Bagunçaram tudo…

… ou quando a notícia que mais te afeta é a menos importante

Numa época em que cada notícia é uma surpresa, é difícil pensar em algum fato recente que tenha causado algum impacto significativo. Nós, adultos, tendemos a ficar calejados nessa nossa vida diária de vivências e obrigações sociais.

As coisas acontecem e já não nos surpreendem mais. E não falo só das notícias negativas como tiroteio, mortes, desastres. Mas também de outras coisas. Antes, quando se descobria um planeta novo, por exemplo, era uma comoção. Havia até concurso para escolher o seu nome! Hoje, novos planetas são mais uma sequência de números jogados no espaço. E, lá no rodapé da página do jornal – ou numa simples frase, no portal web de notícias – “Foi descoberto um novo planeta. O DASJHF32975 está muito, muito distante da Terra”. Ponto. Vida que segue!

Mas aí, as pequenas coisas acontecem. Uma noticiazinha pescada nas redes sociais, na TL do Facebook ou numa newsletter dentre mil que recebo todos os dias: Meu Primeiro Gradiente volta ao mercado com recursos digitais.

Não, essa notícia não vai mudar a economia ou a política. Não vai colaborar para o uso sustentável dos recursos naturais e, fato, não vai salvar o planeta. Sequer vai fazer cosquinhas na ordem mundial. Mas ela muda o meu mundinho, que nunca, nunca nunca nunquinha imaginou o avô do karaoquê brasileiro cheio de recursos digitais.

O meu Primeiro Gradiente (e meu, de MEU, possessivo meeeesmo) sempre vai ser de fita K7 (clique aqui, e veja imagens desse objeto pré-histórico), produzindo aquele som sujinho. Vai permitir gravar só 30 minutos de cada lado – porque fita de 45 é caro, né gente!

O meu Primeiro Gradiente vai ser sempre aquele brinquedo que ficava guardado no armário dos pais. Só podia ser usados com supervisão, com todo o zelo e cuidado do mundo. E, se ficar no seu quarto, vai ser sempre mais do que um brinquedo. Vai ser um objeto de decoração, paradinho na prateleira, bem em cima. Para que toda a tecnologia e inovação envolvidas possam ser sempre admiradas.

E o meu Primeiro Gradiente vai ser sempre a alegria das visitas. Quando seus tios, padrinhos, e os amigos dos seus pais chegarem para aquele chá, visita de comadres e compadres talvez, toda a tecnologia vai ser retirada da prateleira, desempoeirada e você vai cantar e fazer todos ouvirem a obra-prima que é a sua voz de criança num fundo musical de gosto duvidoso.

Então, quando hoje me perguntaram qual a notícia que mais me surpreendeu ultimamente, tá aí. Criaram esse tal de Gradiente – que de primeiro não tem nada! – e bagunçaram todo o meu entendimento sobre o assunto. Porque tela de LED, entrada USB, isso qualquer criança já tem num celular ou tablet.

=D


Estamos num desafio, eu e minha filha. Escolhemos uma carta da caixa de ideias e temos que escrever sobre. Cada uma no seu quadrado, uma sem ver o texto da outra. E, depois que publico o meu, vejo o dela e vice-versa – e eu coloco os dois no ar, juntos. Este texto é fruto desse exercício de criatividade e escrita. Abaixo, a produção dela!


Nada me afeta. Tenho 15 anos e a notícia/fofoca que mais poderia me afetar é que uma das Kardashians fez o que podemos chamar de “mau uso do phootoshop” e postou a foto com a legenda que devemos ter “self love”.

Estava pensando o que poderia escrever para a cartinha de hoje, olhei sites de notícia que falavam sobre política, o massacre em Suzano, sobre a bolsa de valores e 1200 outras coisas e nada me afetou.

Claro que ninguém lê o massacre de Suzano e não fica surpreendido, triste ou em choque. E eu sei que é meio errado dizer isso, mas não me afetou, me fez refletir, mas não me afetou.

O fato é que, quando se é adolescente, notícias não importam muito a não ser que sejam um conhecimento para provas. Temos taaaanto o que se preocupar, tipo: por que o crush curtiu a foto dela? Por que ele comentou “linda <3”???Será que hoje tem teste? Será que eu pareço gorda com essa roupa?…Enfim, muitas coisas suuuper estressantes. Já quanto está o valor do dólar, não interessa muito.

