Resoluções e revoluções

Do Blog Chéri à Paris

Os dois estavam na cama. Ele abaixou o cacho de uvas, para que ela pudesse alcançá-lo. Com a boca meio cheia, foi ela quem começou o diálogo.

– Paul, tomei uma resolução de ano novo.
– Já sei, Virginie. Fazer regime.
– Não, essa foi a do ano passado, chéri.
– Então vai terminar de pintar aquele quadro que você começou há séculos.
– Também não. Essa tinha sido a de dois anos atrás.
– E não cumpriu nenhuma das duas, né?
– Eu sei, eu sei. Mas dessa vez é pra valer.
– Vai juntar dinheiro pra uma viagem pra América do Sul?
– Não.
– E o que é?
– Vou trocar de marido.
– Cuméquié? Endoideceu?
– Decidi arrumar um outro homem.
– Um amante?
– Não, não. Apenas trocar você por outro.
– Mas… tem algo de errado comigo?
– Nada.
– Tô feio? Barrigudo?
– Você continua um gatão selvagem. Faz miau.
– Miau.
– Viu? O mesmo de sempre.
– Mas o que é, então? A gente se dá mal?
– Não, Paul. Você sabe que a gente se entende perfeitamente. Você até chorou assistindo Titanic comigo. Coisa mais linda.
– É meu ronco? É isso?
– Nada a ver. Eu gosto do seu ronco. Me faz sonhar que tô na selva.
– Então é por causa daquela minha cueca furada.
– A cueca furada te dá um charme especial, meio rústico.
– E é o quê, então?
– Não é nada. Só achei que precisava de uma troca na minha vida.
– E por que não foi aprender a trocar pneu de carro?
– Não dá pra exagerar, né? Trocar de marido é mais fácil.
– Mas, Virginie, de onde veio essa idéia? Ficou maluca?
– Foi a Marie que começou tudo, ano passado. Tava meio entediada e trocou o marido por um garotão 10 anos mais novo. Hoje está ó-ti-ma, super feliz, com pele e unhas lindas.
– E aí você resolveu embarcar nessa…
– Não só eu, mas todas as nossas amigas. Sabe, Paul, acho que você também está precisando de tomar resoluções arrojadas. Vão te fazer bem.
– Olha, acho que você tem razão, Virginie.
– Claro que tenho. Você vai ver como vai se sentir mais leve.
– Pois é. E acabei de decidir qual será minha resolução de ano novo.
– E qual é?
– Vou trocar hoje mesmo a senha do cartão de crédito.
– Do nosso cartão de crédito ilimitado?
– Do meu, você quer dizer.
– Credo, Paul. Por que você é sempre assim tão radical?

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