Macaco promove ‘nepotismo’, diz estudo

do G1

Chimpanzés preferem cooperar com seus irmãos maternos, mas não paternos. Contudo, trabalho em equipe com não-parentes também é comum.

Os políticos brasileiros deveriam se espelhar num grupo de chimpanzés de Uganda. Tal como os membros do Executivo e do Legislativo brasileiros, os bichos dão um jeito de favorecer os parentes sempre que podem, mas nem por isso deixam de dar uma mãozinha ao resto da comunidade em outros contextos. Nepotismo sim, mas com dignidade, parece ser o lema dos macacos.

Brincadeiras à parte, a pesquisa, que está na última edição da revista científica “PNAS”, mostra mais uma camada de complexidade no comportamento social dos chimpanzés, já comprovadamente tão próximo do de seres humanos. Por um lado, os bichos são claramente adeptos do nepotismo, principalmente quando conseguem determinar o grau de parentesco entre si mesmos e os indivíduos favorecidos. Por outro, apresentam alto grau de cooperação com bichos não diretamente relacionados consigo mesmos — uma característica normalmente considerada exclusiva de seres humanos.

Os genes denunciam
O estudo coordenado por Kevin Langergraber, da Universidade do Michigan (EUA), usou dados de DNA para mapear o grau de parentesco entre 142 indivíduos do Parque Nacional Kibale, em Uganda. Ao mesmo tempo, os cientistas acompanharam as atividades de cooperação ou favorecimento entre os bichos — por exemplo, com que freqüência cada par de animais catava piolhos um do outro, compartilhava carne (sim, já que a espécie pode ser exímia caçadora, dependendo das circunstâncias) ou patrulhava junto as fronteiras do bando.

Os resultados do teste genético mostraram que o nepotismo estava mais do que estabelecido entre os machos: a tendência para a troca de favores era muito mais comum entre irmãos, filhos da mesma mãe, do que entre animais não-aparentados e filhos do mesmo pai. Para os cientistas, isso provavelmente acontece porque os bichos conseguem aprender quem são seus irmãos maternos, enquanto sem um teste de DNA fica difícil saber quem são os irmãos paternos, já que as fêmeas da espécie são promíscuas.

No entanto, a cooperação e a troca de favores também é bastante comum entre macacos que não são parentes. Para os pesquisadores, isso pode ser explicado pela expectativa de que o macaco que arranca o piolho do outro ou fornece um pedaço de picanha seja recompensado mais tarde. Ou seja: em Uganda como no Congresso

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