Eu parei para pensar: será que eu deveria prestar mais atenção as notícias? Isso mudaria algo em minha vida? Afinal, minha mãe ouve o rádio todo dia. Mas ela é jornalista, então faz sentido.

Cheguei à conclusão que só saberia na prática (óbvio), mas não é algo muito entusiasmante ligar a TV ou o rádio para ouvir sobre desastres naturais ou sobre o devastação no Amazonas.

Se você nunca mais precisasse ouvir uma noticia isso te afetaria? Eu acho que depende muito da sua profissão. E como não decidi ainda o que quero ser, isso afeta uma pouco na minha curiosidade por notícias.

Se um dia eu decidir fazer algo que envolva notícias, eu com certeza teria que estudar muito!

Temos vagas

Olhamos para os filhos e vemos sucesso, quase nunca, trabalho.

Hoje me perguntaram: se eu pudesse escolher um trabalho para minha filha, qual seria?

Nunca pensei sobre escolher um trabalho para ela e, ao mesmo tempo, surgiram ideias mil. Desde cantora, até engenheira, passando por veterinária… Aí me dei conta que trabalho não é profissão. Trabalho é aquilo com que temos que lidar no dia a dia, faça chuva ou faça sol, querendo ou não.

Começaram a vir à tona os vários clichês deste mundo cruel (sim, o mundo do trabalho).

1) Você precisa fazer o que gosta.
Hummm… pra mim isso é um hobby.

Próxima…

2) Represente-se por meio do seu trabalho.
Isso tem cara de arte, não tem?

3)Evite estresse no trabalho.
Olha, em 20 anos no mercado, só tenho um testemunho: a única parte do trabalho que não tem estresse é as férias.

4) Se não está satisfeito, saia.
Essa é uma meia verdade. Porque o “saia”, ok, mas cumpra o combinado. Não precisa chutar o balde, bater a porta e deixar para trás um legado de coisas inacabadas.

5) Esses dias ouvi: Preserve seus momentos de ócio.
Gente! Alguém combinou isso com meu chefe?

Opa… opa… estou fugindo do tema.

Enfim, qual trabalho eu escolheria para minha filha? Comecei com requisito básico: um que desse dinheiro, algum pelo menos (excluído da lista, portanto, dar aula hehe). Ao mesmo tempo, que pudesse ter uma liberdade de horário e onde ela pudesse falar. Falar muito, o tempo todo (sorry, filha! se você está lendo isso, você sabe que é verdade). E, para dar uma dose de realidade para este desafio, pensei numa questão temporal: ela tem 15 anos!! Qual seria um trabalho que eu indicaria HOJE. Porque pensar num futuro hipotético, quem não quer um filho médico, advogado, engenheiro, astronauta, …

Hoje, eu veria minha filha num caixa do Starbucks, indicando o melhor café. E perguntando do seu dia, falando um detalhe do dela. Terminando um atendimento e indo para o outro.

— ouço a patrulha do politicamente correto: “mas você não acha que ela devia estar estudando para ser a astronauta?

L Ó G I C O ! !

Mas até um astronauta precisa de um café e um papinho nada a ver, às vezes, né? Melhor estar preparada!

😉


Estamos num desafio, eu e minha filha. Escolhemos uma carta da caixa de ideias e temos que escrever sobre. Cada uma no seu quadrado, uma sem ver o texto da outra. E, depois que publico o meu, vejo o dela e vice-versa – e eu coloco os dois no ar, juntos. Este texto é fruto desse exercício de criatividade e escrita. Abaixo, a produção dela!


Estou tensa.

Uma vez eu li meu livro da maternidade e tinha uma parte escrita “O que você acha que sua filhinha vai ser quando crescer?” E não tinha nada escrito em baixo. Ou seja, minha mãe teve 15 ANOS para pensar sobre isso.

No momento que ela viu a cartinha com o tema, seus olhos refletiram PURA MALDADE! Ela com certeza vai escrever algo esquisito, do tipo, ‘quero que minha filha seja astronauta’. Sem ofensas se você é astronauta, mas você é louco.

Se eu tivesse uma filha e quisesse sacanear com ela, escrever uma redação de 300 palavras sobre esse assunto seria a oportunidade perfeita. Isso é algo tão maldoso, que se você escrever no Google: “Qual trabalho você escolheria para seu filho – pesquisa” não aparece nada (nem mesmo se pesquisar em inglês).

Já dizia Alessandra Pinheiro (seja lá quem essa for): “Não me diga o que espera de mim, não me fale como agir ou condene meu jeito de ser”. Certeza que ela escreveu isso para a mãe dela. Se eu tivesse criatividade suficiente também escreveria meus dramas da forma mais dramática possível (P.S: uma ideia mãe! Dramaturga!

