Não é a imprensa. São as pessoas!

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Acabo de ver a seguinte imagem, parte de uma campanha da União Nacional dos Estudantes (UNE).

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Sou jornalista. Fui imprensa por muito tempo e admito que não existe imprensa isenta. O ato de comunicar, por si só, não é isento de opinião.

Os jornalistas, escritores, colunistas,…  imprimem em seus textos e discursos crenças e ideologias, seus pontos de vista. Isso não é errado. Isso é, sim, natural. Afinal, sua existência como ser humano é baseada nas suas crenças e não há motivos para privar os comunicadores disso.

Como não existe uma opinião neutra, não existe imprensa isenta de opinião. Por trás de cada veículo, há seres humanos, pensantes, que têm cabeças tão diversas quanto o número de estrelas do universo. E não é por suas estrelas que o céu é tão belo?

*  *  *

Quando leio a frase da UNE – A imprensa fará você odiar… e amar – sinto um misto de horror, desilusão e descrença.

Não! A imprensa não tem o poder de fazer alguém amar ou odiar. São pessoas. Pessoas são responsáveis por suscitar sentimentos. Pessoas sentem.

À imprensa, dar-se lhe um poder que ela não tem, uma responsabilidade que não lhe cabe.

Porque, na verdade, quem incita amor ou ódio são pessoas. Pessoas como esta, que usou as técnicas de comunicação e persuasão para fazer a peça publicitária. Para vender uma ideia sobre a imprensa. Para destacar, não por acaso, em vermelho, as palavras: odiar e os opressores.

A desilusão e a descrença crescem à medida que percebo o quanto a UNE – e tantas outras instituições – acreditam que a liberdade de expressão só é válida se essa expressão é igual a deles.

O problema, no fundo, não é da imprensa. É sim da incapacidade de conviver com opiniões e posições contrárias. E de atribuir ao diferente o ódio.

*  *  *

À UNE, que também é feita de pessoas com opiniões, crenças e ideologias – e com responsabilidades tão ou maiores que a da imprensa -, caberia mais atenção com o emprego das palavras ódio e amor. Caberia aceitar que a imprensa é canal. E que existem vários canais disponíveis, com várias pessoas, com várias ideias – inclusive, há, dentro do pacote ‘imprensa’, aquela que concorda com suas opiniões. Caberia, por fim, entender, que ter uma imprensa livre é o primeiro sinal de democracia e liberdade de expressão. E que, lá no fundo, é isso que queremos: liberdade de expressão.

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