Tema 7/50: A distância e presencial precisam de currículos diferentes?

Cometemos bulling com o EaD quando pensamos em currículos separados

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 7 é: O currículo de um curso a distância deve ser igual ao de um curso presencial, mantendo a estrutura de disciplinas e currículos dos cursos presenciais? Quais são as vantagens e desvantagens para a oferta e para a formação de experiência dos alunos?


Neste assunto, volto ao tema presencial X a distância/online. Só vamos avançar tanto em qualidade como em aceitação equânime do ensino a distância quando nós mesmos, profissionais da área, assumirmos que não há mais essa diferenciação na vida real. Claro que os formatos priorizam uma ou outra metodologia, forma ou tipo de mídia, mas eles se entrelaçam.

Hoje, o ensino a distância está entrelaçado nas modalidades “ditas” presenciais – isso vai desde o atendimento do professor via email até a disponibilização dos conteúdos da aula e das próprias reflexões em ambientes como repositórios ou blogs. E, em cursos a distância, percebe-se a movimentação dos alunos para encontros presenciais. Ou seja, seguimos o dito popular: está tudo junto e misturado.

Outro ponto a favor do currículo único é, de fato, a qualidade do próprio cursos. Parece ser no mínimo estranho, por exemplo, uma mesma instituição oferecer um curso de Pedagogia presencial com um currículo e EaD, com outro. Com isso, dois profissionais formado na mesma instituição, num mesmo curso, se um em EaD e outro presencial, eles teriam conhecimentos e habilidades diferentes. Esse cenário, ilógico para mim, reforçaria ainda mais as diferenças e aceitação (ou dificuldade dela) em relação ao EaD.

O que não posso deixar de dizer é que, manter o mesmo currículo em duas modalidades não é um trabalho fácil. Inclusive, é um desafio para os educadores, professores e produtores de conteúdo que deve ser enfrentado de frente se quisermos uma educação de qualidade inclusive em EaD.

Tema 6/50: Limitações e possibilidades de inovação em EaD

Tudo é possível mas nem tudo nos convém (ou podemos pagar por!)

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 6 é: Com o surgimento exponencial de tecnologias, recursos e mídias, há um estímulo constante para revolucionar e inovar a tradicional estrutura das Instituições de Ensino Superior. Quais são as limitações e possibilidades de inovação que vocês vislumbram no Ensino Superior a Distância?


As limitações e as possibilidades estão sempre relacionadas aos objetivos iniciais do curso e aos recursos disponíveis – tanto financeiros quanto de prazo, afinal, tempo é um recurso escasso! Um exemplo recente que vivi foi em relação a utilização do microlearning.

A ideia inicial seria montar todo um programa de formação em saúde, sobre um determinado tema, no formato de microcursos conectados por trilhas de aprendizagem. Assim sendo, começou o trabalho na frente tecnológica e de conteúdo para concretizar a proposta. Ao fim e ao cabo, em termos de tecnologia, havíamos resolvido todas as questões, inclusive as ideias mais inovadoras e disruptivas. Mas descobrimos que nem todo o conteúdo em saúde é possível de ser transformado em cursos nesse formato.

Concretamente, os limites tecnológicos normalmente são balizados pelo aporte financeiro, enquanto inovações pedagógica, essas dependem dos objetivos educacionais de de aprendizagem aos quais o curso se propõe e às exigências como trabalhos de conclusão, interação sincrônica, canais diferenciados para tutoria, entre outros.

É importante ressalvar que um curso pode ser completamente inovador numa área e tradicional em outra, sem que isso defina seu potencial de estimular aprendizagem. Afinal, isso depende do aluno, do seu estilo de aprendizagem e do seu contexto. =)

Tema 5/50: Atuar em EaD: quais os desafios e pré-conceitos precisam ser superados pelos professores “presenciais”?

Coisas externas criam desejos. A motivação? Ela vem de dentro de cada um.

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 4 é: O que fazer em caso de pane tecnológica? Como a IES pode manter os alunos motivados e interessados em caso de uma pane tecnológica no ambiente virtual? Como aluno, é possível, durante a pane, se manter motivado, estudando de forma autônoma? Quais são os planos “B” recomendados?