E outra, minha mãe está fazendo mestrado de educação em saúde (ou algo do tipo). E eu acho que ela faz em uma turma de médicos, então eu parei para pensar: e se minha mãe fosse médica? Aí eu desenvolvi esse pensamento para: e se minha mãe quiser que EU seja médica??? Eu daria uma péssima médica, na primeira oportunidade eu mandaria o paciente para uma ressonância mesmo pensando que ele estivesse apenas gripado. E ainda teria a cara de pau de dizer: “É só por precaução hehehe.”

Só quero deixar bem claro que só não reclamei do texto porque em algum momento pegaremos a cartinha “Describe a typical day from your high school experience” e eu terei a minha vingança.

Além disso quero dizer para a minha querida mãe: PENSE 2 VEZES ANTES DE MANDAR SUA RESPOSTA A ESSA CARTINHA!!!

Para além de… uma reflexão

Quando o “tipo assim” é promovido

Sempre tive problemas com esta expressão. Soa estranho, meio sem sentido.

Aí, ontem, navegando na internet…

… naqueles 90% de distração diária – entendedores entenderão – se não entenderem, só clicar aqui =P …

Encontrei esse post aqui, de 2013, falando sobre o assunto. Em 2013, Afonso Teixeira já dizia que era moda. Agora, tenho a impressão que é o “Tipo assim” do meio acadêmico. Se numa conversa de bar, a cada três frases, alguém solta um “era, tipo assim, [acrescente qualquer frase que você queira]“, numa discussão na universidade, ouve-se “para além dessas teorias”, “então, para além do exposto”, “para além desse autor…”.

Mas o próprio professor explora a língua no seu sentido mais acadêmico e explica:

(…) torna-se difícil explicar a origem da expressão “para além de”. A palavra “além” pode derivar do latim illinc (dali), segundo Corominas (eminente linguista espanhol); o problema dessa explicação é que ela não determina a mudança de sentido; pode derivar também de ad + ille (para aquele); “ad” é a preposição “para”; então “para além” seria uma redundância, uma vez que o “a” de “além” tem o mesmo sentido de “para”. No entanto, a origem etimológica do termo é, ainda, controversa. Seja ela qual for, “além”, no português, sempre foi usado no mesmo sentido que hoje se usa “para além”. Consequentemente, a expressão “para além” é, desnecessária, e não tem sentido de movimento.

E… tipo assim… para além dessa explicação, encerro esse assunto!


post scriptum:

e eu sei escrever exceção, o que deixa mais tempo para encontrar outras coisas (in)úteis na web! (se você não entendeu, volte 10 casas – ops, 5 parágrafos e veja o link)

=P

Tema 23/50: Engajar ou criar vínculo? Onde está a diferença?

Engajamento nem sempre cria vínculo. Porque vínculos são, na sua essência, pessoais

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 23 é: Chats, Webconferences e/ou Fóruns funcionam na EAD? Podemos perceber que em alguns casos, as participações de alunos ocorrem apenas para “marcar presença” e não são tão significativas. Chats podem ser monótonos, webconferences sem nenhum participante e fóruns não avaliados com pouquíssimas participações. Quais desses recursos e estratégias vocês acreditam que funcionam mais nos cursos EAD para reforçar os vínculos, fortalecer a comunicação e o engajamento entre alunos e professores/tutores? Como tornar esses recursos show e não chatos?


Há um mundo de ferramentas de comunicação web. Cada uma com características específicas e que atendem a objetivos distintos. Daquelas apontadas, um chat é uma comunicação mais direta pessoa-pessoa; um fórum, para uma discussão linear sobre um assunto específico; uma webconferência, para uma exposição unilateral, com intervenção mediada. Todas elas, ferramentas institucionais nas quais podemos promover/ter mais ou menos engajamento.

Para tornar esses recursos “show” o caminho mais certo é usar as estratégias de comunicação e marketing. Sim, marketing. É uma ciência que tem a promoção e o engajamento como resultado fim. Não sejamos preconceituosos. Admitamos que a multidisciplinaridade da educação a distância tem que se permitir alguns recursos ditos “comerciais”, feitos por profissionais da área. Só assim, criaremos shows de fato nesses canais de comunicação.

