Tema 13/50: Perguntas de um milhão de dólares: como remunerar em EaD, qual a carga horária, quando alunos por professor?

It depends…

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 13 é: Como remunerar um professor na EAD? O número de horas que um professor dedica ao planejamento da sua disciplina e ao acompanhamento de seus alunos na EAD é, muitas vezes, difícil de mensurar. Isso ocorre, em geral, pela flexibilização de tempo e espaço no modo de trabalho do “mundo” virtual e a redefinição das suas atribuições. Nesse sentido, como calcular a remuneração de um professor na EAD, considerando o professor responsável pela condução da disciplina (não professor autor e a tutoria)? A quantidade de horas designadas para o professor presencial e para o professor na EAD deveria ser diferenciada? Qual a proporção aluno x professor na EAD?


Acho esse tema bem difícil ter uma diretriz única nesse tema. Cada instituição tem uma forma de condução de disciplina a distância, um limite de alunos, um número determinado de interações.

A remuneração por tempo dedicado sempre parece ser a mais justa. O problema sempre vai ser quantificar essas horas. Nesse sentido, primeiro defendo uma remuneração equânime dos professores (presencial e EaD) quanto a hora/aula. Mantendo a minha coerência entre a paridade dos cursos nos dois formatos, a remuneração de hora/aula me parece justa dessa forma – mesmo número de créditos, mesma quantidades de hora/aula, mesma remuneração.

Porém, para EaD, eu proponho um “fator moderador”: o número de alunos. Este fator moderador é necessário pelo trabalho agregado do professor na correção de atividades e atendimento aos alunos. Essas tarefas aumentam de forma significativa o trabalho do professor. O fato de também não existir consenso entre o número de alunos por professor, na modalidade a distância, dificulta uma indicação concreta sobre como, de fato, esse cálculo moderador pode ser feito.

Sobre o fato de existir uma proporção ideal aluno X professor é também uma discussão que depende de cada caso Há disciplinas onde essa proporção pode ser maior, outras, menores. A distância, algumas podem ter um maior número de tutores outras não. Por isso, não defendo fórmulas com números exatos, mas sim uma avaliação curso a curso, instituição a instituição, caso a caso.

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Tema 12/50: O que o professor on-line precisa saber

Primeiro, não existe professor on-line. Existe sim um contexto digital que nenhum professor pode ignorar.

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 12 é: Nas últimas décadas, a maioria dos professores em suas instituições ou até por conta própria, tem realizado capacitações voltadas para o desenvolvimento e o entendimento do trabalho na EAD, desde uma capacitação mais técnica, que diz respeito ao funcionamento de ferramentas tecnológicas disponíveis, até propostas de capacitação voltadas para a reflexão sobre metodologias e o papel do professor na educação on-line. Nesse sentido, vocês acreditam que o professor virtual tem que ter uma (ou mais) capacitação(ões) específica(s)? Se vocês concordam justifiquem e citem aquela(s) que vocês acreditam serem essenciais para auxiliar no entendimento, na reflexão e na qualificação desses profissionais nos dias de hoje.


O aprendizado não tem um ponto final. Defendemos isso como educadores e, assim, temos que agir conforme o que defendemos. Buscar novas formas de sermos melhores nas nossas atividades coloca em prática nossas crenças, certo?

Dito isso, entendo que o “professor on-line” é, na verdade, o professor 2.0, o professor millenial. É aquele que, por meio de capacitação e entendimento do contexto digital atual, está “por dentro” dos meios e formas inovadoras de ensinar e aprender. E “por dentro” é dentro mesmo, atuando e participando.

Para ser esse novo professor, um professor digital – veja, não o chamo professor on-line, mas só de professor – estar familiarizado com o mundo web é fundamental. Outra habilidade que contribui é o entendimento das redes sociais e como as pessoas usam e interagem com elas. Essa é a realidade/contexto dos novos alunos. É o lugar de expressão e, muitas vezes, de mobilização dos conhecimentos adquiridos. O processo empático de ser e estar nesses ambientes vai facilitar a aplicação de ferramentas online na aprendizagem.