Gente, desculpa, vou ser polêmica, mas não podemos confundir motivação com desejo. Uma pane tecnológica não pode ser fator de motivação do aluno primeiro porque motivação é um fator intrínseco e a tecnologia é uma ferramenta que influencia na experiência do aluno com o curso – o que pode provocar desejo.

Pensem comigo: eu quero andar de bicicleta. Compro uma bicicleta. E ela não anda. Qual a seu primeiro sentimento? Devolver a bicicleta. Ou seja, o fato dela não funcionar não muda seu desejo de andar de bicicleta. Você só não vai mais querer aquela bicicleta. Aí, você pode trocar de marca, por exemplo. Ou, se ela for, por exemplo, um meio de transporte, você muda de meio. A motivação – o ato de andar ou o deslocamento – continuam dentro de você e vão de encontro com o desejo de querer continuar usando uma bicicleta que não funciona.

Agora, voltando para a pane tecnológica em EaD. Isso vai acontecer com você. Com todos nós (se já não aconteceu hehe). E o que precisamos é um bom relacionamento aluno-IES. Isso é fundamental! Um plano de contingência (também conhecido como “bom planejamento”) para as situações possíveis de serem imaginadas e serenidade para aquelas que, de fato, não têm solução também dão segurança para os possíveis contratempos tecnológicos. Se afetar data de entrega de trabalhos, novas datas, mais flexibilidade. Se for na disponibilidade de vídeos, outro recursos que atenda. Se for o sistema de tutoria, meios de comunicação alternativos… E a lista vai ser longa.

Do ponto de vista do aluno, uma pane é algo excepcional, porque ele está seguro de que vai ser resolvido. Ele tem confiança na sua IES. Construindo relacionamentos de confiança com o aluno e tendo à disposição alternativas para o seguimento do seu processo de aprendizagem, o impacto é menor, acreditem.

Sobre como se manter motivado para estudar de forma autônoma, essa é uma característica inerente à pessoa. É pouco provável que uma pane eventual tenha reflexos significativos na sua rotina padrão de estudos. Além disso, o aluno de EaD tem que ter a habilidade de se desenvolver de forma autônoma, caso contrário, ele não será um aluno de EaD. Mas isso é outra discussão =)

Tema 4/50: Forma ou conteúdo? O que é mais importante em EaD?

Forma e conteúdo constroem um sentido. Quem disse não fui eu. Foi Barthes. Eu só concordo!

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 4 é: O que realmente importa para EaD: a forma ou o conteúdo e quais são os recursos e atores que fundamentalmente colaboram na concepção e forte de um curso a distância de excelência?

Considero ultrapassada a discussão conteúdo X forma. Hoje, nos tempos do multimídia, multicanal, multitarefa, multitudo, um não existe sem um outro. Um bom EaD é, portanto, o conjunto do conteúdo e da forma. É o conjunto que vai ser sentido à aprendizagem.

Por vezes, o conteúdo define a forma. Outras, é a forma que define o tipo de conteúdo. Tudo depende dos objetivos educacionais de de aprendizagem definidos no planejamento inicial.

Assim como conteúdo e forma não podem ser dissociados, entendo que será o conjunto de habilidades nas duas áreas é o que garante a concepção de um curso a distância de excelência. Digo habilidades porque é recorrente que a mesma pessoa/ator, desempenhe multipapéis. Contudo, o que percebo no trabalho diário de produção de cursos, é a necessidade de um núcleo de base que deve ser composto por quatro atores:

  • design educacional: responsável pelo planejamento didático-pedagógico, definição dos objetivos educacionais e de aprendizagem e acompanhamento da produção dos conteúdos e treinamento dos tutores;
  • produtores de conteúdo: trabalham junto ao design educacional e são responsáveis pela curadoria e criação dos materiais didáticos que atendam aos objetivos propostos;
  • especialista em linguagem digital e meios online: responsável pela adequação dos conteúdos aos melhores meios que atendam aos objetivos educacionais e de aprendizagem;
  • design gráfico/web: trabalha junto com o especialista em linguagem digital no estudo e escolhas visuais e de interação que atendam os conteúdos propostos (digitais, online e impressos, quando forem necessários para interações presenciais);
  • desenvolvedor: trabalha junto com o design na escolha das melhores ferramentas tecnológicas e digitais que permitam concretizar o ambiente online proposto e atua na manutenção do ambiente.
  • equipe de tutoria: responsável pela interação com o aluno.

