Estilo de vida em Ipanema vira dieta

Do Estado de S.Paulo – 09/03/2008 

Médico ensina como hábitos de moradores do bairro carioca podem ser aplicados para reduzir doença coronária

Márcia Vieira

Não se trata de uma dieta para ter o corpo das belas mulheres e dos garotões sarados que fazem a fama de Ipanema. A proposta do Estilo Ipanema, livro de Carlos Scherr, cardiologista com mais de 20 anos de experiência na medicina, é uma dieta feita para cuidar da saúde em geral e do coração em particular. O corpo bonito, marca da juventude dourada de Ipanema, é apenas conseqüência. Com base em estudos científicos, Scherr ensina como transformar o estilo de vida de uma parcela dos cariocas em arma poderosa contra doenças coronarianas.

O livro, que deve ser lançado em um mês, mistura alimentação, exercício ao ar livre e atitudes contra o stress. “Esse culto ao corpo, quando não cai no exagero, traz muita coisa boa. O Rio tem um clima que favorece. Essa beleza natural faz da cidade uma academia ao ar livre maravilhosa”, diz Scherr, cujo consultório fica em Ipanema.

As dicas não servem apenas para quem mora no Rio. O bairro que ficou famoso no mundo inteiro depois da Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, é só uma inspiração. E ajuda a quem quer se cuidar em qualquer parte do País. Estilo Ipanema ensina, por exemplo, que mais vale tomar um suco de laranja feito em casa do que um suco industrial com zero de fibras e mais calorias. Melhor ainda é tomar uma água-de-coco tirada na hora, hábito comum entre os cariocas que caminham na orla da zona sul.

O estudo de Scherr prova que o namorado – o peixe – é excelente para as coronárias por ser rico em ômega 3. Mulheres que tomam uma taça de vinho tinto por dia melhoram seu nível de HDL, o colesterol bom. Os homens precisam de dois copos. E uma caminhada de 30 minutos na beira da praia ou em uma área verde é muito mais saudável do que qualquer Prozac para aliviar tensões. “Hoje em dia, as pessoas querem resolver tudo só tomando remédio. Querem perder peso sem fazer dieta nem exercício. E aí fazem o quê? Tomam fórmula. Acabam com a saúde e enriquecem quem fez a fórmula.”

COLESTEROL

Praticante desses ensinamentos, Scherr reúne tabelas que ajudam a montar um cardápio fazendo a escolha certa nas refeições tanto para manter a saúde cardíaca como o peso. O livro reproduz parte dos estudos com alimentação feitos para sua tese de doutorado.

Durante dois anos, ele fez uma pesquisa inédita no País. Analisou a quantidade de colesterol e gorduras nos alimentos vendidos nos supermercados brasileiros. Segundo a American Heart Association, para uma dieta de 1.800 calorias diárias, pode-se consumir 300 mg de colesterol.

Com a tabela de alimentos feita por Scherr é possível incluir na alimentação produtos aparentemente proibidos, como ovo e pernil. “É tudo uma questão de quantidade e de forma de cozimento. O namorado é um excelente peixe para o coração, mas, se for feito frito, todos os nutrientes são destruídos.” É bom preparar a fita métrica. Scherr alerta para os estudos que medem os riscos da gordura abdominal. Os homens não podem ter mais do que 94 centímetros. As mulheres, no máximo 80. “A barriga espelha a gordura que está dentro das vísceras. Ultrapassar essas medidas é um risco.”

Scherr defende também a adoção de alimentos funcionais no cardápio do brasileiro. Além de frutas frescas, principalmente as cítricas, ricas em vitamina C, ele prega também uma dieta à base de frutas secas, peixes de água fria (salmão, namorado, sardinha), muita verdura e pouca carne vermelha. “Isso não piora a satisfação de viver das pessoas. São coisas que já estão no dia-a-dia de muita gente. É só uma questão de saber organizar.”

Scherr aconselha no mínimo 30 minutos de caminhada por dia. Todo dia. “É uma atividade física fácil, de graça, que pode ser feita por qualquer um.” É fundamental apenas que, antes de começar, as pessoas consultem um médico. E evitem fazer qualquer tipo de exercício apenas no fim de semana. “As pessoas acham que porque não estão sentindo nada não tem nada acontecendo com a saúde delas. Volta e meia passam mal durante o exercício.”

Atividade física no fim de semana é pior do que não fazer nada a semana inteira porque submete o corpo a uma carga forte de esforço. “Às vezes ainda é feita sob sol forte, acompanhada de uma bebidinha e depois um salgadinho. É uma mistura para explodir.”

Há também sugestões para controlar a ansiedade, como exercícios de ioga e meditação, sem precisar recorrer ao remédio. E, é claro, o cigarro está completamente fora de questão. “Ele é o risco número 1 para o coração”, completa.

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