Levante dessa cadeira

Da Folha Equilíbrio

Não vai doer nada, se você não tiver nenhum problema de saúde prévio. Em vez de pedir para sua mulher, seu marido ou seu filho, pegue você mesmo sua bebida na cozinha. Deixe o carro na garagem e vá a pé à padaria. No escritório, busque seu próprio cafezinho. Se for descer dois andares ou subir um, prefira as escadas.

Parece pouco -e é mesmo-, mas essa movimentação já manda uma mensagem para seus músculos até hoje sedentários: a de que é hora de mudar. É hora de, pelo menos, dar leves, tranqüilas caminhadas. “Você não precisa entrar numa academia nem checar sua freqüência cardíaca. Simplesmente desligue a TV e saia para uma caminhada”, recomenda James Levine, especialista em obesidade da Clínica Mayo, dos EUA, em artigo na edição de julho da revista da instituição.

No texto, ele comenta os resultados de um estudo feito no Japão que analisou os impactos da caminhada em pessoas da terceira idade. Tanto os participantes engajados em caminhadas de média intensidade quanto os que fizeram exercícios mais intensos saíram beneficiados, com vantagem para o segundo grupo. Pressão, risco de doença cardíaca, diabetes, problemas nas juntas ou saúde mental: por qualquer critério de análise, quem faz exercício fica melhor do que os sedentários. Os resultados da pesquisa, acredita Levine, permitem dizer que a caminhada é benéfica para pessoas de qualquer idade. Em contrapartida, ficar sentado faz mal. “É ruim para o colesterol, para suas costas e seus músculos”, diz Levine.

Claro que não é fácil sair da rotina e do conforto. Se fosse, seríamos todos saradões, elegantérrimos, musculosos, 150% saudáveis. E o mais difícil não é dar o primeiro passo. Isso você faz por impulso, numa decisão heróica, tal como as pessoas que param de fumar três vezes por semana. O duro mesmo é dar o segundo, o terceiro, acordar cedo no outro dia, recomeçar na semana seguinte. Mas dá para fazer.

E as recompensas são incomensuráveis. Não aquelas medidas por Levine. As intangíveis. A sensação de poder que você ganha ao vencer seu maior inimigo (você mesmo, é claro), ao superar a preguiça, ao ver que pode dispor de seu corpo com mais vigor e energia.

Saia a caminhar. Não pense em emagrecer ou ficar mais forte, no colesterol ou na solidão. Simplesmente aproveite seu corpo se movimentando, experimente a gloriosa sensação de estar vivo. Quem sabe, numa hora dessas, ensaie uma corrida. Vai ser muito legal.

por RODOLFO LUCENA, 50, editor de Informática da Folha, ultramaratonista e autor de “Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes” (ed. Record)

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