La gouvernance brésilienne à l’épreuve de la rue (análise do Le Monde sobre as manifestações no Brasil)

Até agora, não quis comentar sobre as manifestações (esse ‘momento histórico’) que assolam o Brasil há mais de uma semana. Continuo no propósito de não falar sobre o assunto, mas o Le Monde circulou uma análise do cenário brasileiro, baseado na mídia internacional, muito, mas muito interessante.  Vale a leitura!

O original  (tradução livre abaixo)

​Il y a deux semaines, qui l’eût prédit ? Voir les Brésiliens descendre dans la rue par centaines de milliers pour vilipender la mauvaise gouvernance de leur pays paraissait impensable. Et pourtant… Samedi, de nouvelles manifestations ont eu lieu dans plusieurs grandes villes, dont Sao Paulo et Belo Horizonte (sud-est), où la police a dû intervenir pour repousser les assauts des protestataires, relate la BBC. Les promesses de “grand pacte” national distillées la veille par la présidente, Dilma Rousseff, n’ont pas tempéré les ardeurs de ces “indignés” apolitiques, note le New York Times. Naguère révéré pour son économie florissante, le Brésil offre désormais un tout autre visage, creusé par les stigmates de la frustration et de la désespérance. Le “miracle brésilien”, souligne le Washington Post, est en panne. Comment expliquer un tel vent de fronde? El MundoThe Economist et le Daily Beast y voient l’expression de multiples griefs : la piètre qualité des services publics, le fossé grandissant entre riches et pauvres, la brutalité policière ou encore la corruption. Ironie de l’histoire : la classe moyenne, qui a émergé grâce aux bons offices du Parti des travailleurs (gauche, au pouvoir), est en train de se retourner contre l’ensemble de la classe politique, et notamment ses géniteurs, observe le Wall Street Journal. Un retour de flamme que le Guardian juge mérité au vu de la vénalité des élites. Même le “roi Pelé”, idole intergénérationnelle du football, n’est plus qu’un géant aux pieds d’argile (NY TimesThe Independent). Bien que l’étincelle qui a attisé le feu de la colère soit, selon El Pais, différente 

de celle qui a embrasé Madrid ou Istanbul, le thème central est le même : “Réparer la démocratie, sans la remplacer”, suggère le Christian Science Monitor. D’où l’interrogation de Publico.es : après le Brésil, qui sera le prochain sur la liste ?

*    *    *

Tradução livre

O governo brasileiro no teste das ruas

A duas semanas, era impensável ver os brasileiros indo às ruas aos milhares para vilipendiar o governo. Então… sábado, aconteceram nova manifestações em cidades grandes como São Paulo e Belo Horizonte, onde a polícia teve que intervir para acalmar os protestantes, relata a BBC. As promessas do ‘grande pacto’ nacional feitas pela presidente na sexta passada não acalmaram os ‘indignados’ apolíticos, observa o New York Times. Uma vez reverenciado por sua economia em expansão, o Brasil está mostrando um rosto diferente, marcado pela frustração e falta de esperança. O ‘milagre brasileiro’, aponta o Washington Post, está em crise. Como explicar essa onda de revolta? El Mundo, The Economist e Daily Beast veem o movimento como resultado de várias queixas: má qualidade dos serviços públicos, o fosse crescente entre ricos e pobres, a brutalidade policial e a corrupção. Ironia da história: a classe média, que surgiu/cresceu graças ao PT, está se voltando contra a toda a classe política, inclusive seus criadores (PT), observa o Wall Street Journal. Um retorno que o Guardian julga válido, sob o ponto de vista da venalidade das elites. Mesmo o ‘rei Pelé’, ídolo de várias gerações do futebol, é um gigante com pés de barro (NY Times, The Independent). Mesmo que o fogo que ilumina a revolta seja diferente daqueles que abateu Madrid ou Istambul, o tema central é o mesmo: reparar a democracia sem a substituir, sugere Christian Science Monitor. Fica a interrogação do Publico.es: depois do Brasil, quem será o próximo da lista?

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