Bagunçaram tudo…

… ou quando a notícia que mais te afeta é a menos importante

Numa época em que cada notícia é uma surpresa, é difícil pensar em algum fato recente que tenha causado algum impacto significativo. Nós, adultos, tendemos a ficar calejados nessa nossa vida diária de vivências e obrigações sociais.

As coisas acontecem e já não nos surpreendem mais. E não falo só das notícias negativas como tiroteio, mortes, desastres. Mas também de outras coisas. Antes, quando se descobria um planeta novo, por exemplo, era uma comoção. Havia até concurso para escolher o seu nome! Hoje, novos planetas são mais uma sequência de números jogados no espaço. E, lá no rodapé da página do jornal – ou numa simples frase, no portal web de notícias – “Foi descoberto um novo planeta. O DASJHF32975 está muito, muito distante da Terra”. Ponto. Vida que segue!

Mas aí, as pequenas coisas acontecem. Uma noticiazinha pescada nas redes sociais, na TL do Facebook ou numa newsletter dentre mil que recebo todos os dias: Meu Primeiro Gradiente volta ao mercado com recursos digitais.

Não, essa notícia não vai mudar a economia ou a política. Não vai colaborar para o uso sustentável dos recursos naturais e, fato, não vai salvar o planeta. Sequer vai fazer cosquinhas na ordem mundial. Mas ela muda o meu mundinho, que nunca, nunca nunca nunquinha imaginou o avô do karaoquê brasileiro cheio de recursos digitais.

O meu Primeiro Gradiente (e meu, de MEU, possessivo meeeesmo) sempre vai ser de fita K7 (clique aqui, e veja imagens desse objeto pré-histórico), produzindo aquele som sujinho. Vai permitir gravar só 30 minutos de cada lado – porque fita de 45 é caro, né gente!

O meu Primeiro Gradiente vai ser sempre aquele brinquedo que ficava guardado no armário dos pais. Só podia ser usados com supervisão, com todo o zelo e cuidado do mundo. E, se ficar no seu quarto, vai ser sempre mais do que um brinquedo. Vai ser um objeto de decoração, paradinho na prateleira, bem em cima. Para que toda a tecnologia e inovação envolvidas possam ser sempre admiradas.

E o meu Primeiro Gradiente vai ser sempre a alegria das visitas. Quando seus tios, padrinhos, e os amigos dos seus pais chegarem para aquele chá, visita de comadres e compadres talvez, toda a tecnologia vai ser retirada da prateleira, desempoeirada e você vai cantar e fazer todos ouvirem a obra-prima que é a sua voz de criança num fundo musical de gosto duvidoso.

Então, quando hoje me perguntaram qual a notícia que mais me surpreendeu ultimamente, tá aí. Criaram esse tal de Gradiente – que de primeiro não tem nada! – e bagunçaram todo o meu entendimento sobre o assunto. Porque tela de LED, entrada USB, isso qualquer criança já tem num celular ou tablet.

=D


Estamos num desafio, eu e minha filha. Escolhemos uma carta da caixa de ideias e temos que escrever sobre. Cada uma no seu quadrado, uma sem ver o texto da outra. E, depois que publico o meu, vejo o dela e vice-versa – e eu coloco os dois no ar, juntos. Este texto é fruto desse exercício de criatividade e escrita. Abaixo, a produção dela!


Nada me afeta. Tenho 15 anos e a notícia/fofoca que mais poderia me afetar é que uma das Kardashians fez o que podemos chamar de “mau uso do phootoshop” e postou a foto com a legenda que devemos ter “self love”.

Estava pensando o que poderia escrever para a cartinha de hoje, olhei sites de notícia que falavam sobre política, o massacre em Suzano, sobre a bolsa de valores e 1200 outras coisas e nada me afetou.

Claro que ninguém lê o massacre de Suzano e não fica surpreendido, triste ou em choque. E eu sei que é meio errado dizer isso, mas não me afetou, me fez refletir, mas não me afetou.

O fato é que, quando se é adolescente, notícias não importam muito a não ser que sejam um conhecimento para provas. Temos taaaanto o que se preocupar, tipo: por que o crush curtiu a foto dela? Por que ele comentou “linda <3”???Será que hoje tem teste? Será que eu pareço gorda com essa roupa?…Enfim, muitas coisas suuuper estressantes. Já quanto está o valor do dólar, não interessa muito.

Eu parei para pensar: será que eu deveria prestar mais atenção as notícias? Isso mudaria algo em minha vida? Afinal, minha mãe ouve o rádio todo dia. Mas ela é jornalista, então faz sentido.

Cheguei à conclusão que só saberia na prática (óbvio), mas não é algo muito entusiasmante ligar a TV ou o rádio para ouvir sobre desastres naturais ou sobre o devastação no Amazonas.

Se você nunca mais precisasse ouvir uma noticia isso te afetaria? Eu acho que depende muito da sua profissão. E como não decidi ainda o que quero ser, isso afeta uma pouco na minha curiosidade por notícias.