Entendo essa como a base humana para produção de um curso de qualidade. Em relação aos recursos, um LMS compatível, servidores e equipes de TI que atendam a amplitude necessária é fundamental, além dos pólos presenciais, quando necessário. Mas a necessidade efetiva dos recursos físicos e tecnológicos só pode ser mesurada e definida “ideal” caso a caso – a depender do planejamento do curso.


Quem foi Barthes (1915–1980)?

Foi esse carinha charmosinho e fumante, aí do lado. Bathes foi um pensador francês, referência nos estudos de linguagem.

Para saber mais um pouquinho sobre ele, veja essa matéria do acerto do jornal O Globo: Roland Barthes, o pensador francês que jogou um novo olhar sobre a linguagem .

Agora, se você quer saber muitão mais, dá uma olhada nos livros que ele escreveu.

Tema 3/50: Ensino Superior 100% a distância é possível?

Nada nunca é 100%, nem a distância

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós.

O tema 3 é: Ensino Superior 100% a distância: as IES estão realmente preparadas para a oferta? Com o volume crescente de IES credenciadas e cursos autorizados para EaD, além de preencherem os requisitos do MEC, as IES estão realmente investindo, se reestruturando e se reinventando para a modalidade? Quais os principais avanços notados nos últimos anos?

Ao trabalhar com educação online no campo da saúde, precisamos entender como a EaD funcionaria nesse contexto. Nossos achados apontam que nem tudo pode ser 100% a distância. Talvez o desenvolvimento das TICs ajude a mudar isso e vai ser possível, num futuro bem próximo. Em outras áreas do conhecimento, avalio que será necessário ainda mais pesquisas para entender o que será possível oferecer 100% a distância a curto, médio ou longo prazos.

Apesar do boom dos cursos na modalidade à distância, nos últimos anos, não percebo um investimento significativo nesse campo, principalmente no que diz respeito as metodologias ensino-aprendizagem. Muitas vezes, as instituições priorizam investimento em infraestrutura física e esquecem que o relacionamento aluno -ambiente de aprendizagem – conteúdo depende de outros fatores como desenho pedagógico, adequação de linguagem e desenho de interação aluno-máquina.

Os avanços percebidos estão bastante focados nas tecnologias digitais – ambientes online diferenciados, por exemplo. Contudo, ainda não vejo evolução nas metodologias educacionais e pedagógicos em sim. Ainda fazemos EaD online como no sua origem. Ainda há um caminho promissor para inovações em EaD!

post scriptum…

Um ponto que acabei não mencionando na discussão online, mas que me ocorre agora, que preparo esse post, é a reflexão sobre que é “a distância” nesse mundo onde as ferramentas de áudio e vídeo via web são comuns? Estar separado fisicamente, hoje, não quer dizer estar presente sincronicamente, via Skype, Appear.in, FaceTime, Messenger, WhatsApp. Um exemplo concreto disso são as bancas de mestrado e doutorado que já são compostas por pessoas que estão do outro lado do mundo. Esse é nosso novo mundo, conectado, conectando e conectível!

Pensando nisso, o que é distância para você hoje?

Tema 2/50: Atuar em EaD: quais os desafios e pré-conceitos precisam ser superados pelos professores “presenciais”?

É preciso superar a ideia de que existe educação presencial e online. Hoje, o online é parte da educação em qualquer contexto.

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós.

O tema 2 é: Quais são so desafios e pré-conceitos que precisam ser superados pelos docentes exclusivamente presenciais para ingressarem suas atividades na EaD? Há habilidades exclusivas para EaD que eles precisam desenvolver? Para aqueles que atuam nas duas modalidades, é mais “fácil” atuar na EaD ou no presencial?