Outra capacidade de extrema importância para esse novo professor é o entendimento que hoje, seu papel não é mais de protagonista do ambiente de aprendizagem – seja ele online ou presencial. Ele é um orientador e mediador entre o aluno e a informação, para torná-la conhecimento. Sem essa nova visão de si mesmo e a familiaridade com o mundo digital, o novo professor não o será de fato, seja qual for o ambiente.

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Tema 11/50: Educação pelo Trabalho: um futuro que já é presente

Não dá para dissociar Educação e Trabalho. Nada mais justo do que fazer educação PELO trabalho.

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 11 é: Será que o futuro da EaD passar por um formato que seja possível acompanhar os alunos e nutri-los nesse estímulo de aprendizado por toda a vida, onde quer que estejam e caso ingressem no ensino superior, esses cursos/programas EaD com certificações e sua experiência profissional poderão ser convidados, como créditos? Será possível começarmos a pensar em certificações para educação pelo trabalho (WBL)?

Falar em acompanhar os alunos nesse nosso mundo conectado nem é preciso. Com uma simples pesquisa no Google é possível fazer esse acompanhamento, principalmente profissional. Os bancos de dados e os meios de comunicação, juntos, são as ferramentas necessárias para continuar o estímulo de aprendizado dos egressos.

Contudo, esse não é um trabalho simples e exige planejamento e um esforço de inteligência (humana e artificial) para conhecer o egresso e entender como ele quer se manter motivado ao aprendizado. Lembrando sempre que, apesar do desejo por parte da instituição de ensino, a motivação de fato é do egresso. Se não o conhecermos bem nenhuma ação nesse sentido terá efeito concreto.

Ainda não é realidade no Brasil, mas no exterior, alguns MOOCs são aceitos sim como crédito nas universidades. Ou seja, sim, isso é possível. Basta que os MOOCs tenham a qualidade necessária para tal. Com isso, a formação pelo trabalho acaba tendo uma ferramenta de avaliação.

Os alunos de MOOC são, na sua maioria, profissionais em busca de conhecimentos específicos na sua área. Ou seja, ao participar dessa oportunidade educacional, além do aprendizado específico, há a certificação de seu conhecimento prévio adquirido no trabalho. O que é uma forma de certificação possível.

Da mesma forma, no SUS (Sistema Único de Saúde) por exemplo, têm-se o conceito de educação permanente em saúde, certificados por meio de microcursos e onde há a existência de mestrados e doutorados profissionais, voltados para a educação pelo trabalho.

Mesmo existindo iniciativas, admito que são embrionárias e ainda há muito caminho antes de termos uma efetiva educação pelo trabalho em nosso país. E a EaD vai contribuir de forma ativa nesse sentido.

Um dos receios das pessoas, nas discussões diz respeito a validação do conhecimento pelo trabalho. Como certificar algo que parece subjetivo? Quem vai fazer? Com evitar que burlem o sistema?

A subjetividade de avaliação também permeia nossa educação dita formal. A maneira como uma universidade avalia o conhecimento do aluno é diferente de outra. Um professor é diferente de outro. A própria avaliação de entrada também é diferente – compare o ENEM às provas da FUVEST.

Vai ser preciso sim criar uma régua de avaliação, unificar conceitos talvez. E quando se fala em educação pelo trabalho, é mais fácil, porque o próprio fazer confirma o conhecimento. Uma certificação com critérios menos exigentes pode conceder um diploma e até pode até fazer você entrar no mercado. Mas para se manter lá, vai ser preciso mostrar que sabe fazer. Na real, essa vai ser a validação.

Mas esse é um mundo novo. Como é tudo novo, vai ser preciso experimentar algumas coisas. Sem medo de ser feliz!

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Para ir mais longe:

Em Londres, existe o Assessment Prior Learning (APL), onde o conhecimento do indivíduo é validado pelas certificações que ele já tem e também pela sua experiência e atuação profissional.

No artigo Work-based learning: a nova geração do E-learning?, de Carmem Maia, você pode saber um pouco mais sobre o conceito de Educação pelo Trabalho.

Tema 10/50: Quando a geografia já não é mais problema, é preciso escolher a ferramenta

Quem escolhe o meio é o aluno, não o professor. Viva com isso!