Mas… sempre tem um mas…

Quando falamos de vínculos, é preciso fugir do formalismo. Vínculos relações pessoais, criadas e mantidas por mecanismos pessoais. Por isso, para promover esse tipo de relação, é preciso se voltar para as ferramentas de mídias sociais. No Brasil, os vínculos em meio digital se dão, essencialmente, pelo WhatsApp.

Com isso, fecho relembrando: o primeiro caminho para resultados eficientes em EaD é o desenho educacional ser pensando e planejado de forma estratégica, sem perder o foco dos objetivos educacionais e de aprendizagem idealizados. Com isso, as escolhas, inclusive dos canais de comunicação, serão claras e as formas de otimizadas desde o início do curso.

Tema 22/50: Que medo louco é esse, de que a web substitua os clássicos?

Clássico é clássico. Ponto.

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 22 é: Na era digital há espaço para estudar os clássicos? Nos cursos on-line, o material didático produzido na forma de textos para os ambientes virtuais de aprendizagem, e que remetem aos links da Internet, parece estar se sobrepondo e prescindindo da literatura clássica das diversas áreas do conhecimento que geralmente circulam na forma de livros. Como impedir que isso aconteça? Quais estímulos dar aos alunos para que busquem a literatura de livros e revistas especializadas que circulam na forma impressa ou nas bibliotecas digitais? Como trabalhar o material didático produzido para cursos a distância, de forma que não seja substituto das literaturas clássicas e/ou de qualidade publicadas?


Para começar a discutir esse tema, é preciso fazer uma divisão de bananas e laranjas. Uma coisa é estudar os clássicos. Outra coisa é a forma de apresentar um clássico.


Pausa reflexiva

Adoro tecnologia. Amo de paixão!

Mas, algum tempo atrás, eu dizia para mim mesma que “livro, só impresso”. Quando reformei minha casa, mandei fazer um uma estante de livros de parede inteira. Cinco anos depois, me vi levando caixas e caixas de livros para a doação. Na estante, ficou a poeira e espaços vazios – Marie Kondo ficaria orgulhosa. Por quê? Um eReader, um Kindle. Ele me conquistou. Tenho mais de 500 livros comigo, sempre. Tudo lá.

Também era louca por caneta, lápis, bloco… Escrever, desenhar e colorir num caderno novo, uma sensação divina! Há três anos, comecei a usar tablets e telefone com “canetas”. Hoje, todas as minhas anotações, quando não são digitadas, são escritas numa tela.

Não deixei de ler. E penso que até leio mais, porque agora leio em qualquer lugar. Nem de fazer meus rabiscos, numa tela. Mudei a forma de fazer e me relacionar com livros e anotações.


Existem vários assuntos nesse tema. Um deles é o ensino dos clássicos. Gente! Clássico é clássio! É base teórica! É onde tudo começou. Não tem como fugir do ensino dos clássicos. Ponto.

Outra questão são os links de internet. Não, eles não substituem nada. Assim como estrada não substitui o destino, os links são caminhos que levam a um destino. Ou seja, ele pode ser o caminho até o clássico, até a referência certa.

Assim, o principal estímulo que vai levar o aluno às bibliotecas virtuais, às bases de dados confiáveis é, antes de tudo, uma estrutura de informação do curso bem montada e direcionada para o lugar certo. A segunda é afirmar e reafirmar a importância do conhecimento formal para a formação de base do conhecimento acadêmico.

A terceira e última questão é de fato a forma. E, com isso, inverto a pergunta: a sala de aula tradicional não substituiu a leitura dos clássicos. Assim, se o desenho pedagógico do EaD for feito da forma correta, também não vai substituir a literatura clássica. Ou seja, a forma de trabalhar o material didático – vídeo, texto, infográfico, hiperlinks… – é menos importante do que o desenho educacional que vai utilizar esse material.

Na criação de cursos, meu time tem cinco direcionadores para o design educacional, que ajudam na motivação para os clássicos:

  1. Provoque uma reflexão.
  2. Crie a necessidade do conhecimento.
  3. Mostre sua importância.
  4. Traga para o contexto do aluno.
  5. Provoque uma aplicação.

Garantia de sucesso, não há. Assim como também não há em sala de aula presencial. Mas acreditamos que se esses direcionadores contribuem para levar o aluno pelo caminho mais adequado.

=)

Somos feministas, pero no mucho

Dando um break na educação, para refletir: mulheres, como somos más umas com as outras…

Eu recebo um milhão de newsletters por dia e meu critério de seleção é o título. Confesso: quase todas vão para o lixo porque têm títulos que não merecem nenhuma consideração.