Os docentes “presenciais” precisam, primeiro, acreditar na Educação a Distância. Ainda há muita resistência, não só deles, mas da sociedade como um todo no que diz respeito a atividades educacionais nesse formato. Na produção de cursos, quando um professor “presencial” acredita que vai ser possível transmitir seu conteúdo em EAD, a própria atitude dele muda em relação aos meios que serão usados.

Penso que, entre as habilidades que eles precisam desenvolver, elas estão diretamente ligadas às tecnologias web, suas ferramentas e recursos. Mas não considero uma habilidade exclusiva da modalidade a distância. Hoje, o domínio da web e dos recursos online já pode ser considerado uma habilidade para a vida.

Os professores que atuam – e entendem – nas duas modalidades (presencial e à distância) sabem aproveitar mais todos os recursos disponíveis em todos os contextos. E, como em tudo na vida, é mais fácil fazer o que já sabemos.

Agora, temos que pensar mais a respeito da dicotomia presencial X online (que passo a utilizar como representativo ao EAD, visto que esse é o meio padrão hoje). Na minha opinião, ela não existe mais na educação. O professor presencial, de alguma maneira, vai precisar se comunicar com seus alunos e vai, invariavelmente, usar algum meio online (email, mensagens de telefone, grupos em redes sociais… )

Assim, talvez o desafio maior é mostrar àqueles que se entendem como “docentes presenciais” que isso não existe mais.

E falando sobre competências. Uma das coisas que aprendemos na produção de cursos é que o EAD é uma obra coletiva. O especialista tem o domínio do conteúdo mas, para um curso de qualidade ser criado – e quando ele não tem habilidades de comunicação e linguagem necessárias – , é preciso da colaboração de um profissional que tenha. Às vezes, é o design educacional, outras um profissional de linguagem e/ou design.

Tema 1/50: Educação Superior a Distância pode ser uma forma de inclusão social?

Para ser inclusivo, é preciso pensar o aluno, nas formas como ele se conecta e nas tecnologias que vamos querer que ele tenha acesso

A partir de hoje, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nósO tema de hoje é: A Educação Superior à uma forma de inclusão social, considerando a situação econômica do país, a fluência digital da população, a acessibilidade dos recursos digitais e o acesso à infraestrutura tecnológica exigida para os estudos?


A Educação Superior a Distância pode ser uma forma inclusão social porque amplia e facilita o acesso. Amplia porque é potencialmente mais abrangente, atingindo mais pessoas. Facilita porque, ao ampliar o alcance, torna mais acessível a um número maior de pessoas.

Quando considerada a situação econômica do país, tem-se alguns pontos a serem observados. O primeiro é a situação das instituições de ensino e o segundo é a da sociedade. Em relação à primeira, as instituições têm ofertado cursos à Distância são instituições privadas, cuja capacidade de oferta de cursos de qualidade é maior. Isso devido aos maiores investimentos e o própria mensalidade cobrada pelo curso. Atentem-se! Não digo que os cursos são de maior qualidade, mas que a capacidade para fazê-los existe.

Quando analisada a situação econômica da sociedade, basta dizer que as classes C, D e E correspondem a mais de 70% da população brasileira (veja os dados do IBGE sobre renda per capita). Essa situação sócio econômica aumenta a necessidade de um ensino superior mais acessível, inclusive, em termos financeiros. O que é possível via EAD.

Em relação à fluência digital da população, é importante ressaltar 70% dos municípios brasileiros têm acesso à internet. O dado aponta para um acesso maior e crescente aos ambientes online. Contudo, um dos fatores importantes a serem lembrados é que os smartphones são a forma mais comum de acesso a web, no país. Esse tipo de acesso é devido ao custo mais baixo do acesso pelo celular. O que nos leva aos pontos da acessibilidade dos recursos digitais e do acesso à infraestrutura tecnológica exigida num curso.

