Não é a imprensa. São as pessoas!

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Acabo de ver a seguinte imagem, parte de uma campanha da União Nacional dos Estudantes (UNE).

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Sou jornalista. Fui imprensa por muito tempo e admito que não existe imprensa isenta. O ato de comunicar, por si só, não é isento de opinião.

Os jornalistas, escritores, colunistas,…  imprimem em seus textos e discursos crenças e ideologias, seus pontos de vista. Isso não é errado. Isso é, sim, natural. Afinal, sua existência como ser humano é baseada nas suas crenças e não há motivos para privar os comunicadores disso.

Como não existe uma opinião neutra, não existe imprensa isenta de opinião. Por trás de cada veículo, há seres humanos, pensantes, que têm cabeças tão diversas quanto o número de estrelas do universo. E não é por suas estrelas que o céu é tão belo?

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Quando leio a frase da UNE – A imprensa fará você odiar… e amar – sinto um misto de horror, desilusão e descrença.

Não! A imprensa não tem o poder de fazer alguém amar ou odiar. São pessoas. Pessoas são responsáveis por suscitar sentimentos. Pessoas sentem.

À imprensa, dar-se lhe um poder que ela não tem, uma responsabilidade que não lhe cabe.

Porque, na verdade, quem incita amor ou ódio são pessoas. Pessoas como esta, que usou as técnicas de comunicação e persuasão para fazer a peça publicitária. Para vender uma ideia sobre a imprensa. Para destacar, não por acaso, em vermelho, as palavras: odiar e os opressores.

A desilusão e a descrença crescem à medida que percebo o quanto a UNE – e tantas outras instituições – acreditam que a liberdade de expressão só é válida se essa expressão é igual a deles.

O problema, no fundo, não é da imprensa. É sim da incapacidade de conviver com opiniões e posições contrárias. E de atribuir ao diferente o ódio.

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À UNE, que também é feita de pessoas com opiniões, crenças e ideologias – e com responsabilidades tão ou maiores que a da imprensa -, caberia mais atenção com o emprego das palavras ódio e amor. Caberia aceitar que a imprensa é canal. E que existem vários canais disponíveis, com várias pessoas, com várias ideias – inclusive, há, dentro do pacote ‘imprensa’, aquela que concorda com suas opiniões. Caberia, por fim, entender, que ter uma imprensa livre é o primeiro sinal de democracia e liberdade de expressão. E que, lá no fundo, é isso que queremos: liberdade de expressão.

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Aí, só o vazio…

A pior coisa é quando você se propõe a criar uma rotina para escrever, passa o dia pensando em mil assuntos para falar, senta na frente do computador e então…
– a mente fica vazia –
Todos os assuntos somem e, entre uma orelha e outra, surge um vácuo.
Para onde vão todas as ideias nessa hora? Onde está aquele turbilhão de palavras que ficam dançando na mente, quando a gente não tem um teclado por perto?
Aí, só o vazio…
vazio

A epidemia do …ista

Assim, as pessoas estão surtadas com essas questões de preconceito. Tudo agora ofende, tudo é racista, sexista, ou qualquer outro …ista.
Na última aula de inglês, discutindo metáforas, significados ocultos, essas coisas, uma colega surtou porque se associou a imagem da mulher à cozinha. E na mídia corre a notícia de que um funcionário entrou na Justiça por danos morais porque no mural da empresa colocaram uma brincadeira: quem trabalhasse naquele setor da economia, não pode ter vida própria (veja aqui: http://classificados.folha.uol.com.br/empregos/2014/11/1543031-oi-e-condenada-por-afixar-mandamentos-da-telefonia-como-nao-teras-feriado.shtml). Até acusar a Gina Indelicada (um perfil de Facebook, pelamordedeus! – https://www.facebook.com/GinaIndelicada) de ser racista porque falou do cabelo ensebado.
Na minha singela opinião, as pessoas emburreceram e, como não conseguem mais identificar o que é uma ironia, uma brincadeira, coloca tudo na conta do preconceito, racismo… blá blá blá… Quando não se consegue identificar o real sentido da fala do outro, da frase, da proposição, entra-se no modo defensiva e a prática mais comum tem sido apontar o dedo e gritar: PRECONCEITO!
O preconceito começa na cabeça dessas pessoas. São elas que alimentam esse sentimento, não deixando a vida fluir. Sim, elas procuram pelo em ovo! Pronto, falei!
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E é assim que se estimula as diferenças, sendo diferente.

Emojis terão tons de ‘pele’ diferente do amarelo para ampliar diversidade http://glo.bo/1okYeIW  #G1

ista
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Diploma de jornalista e salário de estagiário? A culpa não é da empresa!

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Sou jornalista. Formada há mais de 15 anos. E sempre foi assim: um mercado saturado, onde empresas querem muito e pagam pouco.
Fico acompanhando discussões intermináveis sobre o abuso do anúncio de vagas com listas extensas de pré-requisitos e um salário de estágio. Indignados, jornalistas são um sem fim de reclamações.Opa! Peraí! Como assim?!Primeiro, isso se chama mercado de trabalho – e mercado segue a regra básica de oferta-procura. Mais oferta de jornalistas, menores salários são possíveis. Possíveis, não aceitáveis. E se há tantas vagas com esse salário, alguém parou para pensar que EXISTE SIM jornalista que aceita essa condição?

Além disso, a proliferação dos cursos de jornalismo criou um contingente de profissionais desqualificados. Para muitos deles,  pelo que fazem e pela sua capacidade, esse salário até é de mais (sim, eu acho isso! # prontofalei).

Fato posto, passou da hora de (nós, jornalistas) pararmos de reclamar das empresas. São culpados, na verdade, os profissionais mal preparados que entram no mercado e não buscam mais qualificação porque lhes basta o registro profissional e a carteira da FENAJ; as pseudo faculdades, que formam jornalistas medíocres, que não conhecem o mandamento mais importante sobre o uso da vírgula (“jamais separarás o sujeito do predicado”); e, acima de tudo, os jornalistas que aceitam receber abaixo do piso  da categoria, e permanecem nessa situação, apenas reclamando no final do mês.

Se você se reconheceu nesse papel, está na hora de se mexer. Se você se reconheceu como um acusador eterno das empresas, comece a apontar o dedo para o lado certo. Se você concorda comigo, ufa!, é bom não estar só!

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