Mas hoje, apareceu: ” Somos todas #MeToo — até querermos à viva força que Bradley traia Irina”. E a portuguesa Marta Gonçalves Miranda, diretora executiva da MAGG, me surpreendeu com uma análise sensacional sobre a polêmica Lady Gaga – Bradley Cooper – Irina Shayk. Nada sobre o mimimi entre torno da situação. Marta trouxe à tona aquilo que sempre me incomodou: “ Somos todas feministas mas odiamos mulheres“.

Nos últimos tempos, nós, mulheres, assumimos um papel de defesa do feminismo de forma implacável. Levantamos bandeiras e vamos para as ruas. Mas, no fundo, lá no fundo, ainda somos as mesmas. A diretora executiva da MAGG nos chama de hipócritas – e não posso contradizer. Afinal, é fato que queimamos sutiãs quando nos convém. Escreve a Marta:

“Somos tão más umas para as outras. E Irina Shayk é apenas um exemplo no meio de tantos outros. É assim que costuma ser, não é verdade? Somos todas feministas mas odiamos mulheres. Aquela colega só pode ter sido promovida porque dormiu com o chefe, aquela amiga que anda a dormir com um homem casado tem desculpa porque a outra é uma idiota. Fomos traídas? A culpa é da outra cabra que se foi meter com o nosso namorado ou marido. Aquela rapariga foi violada? Que horror, mas… já viram como é que ela anda vestida?”

Ao longo do texto, ela ainda aponta algumas matérias para refletirmos sobre o assunto. Uma delas, do jornalista Fábio Martins, que descobriu quem afixou folhas em branco na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com a hashtag #WhyIDidn’tReport. Em poucos dias, as folhas estavam repletas de respostas. Entre elas “Queres é fama?”. É… de fato, somos cruéis.

O texto da Marta, na íntegra, chegou só por email. Não encontrei no site da MAGG. Então, vale se inscrever na newsletter e acompanhar.

=)

Tema 21/50: “Nóis vai e acabando fondo”, qual a receita da compreensão

Coesão, coerência e clareza: não é favor, é obrigação.

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 21 é: Os processos de interação dos cursos on-line, são feitos principalmente por meio de textos escritos. Mas na rapidez com que se dá essa interação on-line, muitas vezes a revisão, a qualidade e compreensão dos textos, podem ficar comprometidas. O que deve ser feito para evitar textos pouco claros e precisos e os erros de linguagem cometidos por professores e tutores? E essa questão poderia ser considerada como elemento avaliativo para os alunos?


Relendo minha resposta ao tópico anterior, fui, talvez um pouco categórica demais quando disse que sem internet não tem EaD online. Vendo este tópico, vou pelo mesmo caminho.

A rapidez na troca de informações escritas não podem justificar falta de coesão, coerência ou clareza da informação. Sem isso, o processo de aprendizagem e troca não existe por falta de compreensão entre as pessoas. Pessoas = todos os integrantes do EaD, aí inclusos professores, tutores e alunos.

Fazendo uma regressão, professores e tutores que têm problemas com coesão, coerência e clareza nas suas comunicações escritas não deveriam estar na EaD porque deles é esperado que se comuniquem com os alunos – no sentido mais simples da palavra comunicar: passar uma mensagem compreensível a outrem e estar passível de receber um feedback.

Ao aluno de um ensino superior, espera-se também que a capacidade da comunicação escrita esteja presente e, portanto, vejo sim como um elemento avaliativo do processo.

Neste ponto, coloco uma divisão. Quando falamos do processo comunicativo de forma geral, no ambiente online, estamos falando de conversas, no seu paralelo presencial. Ou seja, usar linguagem de chats, emojis, abreviações e afins é normal e esperado.

Por outro lado, os trabalhos acadêmicos são regidos pelas – famosas! – regras da norma culta da língua. E pela ABNT, é claro! =D Disso, não se pode abrir mão.


post scriptum:

Não existem erros de linguagem – que é dinâmica e mutável. Existem, sim, erros de português como língua, que tem suas regras, definidas pela sua gramática – só pra lembrar mesmo!

=)

Tema 20/50: E se a internet é limitada?

Não entre em sala de aula sem papel e caneta. Não se matricule num EaD online sem internet.

