permanecerem fora do mercado de trabalho.” (…)

(…) Um estudo da Fundação Mellon realizado em meados dos anos 90 com 1.000 universitárias formadas em 1981, ou antes, constatou que 58% delas nunca ficaram fora do mercado de trabalho por mais de seis meses, no total, nos anos posteriores à sua formatura. A pesquisa mostrou que, em média, as mulheres passam apenas 1,6 ano fora do mercado, e que só 7% passa mais da metade do seu tempo fora do mercado.

(…) É claro que as mulheres sempre enfrentaram uma enorme pressão sobre seu tempo disponível, e sempre haverá mulheres que preferirão ficar em casa. A tendência, porém, é de passar mais tempo no mercado de trabalho.”

O fato de que os indivíduos estejam adiando o casamento e permanecendo mais tempo no mercado por períodos mais longos “suscita toda uma série de indagações sobre os padrões seguidos no local de trabalho’ no que diz respeito ao namoro e ao nepotismo, observa Stevenson, ressaltando no ensaio que “o ambiente de trabalho, agora com mais indivíduos de ambos os sexos, proporciona mais oportunidades para que homens e mulheres se conheçam”. Uma pesquisa recente do site Vault.com, especializado em empregos e aprimoramento profissional, constatou que cerca de 60% dos trabalhadores têm relações sentimentais com colegas no escritório, ante 46% três anos atrás; 38% dos entrevistados sabem de algum namoro em andamento no ambiente de trabalho.(…)

Stevenson concorda com a Challenger em relação à outra tendência observada no local de trabalho: o potencial da Internet como facilitadora do romance, e como seu uso substancial em situações de interesse pessoal constitui um desafio para o ambiente de trabalho. (…)

Embora os autores não tenham uma resposta definitiva em relação às características futuras dessa tendência, eles mostram no estudo que “a rápida modificação por que passa o número de homens e de mulheres na universidade influirá necessariamente sobre o modelo futuro do casamento e seu impacto no local de trabalho. As mulheres eram uma minoria notória em 1960. Hoje, são maioria evidente”.As mulheres com formação superior “casam-se, em geral, com homens de igual nível”, diz Stevenson. “À medida que um número maior de mulheres se forma, será que se casarão, ou não, com homens sem formação superior? Essa é a grande questão no que diz respeito ao casamento. É muito difícil prever o impacto disso sobre o local de trabalho, embora esteja claro que, no conjunto dos trabalhadores qualificados, uma parte cada vez maior será constituído por mulheres.”

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