Intouchables… por quê?

ImagemPara quem não leu  a sinopse o filme, o título pareceu estranho. Intocáveis… Começa com duas pessoas num carro, a noite, correndo pelas ruas de Paris. Intocáveis… por quê?

Aos poucos, o título vai se concretizando, quando se descobre que tudo ocorre com base no relacionamento de um tetraplégico e o seu cuidador – se é que se pode chamá-lo assim.

Muito mais que um filme sobre o relacionamento de duas pessoas, é um filme sobre relacionamentos. Não aquele tipo de relacionamento homem X mulher que estamos acostumados na telona. Ele fala do relacionamento entre pais e filhos, entre amigos, entre amantes, entre vizinhos… enfim, relacionamentos. Mas, o mais marcante – e tema central do filme – é o relacionamento de um tetraplégico com o todo, com a vida.

Um dos pontos mais marcantes, no primeiro momento, foi o filme nos mostrar como uma pessoa totalmente incapaz e lúcida constroe relacionamentos – pessoais e sociais -, por meio de outras. Essa construção, ao meu ver, se torna muito mais complexa, porque, além de ter os seus próprios conceitos de mundo, é necessário fazer com que aqueles que serão o seu canal de relacionamento os reflitam. Sim, eles são os canais.

Num segundo momento, surge o movimento oposto: como nosso canal dos modifica. Como não é possível ser totalmente imune a influência daqueles que estão conosco. Como podemos filtrar o melhor de cada um.

Por fim, muito mais do que relacionamento, o filme traz uma reflexão sobre o respeito ao ser humano de forma integral, sem indulgência, sem pena, com foco nas nossas capacidades e não nas nossas incapacidades.
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E, no fundo, foi isso que mais me chamou a atenção nesses 100 minutos de situações hilárias, tristes, emocionantes foi a realidade com que elas foram apresentadas. Nuas, cruas. Situações de vida que podem estar em qualquer esquina, em qualque mesa de bar, na casa do nosso vizinho.

Intocáveis… por quê? Porque, afora a parte física de quem não sente nada do pescoço para baixo, todos nós somos intocáveis. Temos nossos problemas, nossas questões não resolvidas. Mas não queremos nos relacionar com a sociedade por causa dos nossos problemas, queremos fazê-lo através deles.

(Agora, a pior parte… eu vou ter que traduzir isso tudo para o francês, porque avaliar o filme era uma das atividades da semana. Uma das melhores, por sinal!)

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