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 20 é: Sabemos que o acesso à internet ainda é limitado em algumas regiões do Brasil. Quais são as alternativas possíveis e/ou orientações que os alunos precisam conhecer para terem acesso à experiências cada vez mais utilizadas em cursos EAD como encontros ao vivo por webconferências ou até mesmo acesso às videoaulas? E quais são as estratégias que vocês utilizam quando estão com acesso limitado?


Minhas experiência com áreas de difícil acesso resultou na criação de adaptações no Moodle e formas de empacotamento que permitissem o carregamento dos conteúdos e o uso offline.

Mesmo assim, tem sido uma preocupação, a cada curso, a busca por recursos e tecnologias que permitam a redução da necessidade de banda para download de recursos – como a redução do uso de vídeoaulas e o uso de ferramentas alternativas “mais leves” para webconferências.

Do lado do aluno, é importante que ele esteja ciente de que, da mesma forma que não se vai para uma aula presencial sem instrumentos de anotação (papel e caneta, computador ou gravador), não se faz um curso EaD online sem internet.

Casos excepcionais ocorrem com todos. Em dia de provas, meu ônibus pode quebrar, assim como pode faltar luz na minha casa na data da entrega de um trabalho ou participação num forum. Como sempre, caso a caso precisam de regras e de avaliação. Cabe à instituição informar ao aluno das questões e como resolver.

Tema 19/50: Como escolher um curso EaD?

“Se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia” (Minha Avó)

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 19 é: Os cursos superiores EAD (em instituições de ensino privado), em sua maioria, são mais acessíveis financeiramente do que cursos presenciais, mas, ainda comprometem com sacrifício, parte da renda dos alunos que muitas vezes não podem correr riscos de uma escolha errada. Quais são os principais cuidados que vocês aconselham os candidatos na hora de escolherem um curso EAD?


Comecei escrevendo uma lista imensa – e não exaustiva – sobre como fazer a melhor escolha. Aí lembrei da frase com que minha avó: “Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia.”.

Assim, fico com o básico: a reputação da instituição de ensino. Se ela entrega um bom curso presencial, é provável que te entregue um bom em outra modalidade também.

Há garantias? Não. Porque o processo de aprendizagem é pessoal. Aquela aula, aquele curso, que fez diferença na minha vida, pode ter sido a pior experiência de aprendizagem para outra pessoa.

Esse é o meu conselho. E não vendi porque nem deve ser tão bom assim!

=D

Tema 18/50: Orador ou conteudista? Quem é o professor online?

Quem precisa ser bom orador é palestrante. Para criar experiências de aprendizagem positivas é preciso de um time

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 18 é: Conteudista ou orador? O modelo do ensino presencial ainda é baseado, principalmente, em aulas expositivas. Já na educação a distância, outros recursos mais elaborados (textos, vídeos, podcasts) são utilizados para comunicação e interação entre alunos e professores. Nesse sentido, o professor virtual precisa ser melhor autor, escritor, roteirista, curador, designer do que orador e expositor? Quais são as habilidades que vocês consideram serem mais importantes para o professor?


O modelo de palco, como chamo – aquele que o professor chega e fala, fala, fala – já era. Já era no sentido de que não deveria nem mais ser mencionado como tal, no contexto de hoje. Queria muito dizer que ele acabou, mas ele ainda persiste e insiste em várias instituições. Esse tipo de pessoa pode ter título de professor, mas não o é de fato.

Falemos do professor atual, dos dias de hoje, dos millenials. Mesmo o professor do presencial, ele é muitas coisas, mas não é um orador. Ele evoluiu para mediador, moderador, orientador. Deixou para os palestrantes o palco e desceu para as rodas de conversas e discussões com os alunos.

Agora, falemos do online. O professor online tem uma papel semelhante. Ele escolhe os melhores conteúdos, ele os organiza e apresenta para o aluno via web, em formatos multimodais – texto, som e imagens tudo junto e misturado.

Na minha experiência de produção de cursos, o professor online não precisa ser melhor em nada. Ele continua sendo um curador, ao escolher os melhores companheiros teóricos e práticos para apresentar aos alunos, um orientador nesses caminhos um mediador e moderador quando necessário intervenção. Mas esse professor trabalha em equipe. No presencial, sua equipe é o aluno, no online, sua equipe é formada por designs educacionais, gráficos, de linguagem e profissionais de TI.

Juntos, todos constroem uma experiência de aprendizagem significante para os alunos, o professor e para esse novo time de profissionais que tornam a educação online realidade.


post scriptum

Conheço professores péssimos oradores. Na frente de um auditório, não articulam uma palavra. Ao entrar numa sala de aula, são inesquecíveis.