Pesquisa mostra que remédio é guardado em local impróprio na casa

Do UOL Ciência e Saúde

As chamadas farmácias domésticas estão presentes em uma a cada cinco casas onde moram crianças, revela pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os pesquisadores encontraram em 20% das casas de 776 famílias de São Paulo sobras de medicamentos, com o agravante de serem guardadas nos piores locais para o armazenamento. Cozinha e banheiro lideram a lista de cômodos mais utilizados, correspondendo a quase metade (48%) dos depósitos caseiros de remédios.

“São locais totalmente desapropriados, devido à umidade e à oscilação de temperatura”, alerta a autora do estudo, Francis Tourinho. “Nessas condições vulneráveis, além da eficácia da medicação ser comprometida, pode aumentar o risco de reações adversas.”

Outro ponto crítico encontrado no estudo é que a maior parte das farmácias domésticas tinha algum medicamento vencido (75%) e, em todos os casos, o armazenamento não cumpria a principal recomendação dos especialistas: estavam em compartimentos muito próximos do chão, o que facilita o alcance dos menores. “Na fase de desenvolvimento, a criança explora o mundo com a boca e com a mão”, afirma a psicóloga da ONG Criança Segura, que atua na prevenção de acidentes domésticos. “Manter remédios guardados sem proteção, facilita a intoxicação, um dos casos mais comuns que recebemos.”

A falta de cuidado no armazenamento de produtos farmacêuticos explica o resultado do levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde. Em 34% dos envenenamentos provocados por drogas terapêuticas, as vítimas têm entre 0 e 5 anos. “Analisamos 128 mil casos de intoxicação e, em cada 10 registros, quatro são desencadeados pelo uso errôneo de remédios”, fala Eliane Gandolfi, farmacêutica do Centro de Vigilância Sanitária. “Para os pequenos, é difícil discernir um comprimido de uma bala. Cores e formas são muito semelhantes.”

Automedicação

No entanto, conseguir manter as medicações fora do alcance das crianças não é suficiente para impedir todos os riscos trazidos pelas farmácias domésticas. Na pesquisa da Unicamp foi apurado que 56,6% das crianças têm o hábito da automedicação e que em 15,3% dos casos eram utilizadas prescrições antigas para escolher o remédio. “Guardar medicações não significa que podem ser usadas sempre”, orienta a diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Terezinha Pinto. “Além de mascarar um sinal de uma doença grave, o resultado pode ser reação. O remédio vira veneno.”

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