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 10 é: Rompendo distâncias. O crescente desenvolvimento de soluções e recursos tecnológicos tornou possível a “proximidade” entre pessoas que estão geograficamente separadas. Em um curso a distância, quais as estratégias para desenvolver/manter essa proximidade e quais os recursos (TICs) devem ser utilizados para que os alunos se sintam mais próximos dos tutores, professores e dos colegas, desenvolvendo a afetividade e colaborando para um melhor aproveitamento e engajamento?

O ciberespaço de Pierre Lévy nos permite eliminar o fator geográfico e estarmos juntos – de forma sincrônica ou assíncrona. Ao trazer isso para o ambiente de aprendizagem online, é fundamental explorar essa característica em todas as suas dimensões, dentro de um planejamento pedagógico coerente, claro!

Neste momento, temos o boom do WhatsApp como primeira forma de comunicação em nosso país. Noutros contextos, Messenger e Comunidades (Facebook), Hangout (Google), juntando-se a esses “comunicadores” globais as próprias ferramentas dos ambientes de aprendizagem, como serviço de mensageria, fóruns e comunidades (normalmente, atreladas ao uso do email como primeira ponto de contato).

Na minha experiência, a mensageria do ambiente pode ser sempre a forma oficial de comunicação (imaginem isso como o nosso antigo memorando). Mas o conectivismo orgânico dos alunos vai sempre mostrar a mídia de comunicação na qual eles estão engajados e que vai promover o melhor aproveitamento. Já tive experiência de numa oferta a turma preferir a comunidade do Facebook e na outra usar o WhatsApp.

Nesse sentido, cabe ao tutor primeiro conhecer as ferramentas e suas potencialidades, depois, conhecer os alunos e ver qual se encaixa melhor no perfil da turma. Tudo isso, com a mente aberta, inclusive, para uma outra forma comunicação que ele ainda não conheça.

Fato é que praticar o conectivismo não é tarefa fácil e pressupõe, da parte do educador conhecimento das potencialidades e domínio de uso das TICs, aliado a uma curiosidade constante sobre novas formas de comunicação que possam colaborar para o processo de aprendizagem coletiva.

Tema 9/50: Teorias de aprendizagem: qual caminho seguir?

Desenhar experiências de aprendizagem é escolher o melhor de todos os mundos.

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. A apresentação do tema 9 é: No livro Tecnologia do Ensino, de 1968, o psicólogo norte-americano Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) apresentou um invento, chamado de “máquinas de aprendizagem”, que nada mais eram do que a organização do material didático de maneira que o aluno pudesse estudar sozinho, recebendo estímulos positivos à medida que avançava no conhecimento. A idéia da máquina não era substituir a figura do professor, mas deixá-lo livre para a tarefa fundamental de ensinar o aluno a pensar. Nesse sentido, podemos entender que com sua “máquina para fazer o aluno estudar” Skinner teria sido um dos precursores ou, no mínimo, um visionário da EaD? Na sua opinião quais das teorias de aprendizagem (behaviorista, cognitivista, sociocultural, humanista, inteligências múltiplas…) são mais praticadas na EAD atualmente?


Na EaD, como na vida, devemos aproveitar o melhor dos dois mundos (três, quatro, cinco…). Skinner nos trouxe a máquina como suporte à aprendizagem. Hoje, a interação humano-computador é nossa ferramenta de trabalho. Sem ela, o EaD nos moldes atuais não seria possível.

Afora as teorias clássicas (e cada uma tem sua aplicação positiva e válida), compartilho a visão de Dewey (2010), que afirma existir uma conexão orgânica entre educação e experiência pessoal e apresenta seu conceito de continuum experiencial. Nessa lógica, para Dewey, as experiências educativas desvairam ao que ele chama de mundo em expansão, isto é, elas despertariam o desejo de aplicar em futuras experiências o que foi aprendido em experiências prévias.

Com isso, trago um pouco do que a equipe de produção de cursos na qual trabalho tem se aprofundado em estudar: a ligação dos conceitos de experiência do usuário em ambientes online de educação e o aproveitamento dos conteúdos ali expostos.

