Educação Pública, é para lá que eu vou

Dois lápis vermelhos posicionados lado a lada em cima de uma superfície preta
Photo by Michal Grosicki on Unsplash

E você, já pensou em colocar seu filho na escola pública? Eu já! E isso já é uma realidade há 3 anos.

Eu tinha começado a escrever sobre isso, em 2015, quando minha filha foi para a escola pública, fazer o ensino fundamental II. E foi tanta mudança que não deu para seguir. Aí, hoje, me deparei com essa página desatualizada e pensei em apagar. Mas não! Eu tenho algo a dizer, depois desses três anos. Então, vamos lá!

Aprendi muitas coisas nesse período. A primeira: não é fácil para os pais.

Há a cobrança, quando questionam se isso “é mesmo o melhor para o seu filho“. Há o estigma da própria educação pública, deficiente e deficitária. Há o peso de uma decisão que vai impactar o futuro de uma pessoa.

Hoje, tenho resposta para a primeira cobrança: isso foi uma das melhores coisas que fiz pela minha filha. Mostrei para ela que o mundo não é só flores e pessoas orbitando em volta dela. Existe o lado B. Um lado meio sombrio, às vezes. Mas um lado que não pode ser ignorado, porque ele é muito maior que tudo que ela tinha visto até então.

Ela aprendeu a compreender as diferenças sociais e a lidar com elas. Entendeu que as pessoas são diferentes e, nem por isso, são inferiores. Aprendeu que tem muita gente melhor que ela no mundo e que o mundo é muito maior do que aquilo que ela conhecia.

A segunda: é mais fácil para a criança do que para os pais.

No meu caso, a idade (11 anos) pode ter sido um fator positivo. Alguns laços mais fortes ainda não foram formados e os [pré] conceitos não haviam sido estabelecidos. Nessa idade, eles são uma esponja e absorvem tudo que aparece.

Ao mesmo tempo, eles estão mais abertos ao novo, ao diferente. As relações sociais mais fortes estão começando a se consolidar. Ok. Falo por mim. Pela minha experiência. De qualquer forma, fica o desafio: não veja o seu fillho como seu, nessa idade. Deixe que ele vá só. Experimente esse início de vida de forma mais liberta dos seus olhos. Deixe que ele aprenda a ver com seus próprios olhos. Ensine. Oriente. Converse. E deixe que ele tenha suas próprias experiências e impressões. Eu vi resultados positivos nisso.

A terceira: é, não tem mais jeito, você vai ter que decidir.

Essa foi a coisa mais importante, que eu quero deixar aqui hoje. Das miles ou mais que eu aprendi nesses 3 anos, o acompanhamento – de fato! – do seu filho foi o que mais me chocou.

Na escola privada, todo mundo dava pitaco na vida educacional do pequeno. Além do professor, tem psicóloga, assistente de professor, cuidador, inspetor, orientador… uma pancada de gente que fala coisas sem fim. Lá, cada criança tem um “conselho administrativo da vida escolar”. Assim, grande parte do peso da decisão não cabe ao pai, mas a esse conselho consultivo que manda – ops! – orienta o que deve ser feito. E, por comodismo, ou por acreditar mesmo que aquilo é o melhor (afinal, você deixa lá um caminhão de dinheiro por mês), acaba fazendo. Bom, eu fazia por comodismo. Pagava para me preocupar menos. #prontofalei

Numa escola pública, tem o professor (quando tem) e pronto. Ponto. Fim. The end. Você – pai, mãe, responsável – vai ter que prestar atenção no seu filho e tomar a decisão, que de fato lhe cabe. Não tem mais conselho consultivo. Você é o responsável. Não tem essa de consulta com o psicólogo porque a criança teve uma crise de choro no meio da aula, porque a nota foi baixa; ou porque gritou com o colega; ou porque ouviu uns gritos de outro aluno. (atenção, cenas reais que aconteceram nos dois colégios).

E, vida que segue.

Esse ano, minha filha começa o ensino médio – numa escola pública também. Quem sabe agora não é a hora de compartilhar outros desafios, hein?

😉

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