Se um dia eu decidir fazer algo que envolva notícias, eu com certeza teria que estudar muito!

Temos vagas

Olhamos para os filhos e vemos sucesso, quase nunca, trabalho.

Hoje me perguntaram: se eu pudesse escolher um trabalho para minha filha, qual seria?

Nunca pensei sobre escolher um trabalho para ela e, ao mesmo tempo, surgiram ideias mil. Desde cantora, até engenheira, passando por veterinária… Aí me dei conta que trabalho não é profissão. Trabalho é aquilo com que temos que lidar no dia a dia, faça chuva ou faça sol, querendo ou não.

Começaram a vir à tona os vários clichês deste mundo cruel (sim, o mundo do trabalho).

1) Você precisa fazer o que gosta.
Hummm… pra mim isso é um hobby.

Próxima…

2) Represente-se por meio do seu trabalho.
Isso tem cara de arte, não tem?

3)Evite estresse no trabalho.
Olha, em 20 anos no mercado, só tenho um testemunho: a única parte do trabalho que não tem estresse é as férias.

4) Se não está satisfeito, saia.
Essa é uma meia verdade. Porque o “saia”, ok, mas cumpra o combinado. Não precisa chutar o balde, bater a porta e deixar para trás um legado de coisas inacabadas.

5) Esses dias ouvi: Preserve seus momentos de ócio.
Gente! Alguém combinou isso com meu chefe?

Opa… opa… estou fugindo do tema.

Enfim, qual trabalho eu escolheria para minha filha? Comecei com requisito básico: um que desse dinheiro, algum pelo menos (excluído da lista, portanto, dar aula hehe). Ao mesmo tempo, que pudesse ter uma liberdade de horário e onde ela pudesse falar. Falar muito, o tempo todo (sorry, filha! se você está lendo isso, você sabe que é verdade). E, para dar uma dose de realidade para este desafio, pensei numa questão temporal: ela tem 15 anos!! Qual seria um trabalho que eu indicaria HOJE. Porque pensar num futuro hipotético, quem não quer um filho médico, advogado, engenheiro, astronauta, …

Hoje, eu veria minha filha num caixa do Starbucks, indicando o melhor café. E perguntando do seu dia, falando um detalhe do dela. Terminando um atendimento e indo para o outro.

— ouço a patrulha do politicamente correto: “mas você não acha que ela devia estar estudando para ser a astronauta?

L Ó G I C O ! !

Mas até um astronauta precisa de um café e um papinho nada a ver, às vezes, né? Melhor estar preparada!

😉


Estamos num desafio, eu e minha filha. Escolhemos uma carta da caixa de ideias e temos que escrever sobre. Cada uma no seu quadrado, uma sem ver o texto da outra. E, depois que publico o meu, vejo o dela e vice-versa – e eu coloco os dois no ar, juntos. Este texto é fruto desse exercício de criatividade e escrita. Abaixo, a produção dela!


Estou tensa.

Uma vez eu li meu livro da maternidade e tinha uma parte escrita “O que você acha que sua filhinha vai ser quando crescer?” E não tinha nada escrito em baixo. Ou seja, minha mãe teve 15 ANOS para pensar sobre isso.

No momento que ela viu a cartinha com o tema, seus olhos refletiram PURA MALDADE! Ela com certeza vai escrever algo esquisito, do tipo, ‘quero que minha filha seja astronauta’. Sem ofensas se você é astronauta, mas você é louco.

Se eu tivesse uma filha e quisesse sacanear com ela, escrever uma redação de 300 palavras sobre esse assunto seria a oportunidade perfeita. Isso é algo tão maldoso, que se você escrever no Google: “Qual trabalho você escolheria para seu filho – pesquisa” não aparece nada (nem mesmo se pesquisar em inglês).

Já dizia Alessandra Pinheiro (seja lá quem essa for): “Não me diga o que espera de mim, não me fale como agir ou condene meu jeito de ser”. Certeza que ela escreveu isso para a mãe dela. Se eu tivesse criatividade suficiente também escreveria meus dramas da forma mais dramática possível (P.S: uma ideia mãe! Dramaturga!

E outra, minha mãe está fazendo mestrado de educação em saúde (ou algo do tipo). E eu acho que ela faz em uma turma de médicos, então eu parei para pensar: e se minha mãe fosse médica? Aí eu desenvolvi esse pensamento para: e se minha mãe quiser que EU seja médica??? Eu daria uma péssima médica, na primeira oportunidade eu mandaria o paciente para uma ressonância mesmo pensando que ele estivesse apenas gripado. E ainda teria a cara de pau de dizer: “É só por precaução hehehe.”

Só quero deixar bem claro que só não reclamei do texto porque em algum momento pegaremos a cartinha “Describe a typical day from your high school experience” e eu terei a minha vingança.

Além disso quero dizer para a minha querida mãe: PENSE 2 VEZES ANTES DE MANDAR SUA RESPOSTA A ESSA CARTINHA!!!