Entendemos que o desenho de ambientes de aprendizagem online baseados na otimização do relacionamento humano-computador – e com foco no aluno! – é um fator de sucesso de uma ação educativa. A atenção ao aluno, que vai viver a experiência de aprender naquele ambiente amplia a possibilidade de seu envolvimento e sucesso.

Assim, ter foco nas teorias, pura e simplesmente, não nos atendem como desenhistas de experiências de aprendizagem. A nós, cabe a escolha do conjunto de melhores opções que atendam ao aluno, no determinado contexto em que ele se encontra, naquela situação de aprendizagem específica.

=)

Tema 8/50: E os ambientes de aprendizagem online? O que eles têm a ver com isso?

Primeiro, ambiente não é virtual. E as ferramentas? Elas estão aí. Só tem que saber usar

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 8 é: As plataformas educacionais ou ambientes virtuais tem sido desenvolvidos com o intuito de aprimorar a qualidade , a experiência dos usuários e as possibilidades para oferta da EaD, considerando as ferramentas de comunicação, colaboração, produção e gestão de conteúdos, avaliação, engajamento, etc. Os recursos disponíveis na maioria das plataformas hoje são satisfatórias e auxiliam os tutores, professores e/ou alunos dando autonomia para suas atividades? O que ainda falta?


Eu trabalho exclusivamente com educação online e os ambientes virtuais de aprendizagem me desafiam todos os dias. Primeiro pelo próprio nome virtual. Em sua definição, virtual é aquilo que só existe potencialmente, sem efeito real. Ao superar essa barreira de nomenclatura, percebo que os ambientes de aprendizagem online (é assim que os chamo!) disponíveis hoje nos apresentam sim as ferramentas necessárias. Faz-se quase tudo nesses ambientes.

O fato é que não existe ambiente completo. Por vezes, há um recurso que existe num e não no outro (ou no outro funciona melhor). Daí outro desafio do profissional produtor de recursos educacionais: avaliar os ambientes disponíveis e escolher o que mais se adapta as suas necessidades.

Apesar de oferecer ferramentas, nem sempre esses ambientes oferecem autonomia para o educador. Eles precisam de equipes técnicas de TI para implementação, ajustes e manutenções. As soluções pagas oferecem os atendimentos ao cliente enquanto os open sources necessitam de equipes locais. O exemplo mais comum é o Moodle que, apesar de mais utilizado, ainda precisa de especialistas que orientes e mantenham o uso. Na minha equipe, por exemplo, esses profissionais são imprescindíveis.

O que falta é primeiro a familiaridade do educador e do professor com as ferramentas e suas potencialidades. Sem isso, eles não conseguirão fazer uso desse novo mundo digital de forma ampla. Por outros lado, a própria mudança de paradigma onde o professor não só ouve o aluno, mas também permite um fluxo de feedbacks constantes – porque as ferramentas digitais permitem isso. E, talvez um grande passo para educação, fazer com que os educadores/professores aprendam sobre TI, programação e desenvolvimento de sistema. Esses conhecimentos, mesmo que superficiais, ajudam na otimização e no trabalho em equipe, junto com TI, para idealização de novas ferramentas.

Tema 7/50: A distância e presencial precisam de currículos diferentes?

Cometemos bulling com o EaD quando pensamos em currículos separados

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 7 é: O currículo de um curso a distância deve ser igual ao de um curso presencial, mantendo a estrutura de disciplinas e currículos dos cursos presenciais? Quais são as vantagens e desvantagens para a oferta e para a formação de experiência dos alunos?


Neste assunto, volto ao tema presencial X a distância/online. Só vamos avançar tanto em qualidade como em aceitação equânime do ensino a distância quando nós mesmos, profissionais da área, assumirmos que não há mais essa diferenciação na vida real. Claro que os formatos priorizam uma ou outra metodologia, forma ou tipo de mídia, mas eles se entrelaçam.

Hoje, o ensino a distância está entrelaçado nas modalidades “ditas” presenciais – isso vai desde o atendimento do professor via email até a disponibilização dos conteúdos da aula e das próprias reflexões em ambientes como repositórios ou blogs. E, em cursos a distância, percebe-se a movimentação dos alunos para encontros presenciais. Ou seja, seguimos o dito popular: está tudo junto e misturado.

