Domingo é dia de ficar em casa

por Carla Rodrigues, em Nomínimo

“O prazer de ficar em casa”, de Letícia Ferreira Braga (Casa da Palavra, R$ 21, 80 págs.) , é um livro despretensioso – para ser coerente com o tipo de proposta que faz, não poderia ser diferente. Prega uma idéia muito simples, tão simples que caiu em desuso: nas horas de lazer, fique em casa. Não tente montar uma agenda que inclua três programas por dia de descanso, numa programação intensa de consumo de diversão que não se reflete nem em repouso nem em qualquer tipo de possibilidade de experimentar o santo sossego. É num capítulo com este título que ela vai explorar esta idéia de que em casa, em silêncio, as perspectivas de bem-estar são maiores do que em qualquer programa-roubada. O melhor do livro está nas dicas do que fazer entre quatro paredes. Sei que os mais implicantes vão pensar que é pura bobagem de auto-ajuda, mas qualquer um que já teve o privilégio de experimentar passar um dia inteiro lendo um livro, ouvindo boa música ou simplesmente não fazendo nada saberá do que estou falando. Letícia sugere também que se experimente, para aumentar o prazer de ficar em casa, enfeitá-la com arranjos de flores, tomar prolongados banhos com óleos essenciais, organizar fotos que estão esperando para ser postas em álbuns ou gastar algumas horas na cozinha preparando uma boa refeição.

Coisas simples assim. Num mundo cada vez mais impactado pela pressa e pela correria, é melhor sair para a fila daquele filme recém-lançado ou assistir a um velho documentário que está esperando por um tempo para ser visto? Desencavar velhos CDs na estante pode ser igualmente divertido, sobretudo se você acabou de comprar ou ganhar um tocador de mp3 e pode aproveitar para matar a saudade de algumas músicas prediletas.

De uma maneira geral, sábados e domingos são para mim dias de ficar em casa. E mesmo que eu não faça nada disso que a Letícia sugere, me parece melhor do que ter mais um dia igual aos de trabalho – hora para cumprir compromissos, mesmo que de lazer, obrigação de me arrumar, dirigir, estacionar, entrar na fila…Tudo isso eu já faço a semana inteira. É verdade que Letícia não prega apenas o lazer sem consumo, mas também a idéia de uma vida mais simples, menos pautada pelo que está fora, mais voltada para o que está dentro: de casa e de você mesmo.

Leio quase tudo me cai nas mãos sobre a filosofia da vida simples – inclusive uma revista com este nome. Por mais que eu goste muito da proposta, não consigo exatamente entender como colocá-la em prática. Aceitam-se sugestões.

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