Para que o Ensino Superior a Distância possa ser um fator de inclusão social, é preciso que sua concepção leve em conta formas de acesso e suas tecnologias. Cabe ao desenho do curso garantir que ele seja acessível. Ou seja, o planejamento deve levar em conta o acesso mobile e de baixa velocidade e conceber recursos educacionais que sejam compatíveis – técnica e pedagogicamente – ao contexto do aluno.

Com isso, concluo que o Ensino Superior à Distância é um fator de inclusão social. Porém, se, e somente se, a sua concepção levar em conta o aluno e, assim, se oferecer como uma porta de entrada para o mundo acadêmico.

Vejam mais sobre acesso a internet

Brasil tem 116 milhões de pessoas conectadas à internet, diz IBGE – G1

Celular se torna principal forma de acesso à internet no Brasil – EBC

Mais de um terço dos domicílios brasileiros não tem acesso à internet – EBC

EAD: 1,5 milhão estuda a distância no Brasil – Veja

Os novos donos da internet: Classe C, de conectados – Google

Hoje, lembrei de Pessoa

Fernando. Pessoa. Talvez devesse lembrar com mais frequência . Antes tarde do que nunca, já diz o ditado.

No mundo rápido, por vezes etéreo – e até líquido -, fazemos coisas por fazer e aceitamos outras pelo simples fato de que isso torna a vida mais simples. E nem sempre somos nós ali, refletidos. Cada vez que fingimos um sorriso, escolhemos uma palavra diferente daquela que realmente queríamos dizer, pensamos e não fazemos, fazemos e não acreditamos,… cada vez, diminuímos um pouco. Qual uma uva passa, secamos.

Aí entra Pessoa, que aqui não é o Fernando, mas Ricardo Reis – uma de suas tantas pessoas…

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). – 148. 1ª publ. in Presença , nº 37. Coimbra: Fev. 1933.

E eu… nada mais tenho a escrever!

=)

Linguagem neutra e mais um dos mimimis da vida

Imagem: MET – Vincent van Gogh – 1890 – L’Arlesiènne

Aí eu cruzo com um artigo do Medium “Escrever com ‘x’ não é linguagem neutra”.

Se você trabalha com texto, comunicação e linguagem, como não ler.

O texto é uma crítica aos marcadores de gênero ‘x’ e ‘@’ com propósito de linguagem neutra.

//pausa para explicação//
o que é essa tal de linguagem neutra, afinal?

A linguagem neutra é um conceito que defende uma expressão linguística sem sexismo. Os ativistas defendem que, ao utilizar uma linguagem neutra, mais indivíduos são incluídos no discurso.

O Nexo Jornal fez uma matéria interessante sobre o tema aqui. Vale ler!

//voltando ao assunto…//

As línguas que usam o masculino como padrão para as generalizações tem se preocupado com isso, afinal, o discurso de igualdade se espalha como grama. É o caso do francês. Eles discutem bastante sobre sobre escrita inclusiva. Atenção para o nome que eles dão para o assunto. Não falam de sexismo, mas de inclusão.

Peraí…

//nova pausa//

Pensa aí: qual seria a diferença entre sexismo e inclusão? Eu não vou entrar nisso. Pensa você e tira suas próprias conclusões =P

Se você lê em francês, Laurent Joffrin, do Libération, falou sobre linguagem inclusiva aqui.

//voltando a programação normal…//

O texto que eu falei lá em cima cita quatro argumentos para abandonar o X e o @, com a finalidade de ser menos sexista. Vamos a eles:

#1 É impronunciável e, portanto inaplicável à língua falada

É… tipo… então… Só para esclarecer, a língua falada e a língua escrita são diferentes, sim! – só pra relembrar, caso alguém não tenha notado. Se seguirmos a linha de pensamento do “impronunciável, vamos ter que abolir os emojis, né gente! Porque, também, só para os desavisados, emoji não se aplica à linguagem falada, né? [emoji da piscadinha]

#2 Não inclusivo para deficientes visuais ou auditivos

Já sobre os deficientes visuais e auditivos, concordo que, para os primeiros, sempre deve haver o plano B. Mas quem tem dificuldades de ouvir, vai ver a representação visual – por a deficiência é auditiva… né? Dãh!