Outro ponto a favor do currículo único é, de fato, a qualidade do próprio cursos. Parece ser no mínimo estranho, por exemplo, uma mesma instituição oferecer um curso de Pedagogia presencial com um currículo e EaD, com outro. Com isso, dois profissionais formado na mesma instituição, num mesmo curso, se um em EaD e outro presencial, eles teriam conhecimentos e habilidades diferentes. Esse cenário, ilógico para mim, reforçaria ainda mais as diferenças e aceitação (ou dificuldade dela) em relação ao EaD.

O que não posso deixar de dizer é que, manter o mesmo currículo em duas modalidades não é um trabalho fácil. Inclusive, é um desafio para os educadores, professores e produtores de conteúdo que deve ser enfrentado de frente se quisermos uma educação de qualidade inclusive em EaD.

Tema 6/50: Limitações e possibilidades de inovação em EaD

Tudo é possível mas nem tudo nos convém (ou podemos pagar por!)

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 6 é: Com o surgimento exponencial de tecnologias, recursos e mídias, há um estímulo constante para revolucionar e inovar a tradicional estrutura das Instituições de Ensino Superior. Quais são as limitações e possibilidades de inovação que vocês vislumbram no Ensino Superior a Distância?


As limitações e as possibilidades estão sempre relacionadas aos objetivos iniciais do curso e aos recursos disponíveis – tanto financeiros quanto de prazo, afinal, tempo é um recurso escasso! Um exemplo recente que vivi foi em relação a utilização do microlearning.

A ideia inicial seria montar todo um programa de formação em saúde, sobre um determinado tema, no formato de microcursos conectados por trilhas de aprendizagem. Assim sendo, começou o trabalho na frente tecnológica e de conteúdo para concretizar a proposta. Ao fim e ao cabo, em termos de tecnologia, havíamos resolvido todas as questões, inclusive as ideias mais inovadoras e disruptivas. Mas descobrimos que nem todo o conteúdo em saúde é possível de ser transformado em cursos nesse formato.

Concretamente, os limites tecnológicos normalmente são balizados pelo aporte financeiro, enquanto inovações pedagógica, essas dependem dos objetivos educacionais de de aprendizagem aos quais o curso se propõe e às exigências como trabalhos de conclusão, interação sincrônica, canais diferenciados para tutoria, entre outros.

É importante ressalvar que um curso pode ser completamente inovador numa área e tradicional em outra, sem que isso defina seu potencial de estimular aprendizagem. Afinal, isso depende do aluno, do seu estilo de aprendizagem e do seu contexto. =)

Tema 4/50: Forma ou conteúdo? O que é mais importante em EaD?

Forma e conteúdo constroem um sentido. Quem disse não fui eu. Foi Barthes. Eu só concordo!

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós. O tema 4 é: O que realmente importa para EaD: a forma ou o conteúdo e quais são os recursos e atores que fundamentalmente colaboram na concepção e forte de um curso a distância de excelência?

Considero ultrapassada a discussão conteúdo X forma. Hoje, nos tempos do multimídia, multicanal, multitarefa, multitudo, um não existe sem um outro. Um bom EaD é, portanto, o conjunto do conteúdo e da forma. É o conjunto que vai ser sentido à aprendizagem.

Por vezes, o conteúdo define a forma. Outras, é a forma que define o tipo de conteúdo. Tudo depende dos objetivos educacionais de de aprendizagem definidos no planejamento inicial.

Assim como conteúdo e forma não podem ser dissociados, entendo que será o conjunto de habilidades nas duas áreas é o que garante a concepção de um curso a distância de excelência. Digo habilidades porque é recorrente que a mesma pessoa/ator, desempenhe multipapéis. Contudo, o que percebo no trabalho diário de produção de cursos, é a necessidade de um núcleo de base que deve ser composto por quatro atores:

