Mil coisas...

Quem não sabe brincar, não desce pro play

ImagemEntão é assim:

Eu não concordo com a política de professores temporários para as escolas públicas e eu vou para a porta da escola e não deixo os professores entrar no prédio.

Eu não concordo com o preço da passagem de ônibus e vou para a rua gritar com o cobrador.

Eu não concordo com a política de cotas nas universidades e vou para as salas de aula brigar com os estudantes.

Aí, eu não concordo com a política do governo de trazer médicos de outros países para o Brasil e eu vou para o aeroporto vaiar os médicos.

Gente, não é assim que se brinca. Independente do motivo pelos quais eles tenham vindo para o Brasil, das circunstâncias ou mesmo dos apoios que tiveram, cada um dos que desembarcaram aqui são tão profissionais quanto eu e você – e, penso, muito mais dignos do que aqueles que os estavam vaiando. São pessoas que estudaram e, pelas imagens da imprensa, são bastante experientes (eu não vi ninguém com cara de saído da faculdade).

O povo tem uma tendência a concentrar sua raiva e desgosto para o lado errado. Se culpabiliza a consequência e não a causa – o professor, o cobrador, o médico cubano. O problema dos ‘enjalecados’ brasileiros é entre eles e o governo. Tentar transferir a culpa para um colega – SIM, ELE É UM COLEGA! – é injusto e mesmo cruel.
Afora questões políticas, de mercado, de ideologias, o fato é que, cubanos ou não, estamos finalmente colocando médicos em lugares distantes. Com ou sem recursos, não é o caso. O Haiti não tem recursos, a Etiópia também não e o interior do Brasil, pode ser, muitas vezes, comparável a esses dois países. Mas o Haiti, a Etiópia e todo o Brasil tem o direito a um médico.

Assim, se você não quer ir para onde precisam de você, não condene que vai. Se a estrutura e os recursos estão tão ruins que você não quer assumir o risco, deixe alguém tentar. Se não der certo, para a população, ainda se aplica o ditado popular ‘pior não fica’. E você ainda poderá aplicar a famosa frase ‘eu não disse!’.
Agora, se der certo, o povo agradece. E você,… bom…

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Euzinha, Mil coisas..., Notícias

Gente é commodities?

Não é uma questão de concordar ou não com a vinda dos médicos cubanos para o Brasil, mas sim, de ser justo.

Na coluna Painel (Folha de S. Paulo, de hoje):

Mais-valia cubana O Itamaraty e o Ministério da Saúde travam uma negociação dura com o governo de Cuba, intermediada pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), a respeito do valor que será pago aos médicos que atuarão no Brasil. O governo brasileiro quer fixar em contrato que os médicos ganharão pelo menos 40% dos
R$ 10.000 que serão repassados ao governo cubano por profissional, mais ajuda de custo. Em outros países, os profissionais recebiam o salário-base de Cuba.

Commodity Na negociação com o Brasil, o governo cubano diz que os médicos compõem a balança comercial do país, o que justificaria a retenção de parte do valor pago pelo país ”importador”.

(…) TIROTEIO

A Organização Pan-Americana da Saúde é o navio negreiro do século 21 e o ministro Alexandre Padilha é o senhor de engenho.

DO DEPUTADO RONALDO CAIADO (DEM-GO), sobre os médicos cubanos trazidos ao Brasil por intermédio da Opas, em regime que a oposição considera escravo.

Gente agora é commodities? Como assim?

Então vamos fazer o seguinte: para cada brasileiro trabalhando no exterior, vamos manter o salário mínimo dele e o resto dar para o governo. Que tal?

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Eu hein… que mundo!

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Mistakes

If you don’t make mistakes, then you aren’t really trying.

Mil coisas...

Mistakes

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Mil coisas...

Razão sem sensibilidade, loucura com mais ibope

As coisas mais belas são as que a loucura assopra e a razão escreve. André Gide

A loucura tem assoprado muitas coisas essa semana. Mas a razão já pediu um tempo. Nem ela está dando conta de tanta maluquice.

Tanto se fala em emoção, usar o coração, acreditar no sexto, sétimo, oitavo sentido (quantos temos, afinal?). Mas me parece, pela experiência, que essa tal emoção está mais para a loucura. Sim, é baseado na emoção que fazemos nossas maiores insanidades, não é? Reflita… Qual coisa sensata foi feita baseada na emoção, no coração ou no milionésimo sentido? Imagem

Eu não encontrei nenhuma. Agora, o que é mais interessante: foram das maiores loucuras que lembrei primeiro. Porque, ao contrário daquelas decisões tomadas essencialmente pela razão, elas foram mais arriscadas e divertidas. E elas, com certeza, vão dar mais ibope nas tardes com os meus netos, um dia!

=D

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