Ponto. Parágrafo.

#3 Não é passível de ser utilizado no mundo fora da bolha da internet sendo, portanto, extremamente elitista.

Bom, essa eu não entendi, afinal eu posso escrever # ou @ numa folha de papel, com meu lápis Faber Castell. Também posso usar numa máquina de escrever…

#4 Isso dificulta, e muito, a vida de quem tem dislexia e dificuldades de leitura.

Ihhh! Nessa eu não tenho conhecimentos para argumentar. Se alguém quiser se manifestar, please!

#5 Não resolve o problema do sexismo na linguagem porque não mexe em sua estrutura.

Outro ponto meio confuso pra mim. A linguagem está sempre em mutação e o que define as mudanças é seu uso social – e posso ficar mais outro post só falando disso.

Mas o ponto é: em que medida o “x” ou o “@” vieram para ser neutros? Será que não são apenas parte das mudanças contínua da linguagem? O que de mais neutro existe além de usar um símbolo que permite que cada um use o que quiser, elevando ao máximo a individualização da mensagem?

Todxs, alun@s, amigxs, … quão democrática é uma expressão que permite que cada um se reconheça, sem excluir o outro….!

Car@s! (aiii como eu gosto do @ )

Relaxem! Não é uma letra ou um artigo numa frase que define ser ou não sexista.

Sexismo é conjunto de ações. É com suas ações que você precisa se preocupar!

#ficaadica

Não é a imprensa. São as pessoas!

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Acabo de ver a seguinte imagem, parte de uma campanha da União Nacional dos Estudantes (UNE).

*  *  *

Sou jornalista. Fui imprensa por muito tempo e admito que não existe imprensa isenta. O ato de comunicar, por si só, não é isento de opinião.

Os jornalistas, escritores, colunistas,…  imprimem em seus textos e discursos crenças e ideologias, seus pontos de vista. Isso não é errado. Isso é, sim, natural. Afinal, sua existência como ser humano é baseada nas suas crenças e não há motivos para privar os comunicadores disso.

Como não existe uma opinião neutra, não existe imprensa isenta de opinião. Por trás de cada veículo, há seres humanos, pensantes, que têm cabeças tão diversas quanto o número de estrelas do universo. E não é por suas estrelas que o céu é tão belo?

*  *  *

Quando leio a frase da UNE – A imprensa fará você odiar… e amar – sinto um misto de horror, desilusão e descrença.

Não! A imprensa não tem o poder de fazer alguém amar ou odiar. São pessoas. Pessoas são responsáveis por suscitar sentimentos. Pessoas sentem.

À imprensa, dar-se lhe um poder que ela não tem, uma responsabilidade que não lhe cabe.

Porque, na verdade, quem incita amor ou ódio são pessoas. Pessoas como esta, que usou as técnicas de comunicação e persuasão para fazer a peça publicitária. Para vender uma ideia sobre a imprensa. Para destacar, não por acaso, em vermelho, as palavras: odiar e os opressores.

A desilusão e a descrença crescem à medida que percebo o quanto a UNE – e tantas outras instituições – acreditam que a liberdade de expressão só é válida se essa expressão é igual a deles.

O problema, no fundo, não é da imprensa. É sim da incapacidade de conviver com opiniões e posições contrárias. E de atribuir ao diferente o ódio.

*  *  *

À UNE, que também é feita de pessoas com opiniões, crenças e ideologias – e com responsabilidades tão ou maiores que a da imprensa -, caberia mais atenção com o emprego das palavras ódio e amor. Caberia aceitar que a imprensa é canal. E que existem vários canais disponíveis, com várias pessoas, com várias ideias – inclusive, há, dentro do pacote ‘imprensa’, aquela que concorda com suas opiniões. Caberia, por fim, entender, que ter uma imprensa livre é o primeiro sinal de democracia e liberdade de expressão. E que, lá no fundo, é isso que queremos: liberdade de expressão.