  • design educacional: responsável pelo planejamento didático-pedagógico, definição dos objetivos educacionais e de aprendizagem e acompanhamento da produção dos conteúdos e treinamento dos tutores;
  • produtores de conteúdo: trabalham junto ao design educacional e são responsáveis pela curadoria e criação dos materiais didáticos que atendam aos objetivos propostos;
  • especialista em linguagem digital e meios online: responsável pela adequação dos conteúdos aos melhores meios que atendam aos objetivos educacionais e de aprendizagem;
  • design gráfico/web: trabalha junto com o especialista em linguagem digital no estudo e escolhas visuais e de interação que atendam os conteúdos propostos (digitais, online e impressos, quando forem necessários para interações presenciais);
  • desenvolvedor: trabalha junto com o design na escolha das melhores ferramentas tecnológicas e digitais que permitam concretizar o ambiente online proposto e atua na manutenção do ambiente.
  • equipe de tutoria: responsável pela interação com o aluno.

Entendo essa como a base humana para produção de um curso de qualidade. Em relação aos recursos, um LMS compatível, servidores e equipes de TI que atendam a amplitude necessária é fundamental, além dos pólos presenciais, quando necessário. Mas a necessidade efetiva dos recursos físicos e tecnológicos só pode ser mesurada e definida “ideal” caso a caso – a depender do planejamento do curso.


Quem foi Barthes (1915–1980)?

Foi esse carinha charmosinho e fumante, aí do lado. Bathes foi um pensador francês, referência nos estudos de linguagem.

Para saber mais um pouquinho sobre ele, veja essa matéria do acerto do jornal O Globo: Roland Barthes, o pensador francês que jogou um novo olhar sobre a linguagem .

Agora, se você quer saber muitão mais, dá uma olhada nos livros que ele escreveu.

Tema 3/50: Ensino Superior 100% a distância é possível?

Nada nunca é 100%, nem a distância

Desde o dia 21 de janeiro, participo de uma iniciativa A Educação a Distância no Contexto Atual: 50 temas e 50 dias online. A ideias é ter 50 dias de debate online, as contribuições serão compiladas e selecionadas e-book. Essa iniciativa é um projeto do Grupo A, a ABED e o Guia EAD Brasil. Vou compartilhar minhas impressões sobre os temas, por aqui. Ótimos 50 dias para nós.

O tema 3 é: Ensino Superior 100% a distância: as IES estão realmente preparadas para a oferta? Com o volume crescente de IES credenciadas e cursos autorizados para EaD, além de preencherem os requisitos do MEC, as IES estão realmente investindo, se reestruturando e se reinventando para a modalidade? Quais os principais avanços notados nos últimos anos?

Ao trabalhar com educação online no campo da saúde, precisamos entender como a EaD funcionaria nesse contexto. Nossos achados apontam que nem tudo pode ser 100% a distância. Talvez o desenvolvimento das TICs ajude a mudar isso e vai ser possível, num futuro bem próximo. Em outras áreas do conhecimento, avalio que será necessário ainda mais pesquisas para entender o que será possível oferecer 100% a distância a curto, médio ou longo prazos.

Apesar do boom dos cursos na modalidade à distância, nos últimos anos, não percebo um investimento significativo nesse campo, principalmente no que diz respeito as metodologias ensino-aprendizagem. Muitas vezes, as instituições priorizam investimento em infraestrutura física e esquecem que o relacionamento aluno -ambiente de aprendizagem – conteúdo depende de outros fatores como desenho pedagógico, adequação de linguagem e desenho de interação aluno-máquina.

Os avanços percebidos estão bastante focados nas tecnologias digitais – ambientes online diferenciados, por exemplo. Contudo, ainda não vejo evolução nas metodologias educacionais e pedagógicos em sim. Ainda fazemos EaD online como no sua origem. Ainda há um caminho promissor para inovações em EaD!

post scriptum…

Um ponto que acabei não mencionando na discussão online, mas que me ocorre agora, que preparo esse post, é a reflexão sobre que é “a distância” nesse mundo onde as ferramentas de áudio e vídeo via web são comuns? Estar separado fisicamente, hoje, não quer dizer estar presente sincronicamente, via Skype, Appear.in, FaceTime, Messenger, WhatsApp. Um exemplo concreto disso são as bancas de mestrado e doutorado que já são compostas por pessoas que estão do outro lado do mundo. Esse é nosso novo mundo, conectado, conectando e conectível!

Pensando nisso, o que é distância para você hoje?