Brasil deve evitar triunfalismos, alertam acadêmicos

Da Agência Lusa

São Paulo, 21 out (Lusa) – O Brasil deve evitar o nacionalismo e o triunfalismo alimentados pelo clima de otimismo após diversas notícias positivas, como a superação da crise e a escolha para sede dos Jogos Olímpicos de 2016, alertaram acadêmicos brasileiros.

“Vivemos um momento positivo, com o enfrentamento da crise, mas há um certo exagero, um clima de ufanismo que deve ser evitado”, disse à Agência Lusa a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Maria Lúcia Pádua Lima.

Segundo Pádua Lima, a superação da crise e a escolha do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016 são conquistas que devem ser atribuídas a vários governos, não apenas ao presidente Lula.

“Isso não é obra de um único governo, mas resultado de um trabalho longo, de uma política de Estado (do Brasil) que vem se mantendo nos últimos anos”, frisou.

A título de exemplo, Pádua Lima citou que um dos “marcos” do recente protagonismo internacional do Brasil aconteceu no lançamento da Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, no Governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“O Brasil assumiu naquele momento uma posição de liderança do grupo de países emergentes, posição essa que foi sendo reforçada ao longo dos últimos anos”, disse.

Pádua Lima acredita que o “exagero” do otimismo, alimentado pela retórica de Lula e pelas campanhas publicitárias oficiais, é resultado da antecipação da campanha eleitoral das presidenciais de 2010, no Brasil.

“O protagonismo internacional do Brasil ocorre, mas não precisamos exagerar demais e nem negar os avanços”, afirmou a professora da FGV.

O cientista político Sérgio Fausto, coordenador de Estudos e Debates do Instituto Fernando Henrique Cardoso, também alerta para o clima de “triunfalismo”, num recente artigo publicado na imprensa brasileira.

“Há boas e sólidas razões para ser otimista no Brasil de hoje. Não menos sólidas, porém, são as razões para evitar o triunfalismo, tanto mais quando surge acompanhado da revalorização anacrônica do Estado empreendedor”, afirmou.

Um dos perigos, segundo Fausto, é o aumento dos gastos públicos com obras de infra-estruturas para a “realização dos dois maiores eventos desportivos globais (Mundial de Futebol de 2010 e Jogos Olímpicos de 2016) no intervalo de apenas dois anos”.

“Alguém supõe que a iniciativa privada será capaz de realizar os investimentos necessários? Existe quem creia que não serão imensas as pressões para que o investimento público não apenas tome a dianteira, mas também cubra toda e qualquer lacuna deixada pelo investimento privado?”, questionou.

“Nem sempre as respostas são óbvias e fáceis, mas é preciso enfrentar as perguntas. O triunfalismo nos cega para a importância das próprias perguntas”, escreveu.

Para ele, “é hora de pôr a bola no chão”. “Não para cair na retranca, mas para podermos jogar o nosso melhor jogo. E vencer os muitos desafios que temos pela frente”, acrescentou.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s