Quem não sabe brincar, não desce pro play

(publicada em 27 de agosto de 2013, mas acho que ainda é atual e vale para a Copa!)
Medicina-InternaEntão é assim:
Eu não concordo com a política de professores temporários para as escolas públicas e eu vou para a porta da escola e não deixo os professores entrar no prédio.
Eu não concordo com o preço da passagem de ônibus e vou para a rua gritar com o cobrador.
Eu não concordo com a política de cotas nas universidades e vou para as salas de aula brigar com os estudantes.
Aí, eu não concordo com a política do governo de trazer médicos de outros países para o Brasil e eu vou para o aeroporto vaiar os médicos.
Gente, não é assim que se brinca. Independente do motivo pelos quais eles tenham vindo para o Brasil, das circunstâncias ou mesmo dos apoios que tiveram, cada um dos que desembarcaram aqui são tão profissionais quanto eu e você – e, penso, muito mais dignos do que aqueles que os estavam vaiando. São pessoas que estudaram e, pelas imagens da imprensa, são bastante experientes (eu não vi ninguém com cara de saído da faculdade).
O povo tem uma tendência a concentrar sua raiva e desgosto para o lado errado. Se culpabiliza a consequência e não a causa – o professor, o cobrador, o médico cubano. O problema dos ‘enjalecados’ brasileiros é entre eles e o governo. Tentar transferir a culpa para um colega – SIM, ELE É UM COLEGA! – é injusto e mesmo cruel.
Afora questões políticas, de mercado, de ideologias, o fato é que, cubanos ou não, estamos finalmente colocando médicos em lugares distantes. Com ou sem recursos, não é o caso. O Haiti não tem recursos, a Etiópia também não e o interior do Brasil, pode ser, muitas vezes, comparável a esses dois países. Mas o Haiti, a Etiópia e todo o Brasil tem o direito a um médico.
Assim, se você não quer ir para onde precisam de você, não condene que vai. Se a estrutura e os recursos estão tão ruins que você não quer assumir o risco, deixe alguém tentar. Se não der certo, para a população, ainda se aplica o ditado popular ‘pior não fica’. E você ainda poderá aplicar a famosa frase ‘eu não disse!’.
Agora, se der certo, o povo agradece. E você,… bom…
=/

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